Testemunhas dizem que não havia confronto e que rapaz foi executado com tiro de fuzil em padaria do região
Rio - Parentes de Felipe de Araújo
Vieira, de 23 anos, assassinado com um tiro de fuzil no peito, na manhã
de terça-feira, na porta de uma padaria da Vila dos Pinheiros, no
Complexo da Maré, acusam soldados do Exército de terem matado o jovem
sem motivação. Em nota emitida no dia do crime, a Força de Pacificação
afirmou que a vítima fatal era “bandido”. Indignados, familiares e
amigos contestam as informações dadas por militares.
Nesta quarta-feira, a Força de Pacificação não respondeu a questionamento do DIA
sobre como chegou à conclusão de que o rapaz seria bandido. Depois do
enterro de Felipe, também nesta quarta, no Cemitério da Cacuia, na Ilha
do Governador, a mãe dele, a auxiliar de serviços gerais Maria do
Socorro Viana de Araújo, 40, fez um desabafo, acusando soldados do
Exército de homicídio.
“Os militares, em dois jipes,
assassinaram covardemente meu filho. Ele era caseiro, nunca pegou em
armas e jamais teve problemas com a polícia. Tinha vários cursos
profissionalizantes, até de Inglês. Há um ano trabalhava num lava-jato
que montou junto com o compadre dele”, lamentou.
Tropas do Exército devem permanecer na Maré até abril deste ano
Foto: Severino Silva / Arquivo Agência O Dia
Maria do Socorro vai pedir hoje à
Divisão de Homicídios (DH) que sejam feitos exames de balística, de
pólvora nas mãos do rapaz e toxicológico. “Quero provar ao Exército que
Felipe não disparou contra a tropa, como a corporação alega, pois ele
não estava armado”, justificou a mãe do jovem.
De acordo com testemunha, Felipe —
que estava sem camisa, de short e com uma bicicleta —, em companhia de
um amigo, tinha ido comprar pão às 7h, quando foi parado por militares.
Após revista em ambos, os soldados teriam mandado o amigo da vítima
correr.
Em seguida, após rápida discussão, um
disparo foi ouvido. “Os assassinos (se referindo aos soldados) sequer
prestaram socorro”, disse Maria. Vídeo feito por morador minutos após o
tiro mostra Felipe agonizando e sendo socorrido por populares.
Confronto contestado
Moradores próximos à localidade onde Felipe de
Araújo Vieira foi morto garantiram que não havia confronto entre
militares da Força de Pacificação e traficantes no momento em que o
jovem foi baleado.“Depois do ocorrido, os traficantes da área ficaram revoltados com a covardia praticada pelo Exército e abriram fogo contra as duas patrulhas que tinham abordado Felipe. Os soldados revidaram”, comentou X., 35 anos.
Nesta terça-feira, a Força de Pacificação informou que um sargento ficou ferido por estilhaços no confronto. Em nota, a assessoria da Polícia Civil ressaltou que a DH solicitou a identificação dos soldados para depoimentos e que agentes realizam diligências.
Fonte: O DIa
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