Ocupação conta com 1.180 policiais militares. Retomada de
pontos planejados durou 15 minutos
Rio - O Complexo da Maré já está sob o controle do Comando
de Operações Especiais da Polícia Militar na manhã deste domingo. As forças
policiais não encontraram resistência para ocupar as comunidades e a operação
em pontos planejados durou 15 minutos, de acordo com a Secretaria de Segurança
do Governo do Rio. A partir de agora são realizadas operações de buscas de
criminosos e apreensões de armas, drogas e objetos roubados. A Polícia Civil
também tem um mandado de busca e apreensão e se necessário irá entrar em
residências.
A ocupação do Complexo da Maré conta com 1.180 policiais
militares das seguintes unidades: Batalhão de Operações Policiais Especiais
(Bope), Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), Batalhão de Ações com Cães
(BAC), Batalhão de Vias Especiais (BPVE), Grupamento Aeromóvel (GAM), 22º BPM
(Maré), além de policiais da Corregedoria Interna da Polícia Militar.
A operação foi apoiada pela Marinha. Tropas do Bope e do
Batalhão de Polícia de Choque foram transportadas por 250 fuzileiros navais. Os
policiais militares usarão 14 blindados disponibilizados pela Marinha e um
blindado do Batalhão de Polícia de Choque.
Agentes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal e
do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal apoiam a operação.
Além disso, três aeronaves do Grupamento Aeromóvel (GAM) e uma da Polícia Civil
dão apoio à ocupação.
As comunidades ocupadas no Complexo da Maré são: Praia de
Ramos, Parque Roquete Pinto, Parque União, Parque Rubens Vaz, Nova Holanda,
Parque Maré, Conjunto Nova Maré, Baixa do Sapateiro, Morro do Timbau, Bento
Ribeiro Dantas, Vila dos Pinheiros, Conjunto Pinheiros, Conjunto Novo Pinheiros
(Salsa & Merengue), Vila do João e Conjunto Esperança.
Policiais do 1º, 2º, 3º e 4º Comandos de Policiamento de Área
estão realizando operações em outras comunidades na cidade do Rio, Baixada
Fluminense e Região Metropolitana.
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A Justiça do Trabalho condenou
André Gogolia, um dos donos da Icder Indústria e Comércio de Discos e
Rebolos, em Sorocaba (SP), a pagar indenização de R$ 500 mil por assédio
moral. O valor deverá ser revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Trabalho, o empresário
humilhava os funcionários com xingamentos e os intimidava com um
revólver.
José Bernardo dos Santos, que trabalhou como vigilante
na empresa entre 1991 e 2011, contou que se demitiu devido aos abusos.
De acordo com a testemunha, o empresário o chamou por quatro vezes a sua
sala, onde foi ofendido com expressões racistas como “preto sujo”.
“Destacou, ainda, que, em certa oportunidade, viu um revólver dentro da
gaveta da mesa do segundo requerido [André Gogolia] e que, durante as
humilhações sofridas, ele permanecia abrindo e fechando a referida
gaveta”, acrescenta o texto da sentença.
Outro funcionário,
Alípio Rezende de Oliveira, também relatou ter passado por situações
semelhantes. “Empregado da primeira requerida desde 1999, o qual
informou que de duas a três vezes por semana era chamado à sala do
segundo requerido [André Gogolia] e lá era por ele chamado de
'barrigudo', 'corno'”, ressalta a decisão. O empregado também disse ter
sido intimidado com o revólver pelo patrão.
A Delegacia de
Polícia Federal em Sorocaba confirmou o registro de um revólver calibre
38 em nome de Gogolia. “Diante desse quadro, conclui-se que a parte
requerida estabeleceu um ambiente de trabalho hostil, de ameaças e
humilhações a seus empregados, quadro violador da dignidade humana e
afrontadora do trabalho como valor social”, concluiu o juiz que
determinou ainda o fim imediato dos abusos e que cópias da sentença
sejam afixadas na empresa.
Os dois policiais militares que
tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça ontem (27) e
participaram da operação que resultou na morte da auxiliar de serviços
gerais Cláudia Silva Ferreira, 38 anos, no Morro da Congonha, em
Madureira, no dia 16, se apresentaram hoje (28) ao comando do 9º
Batalhão da Polícia Militar (PM), onde servem.
O primeiro-tenente
Rodrigo Medeiros Boaventura, que comandava a operação, e o
segundo-sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno tiveram a prisão
temporária decretada por 30 dias pelo juiz da 3ª Vara Criminal da
capital, Murilo Kieling. Em nota, a Polícia Militar informou "que os
dois policiais já se apresentaram no 9º BPM [Rocha Miranda] e serão
conduzidos para a unidade prisional conforme mandado judicial".
No
mesmo ato, o juiz também revogou a prisão preventiva de Ronald Felipe
dos Santos, 18 anos, decretando a prisão temporária, também por 30 dias.
Ronald, que foi preso durante a operação, testemunhou o disparo que
atingiu a auxiliar de serviços gerais e admitiu que já teve ligação com
o tráfico de drogas e de ter tentado matar PMs que participaram de uma
operação no morro.
Já os PMs que estavam na viatura em que
Claudia Ferreira foi arrastada continuam em liberdade. Entretanto, o
juiz aplicou medidas em substituição à prisão cautelar dos três. Rodney
Miguel Archanjo, Adir Serrano Machado e Alex Sandro da Silva Alves estão
proibidos de fazer atividades voltadas ao trabalho externo de segurança
pública em vias públicas; de se aproximar a menos de 300 metros da
comunidade da Congonha e de ter contato com qualquer testemunha do
inquérito, inclusive por meio telefônico ou eletrônico.
Em protesto contra aumento do combustível, motoristas abasteceram R$ 0,50Valter Campanato/Agência Brasil Cerca
de 100 motoristas fizeram um protesto diferente para pedir a redução no
preço da gasolina. No fim da tarde de hoje (28), eles foram a um posto
no centro de Taguatinga, cidade a aproximadamente 25 quilômetros de
Brasília, e todos abasteceram apenas com R$ 0,50, muitas vezes usando o
cartão de crédito para pagar, e pediram a nota fiscal.
A
intenção do protesto, que foi organizado pelas redes sociais, é causar
prejuízos aos donos dos postos de gasolina com a emissão das notas
ficais com valores baixos. “De janeiro até agora já tivemos quatro
aumentos no combustível. Não queremos prejudicar os donos dos postos,
mas em Brasília é absurdo que todos os postos cobrem R$ 3,15 por litro
de gasolina”, disse Charles Guerreiro, presidente da Associação
Brasileira de Defesa dos Consumidores de Combustíveis e Derivados, ao
justificar o protesto.
O servidor público Rodrigo Augusto
abasteceu os R$ 0,50. Para ele, isso é uma forma de mostrar que o
brasileiro não vai aceitar os reajustes. “O brasileiro tem facilidade
para comprar o carro, mas não consegue pagar a prestação e colocar
gasolina com esses preços absurdos. A gente protesta de forma pacifica e
mostra que temos que juntar o que dá para pagar o combustível”, disse o
servidor, que pagou o valor com moedas de R$ 0,01.
Apesar de
considerar legítima todas as formas de protesto, Ricardo Recch, um dos
sócios do posto, acredita que lá não é o lugar certo para este tipo de
manifestação. “Quem faz o reajuste é a Petrobras, eu acredito que o
lugar mais apropriado seria na sede da estatal ou nos órgãos
governamentais responsáveis pelo aumento. O posto apenas faz o repasse”,
disse Recch.
Outros protestos semelhantes estão previstos para a noite desta sexta-feira em mais postos da capital federal.
Ações ocorrem simultaneamente em comunidades do Rio e da Região Metropolitana
Vania Cunha
Rio - Enquanto a Polícia Federal prendia o
chefão do tráfico de 11 das 15 favelas do Complexo da Maré, Marcelo
Santos das Dores, o Menor P, na quarta-feira, a Secretaria de Segurança
Pública começava a caçada a comparsas dele em outras 30 comunidades.
Três delas contam com Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) e as
outras foram cercadas pela PM por tempo indeterminado. A medida é para
tentar capturar criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP) e evitar novas
alianças que levem pânico a outros bairros do Rio e a cidades da Região
Metropolitana.
Menor P foi preso em seu apartamento
duplex em Jacarepaguá por agentes da Delegacia de Repressão a
Entorpecentes da Polícia Federal. Os policiais entraram pela cobertura e
pela porta. Com oito mandados de prisão pendentes por tráfico,
associação para o tráfico e homicídio, o acusado estava desarmado e não
resistiu.
As chamadas Operações de Ações
Repressivas são realizadas com objetivos específicos: vasculhamento da
área para reprimir qualquer tipo de crime; captura de criminosos; e
revista de suspeitos e veículos. As ações estão sendo feitas desde as
primeiras horas de quarta-feira por policiais dos batalhões das áreas
onde estão localizadas as comunidades, consideradas prioridades para a
Secretaria de Segurança, por terem sido identificadas como possíveis
rotas de fuga dos bandidos da Maré.
Dos 27 locais que ainda não possuem
UPPs, 19 são dominados pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) e
seis pelo Terceiro Comando Puro (TCP). Nos complexos do Lins, da
Mangueirinha (Duque de Caxias) e do Caju, o reforço está por conta de
policiais das Unidades de Polícia Pacificadoras vizinhas.
Policiais
militares do Batalhão de Ações com Cães fizeram varredura ontem na Nova
Holanda, na Maré: eles acharam drogas e carregadores
Foto: Severino Silva
Ontem, a atenção da polícia também se
voltou para comunidades da Ilha do Governador, principalmente a Boogie
Woogie. Os setores de Inteligência receberam informações que integrantes
das quadrilhas da Maré buscaram refúgio naquela comunidade, que
amanheceu com barricadas em seus principais acessos. Na Nova Holanda,
homens do Batalhão de Ações com Cães (BAC) apreenderam drogas e
carregadores.
No início da madrugada de domingo,
horas antes da ocupação da Maré, homens dos batalhões de Choque e de
Grandes Eventos também farão operações em vias expressas, como Avenida
Brasil e linhas Vermelha e Amarela. Enquanto isso, policiais do Batalhão
de Operações Especiais (Bope), com apoio dos fuzileiros navais e de
batalhões de área, estarão retomando as 15 comunidades do complexo. Por
determinação da Secretaria de Segurança, os policiais que vão participar
da operação não poderão usar mochilas, bolsas, entre outros. A ordem é
para evitar que maus agentes fiquem com materiais apreendidos, o chamado
‘espólio de guerra’, como ocorreu no Complexo do Alemão, em 2010.
Menor P se escondia até em esgoto
A vida de Menor P era o luxo no lixo,
segundo o delegado Fábio Andrade, da Delegacia de Repressão a
Entorpecentes da Polícia Federal (PF). Ele afirmou que o traficante não
tinha ponto fixo na Maré e, para fugir da polícia, dormia em carros, na
rua e até na rede de esgoto.
O superintendente regional da PF,
Roberto Cordeiro, informou que a investigação durou um ano. Policiais
identificaram o apartamento duplex, em Jacarepaguá, onde o traficante se
esconderia e ficaram o dia inteiro esperando.
Menor P é conduzido por agente da Polícia Federal para viatura que o levou para o Complexo de Gericinó
Foto: Reprodução TV
Menor P estava sozinho e não reagiu. O
imóvel foi escolhido por estar em rota de fuga privilegiada. Desarmado e
com R$ 4 mil, o traficante se mostrou prepotente ao corrigir um
policial que perguntou se ele era o ‘de frente da Maré’. O acusado
respondeu que era o ‘dono’. Ele foi transferido para Bangu 1. A
Secretaria de Segurança vai pedir a transferência dele para um presídio
federal. Ontem, a Justiça autorizou o pedido para a ida de Adair Marlon
Duarte, o Aldair da Mangueira, para penitenciária federal. Ele é acusado
dos confrontos antes da ocupação da Vila Kenned, em Bangu.