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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Inflação devora o prato preferido dos brasileiros
Nem o arroz com feijão escapou
da alta nos preços, que continua atingindo a carne bovina. Saída é
procurar alternativas para estes alimentos na mesa
Rio - O prato preferido dos brasileiros ficou
mais caro neste início de ano. Enquanto o preço da carne bovina continua
a subir, desta vez o arroz e o feijão também registraram alta. A saída
agora é inovar nas receitas e tentar substituir os alimentos mais
básicos da mesa por equivalentes mais baratos.
Essenciais
na mesa dos brasileiros, o arroz e o feijão vão pressionar
a inflação
ao consumidor em janeiro, em função da safra mais fraca
Foto: João Laet / Agência O Dia
Após um longo período de preços
comportados, o feijão e o arroz registraram elevação de 11,99% e 2,22%,
respectivamente, no Índice de Preços por Atacado (IPA) de dezembro. Já
os bovinos mantiveram a alta — que no acumulado de 12 meses os preços
aumentaram 25% — e apontaram para avanço de 3,59% no mês. Tais itens
registraram aumentos também no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de
dezembro. As carnes bovinas subiram 4,38%, o feijão 13,01% e o arroz
0,79%.
Segundo André Braz, economista do
Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), o
arroz e o feijão vão aparecer como pontos de pressão na inflação ao
consumidor em janeiro por questões de safra. “Ainda que oportunas, não
se sabe ao certo até que ponto as chuvas no sertão da Bahia podem ter
começado a atrapalhar a colheita do feijão, por exemplo”, aponta.
Para driblar os aumentos, a técnica de
enfermagem Sônia de Souza, 60 anos, conta que precisará substituir
alguns alimentos. “Fui ao mercado comprar um quilo de carne e saí com
dois bifinhos. Está muito caro, vou comprar ovos e linguiça da próxima
vez. Já o arroz e o feijão, eu vou trocar por macarrão ou polenta”, diz
ela.
Consultor de varejo do Grupo AZO, Marco
Quintarelli sugere que o consumidor aposte na variedade. “Quando se fala
em arroz e feijão, é o básico do básico, por isso é difícil substituir.
A lentilha, por exemplo, mesmo sem aumento é mais cara que o feijão.
Mas existem outros alimentos, como o macarrão. No caso da carne bovina, a
opção é o ovo, que tem grande valor nutricional, ou até mesmo a carne
suína ou o frango, que continuam mais baratos”, avalia.
Os hortifrutigranjeiros, especialmente a
batata-inglesa, também devem continuar pressionando o bolso do
consumidor em janeiro. Na última semana de dezembro, o Índice de Preços
ao Consumidor Semanal (IPC-S) apontou para uma variação de 19,44% do
produto. Já no IPA, a alta foi de 41,43%. No Rio de Janeiro, técnicos da
Ceasa (Central de Abastecimento) identificaram forte aumento no preço
da batata já no segundo dia útil deste mês, assim como o tomate, que
deve apontar alta nos preços em função de chuva de granizo em algumas
regiões. Empresários sofrem com os aumentos
Proprietário do restaurante Miguelito, na Lapa,
Miguel do Nascimento, 55 anos, disse que não vai repassar os aumentos
para os clientes por enquanto, mas terá que encontrar outras formas de
compensar a alta dos alimentos.
“Quando a gente aumenta o preço do prato, perde
o cliente. Por isso, vou tentar segurar enquanto der. Minha saída para
controlar os gastos é evitar o desperdício”, conta ele.
Segundo Miguel, a alta nos preços prejudica os
empresários. “Quem faz compras todos os dias percebe que a inflação não
está sob controle. Arroz e feijão estão muito caros, assim como o óleo.
Carne ninguém mais consegue colocar na mesa”, critica. Carne nunca esteve tão valorizada
Para André Braz (FGV/Ibre), além da estiagem
que reduziu pastos e afetou a produção de gado, a expansão das
exportações brasileiras de carne bovina, especialmente para a Rússia,
vem contribuindo para que o produto no mercado interno tenha preços mais
elevados, o que deve se manter nos próximos meses.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada (Cepea), a carne bovina nunca esteve tão valorizada no
mercado brasileiro. A média mensal da carcaça casada de boi atingiu, em
dezembro, o maior valor em termos reais, de R$ 9,04/kg no atacado da
Grande São Paulo.
Marco Quintarelli acrescenta que a alta do
dólar também contribuiu para o aumento no preço da carne. “É mais
vantajoso para os pecuaristas exportar do que vender no mercado
interno”, diz.
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