Mês segue seco no Cantareira, que só
recebeu metade da chuva esperada. Guarapiranga vive situação inversa,
beneficiada por temporais na capital.
Água
que antes tomava toda a área central da imagem se
concentra em um leito
mais fundo em zigue-zague na represa
de Atibainha, parte do Sistema
Cantareira, em Nazaré Paulista
(SP) (Foto: Nacho Doce/Reuters)
O Sistema Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande São
Paulo, manteve seu nível em 5,1% pelo quarto dia seguido, segundo
boletim divulgado nesta quarta-feira (28) pela Companhia de Saneamento
Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Entre os demais cinco sistemas que abastecem a Região Metropolitana,
quatro tiveram alta e um, o Rio Claro, caiu. Com as chuvas constantes em
São Paulo, o Guarapiranga, localizado na Zona Sul da capital, bateu
nesta quarta a precipitação prevista para todo o mês. Seu volume subiu
de 40,6% para 47,4% desde o dia 1º de janeiro.
No Cantareira, por sua vez, a situação é oposta. Choveu todos os dias
desde 22 de janeiro, mas em intensidade fraca ou moderada. Com isso, o
volume acumulado no mês, de 141 milímetros, ainda representa 52,30% dos
271,1 milímetros previstos para janeiro.
Se não chover forte na área das represas, este pode ser o 12º mês com
precipitação abaixo da média história desde janeiro de 2014, início da
crise.
A última vez em que o Cantareira subiu foi no dia 26 de dezembro de
2014. De lá para cá, se manteve estável ou perdeu mais água do que
recebeu. A última sequência de quedas, entre 12 e 25 de janeiro, foi a
terceira maior desde o início da crise hídrica, no começo do ano
passado. O sistema já utiliza sua segunda cota de volume morto.
Confira o níveis dos sistemas que atendem a Grande São Paulo:
Alto Tietê: subiu de 10,4% para 10,6%;
Guarapiranga: subiu de 46% para 47,4%;
Alto Cotia: subiu de 28,4% para 28,5;
Rio Grande: subiu de 74,1% para 74,6%;
Rio Claro: caiu de 27,1% para 26%.
Previsão
As precipitações devem ficar abaixo da média pelo menos até abril. É o
que prevê o Grupo de Trabalho em Previsão Climática Sazonal do
Ministério de Ciência e Tecnologia. O resultado foi divulgado em 16 de
janeiro, na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (CNPq), em Brasília.
Balanço de 2014
Junto com o ano de 2014, terminou também o melhor mês do Cantareira no
ano. Em dezembro, o nível do sistema baixou 1,5 ponto percentual. Foi o
menor índice de queda mensal no ano. A maior baixa foi em fevereiro,
quando o volume acumulado recuou 5,5 pontos percentuais.
Dezembro também foi o melhor mês em número de dias sem queda no nível
do reservatório. Foram 11: em 8 deles o nível se estabilizou, e em
outros 3 ele chegou a subir. Foi a única vez no ano em que o nível
aumentou três vezes seguidas, dos dias 24 a 26. Nesse sentido, os piores
meses foram junho, julho, agosto e outubro, quando o nível caiu todos
os dias.
O Cantareira terminou 2014 sem recuperar 492 bilhões de litros de água
perdidos durante os 12 meses. O ano começou com o nível do reservatório
em 27,2% e terminou com 7,2%.
Porém, com a utilização das duas cotas do volume morto (a primeira
elevou o manancial em 18,5 pontos percentuais e a segunda em 10,7 pontos
percentuais) é como se os reservatórios tivessem iniciado 2014 com um
volume acumulado de 56,4%. Assim, a queda foi 49,2% durante o ano. O
número representa 492 bilhões de litros. De acordo com estimativas da
Sabesp, o reservatório tem capacidade de armazenar 1 trilhão de litros,
quando está com 100% do seu nível.
Segundo Sabesp, o sistema abastece atualmente 6,5 milhões de pessoas na Grande SP.
Multa
Depois de ser barrada na Justiça no dia 13, a sobretaxa na conta de
água para quem aumentar o consumo voltou a valer no dia 14, após o
governo vencer recurso contra a Associação Brasileira de Defesa do
Consumidor (Proteste).
A partir da conta de fevereiro, serão cobrados 40% de multa para quem
consumir até 20% a mais do que a média entre fevereiro de 2013 e janeiro
de 2014. Quem ultrapassar 20% dessa média será multado em 100% sobre o
gasto com água, que representa metade da conta. Os outros 50% são
referentes ao serviço de coleta de esgoto.
Os sistemas que abastecem várias regiões do estado de São Paulo têm
enfrentado quedas frequentes do volume de água armazenado devido à falta
de chuvas. Na Grande São Paulo, os principais sistemas, Cantareira,
Alto Tietê e Guarapiranga, são os mais afetados.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) negou que a medida seja uma multa
ao consumidor. Ele define o ônus como "tarifa de contingência".
Com a medida, a multa será aplicada da seguinte maneira: um consumidor
que, em média, gasta 10 m³ de água receberá conta 20% mais cara se
utilizar entre 10,1 m³ e 12 m³ em um mês. Caso gaste acima de 12,1 m³,
irá pagar 50% a mais. O consumidor que elevar o gasto passará a ser
cobrado na conta de fevereiro.
Bônus
Entre fevereiro e outubro do ano passado, a companhia concedeu bônus de
30% na conta de clientes que economizassem 20% ou mais de água em
relação à média de consumo entre dos 12 meses que vão de fevereiro de
2013 a janeiro de 2014.
A medida foi adotada para estimular a redução no consumo. Desde
novembro, o desconto gradual passou a ser dado para os imóveis que
reduzirem o consumo entre 10% e 20%. O desconto foi prorrogado até o fim
de 2015.
O percentual será calculado com base na média de fevereiro de 2013 até
janeiro de 2014. A média já aparece na conta dos consumidores. A meta do
governo é reduzir 2,5 metros cúbicos por segundo de consumo.
Carros
e funcionários da Sabesp são vistos do alto perto de
uma estrutura na
represa de Jaguari, integrante do Sistema
Cantareira, em Bragança
Paulista (SP) (Foto: Nacho Doce/Reuters)
Fonte: G1