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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Calor e luz cara pesam no bolso do carioca
Contas chegam com valor mais alto este mês. Elevação é resultado de reajuste autorizado no fim de 2014
O Dia
Rio - De derreter o bolso. Não só as altas
temperaturas e a falta d’água preocupam a população. Ao abrir as faturas
da conta de luz de janeiro, cariocas e fluminenses se assustaram ao
perceber o custo, muito acima do mês anterior. Nas redes sociais,
consumidores reclamam de valores até três vezes maiores.
“Somente agora o carioca está constatando a
intensidade do reajuste da tarifa elétrica ocorrida no fim do ano
passado e também o elevado consumo de energia nos últimos meses, devido
ao forte calor”, afirma o economista Gilberto Braga, confirmando aumento
real de 40% no valor da sua própria fatura este mês.
Nas redes sociais, a gritaria é
livre. Tem consumidores reclamando que o valor da conta dobrou e, até
mesmo, triplicou. Braga lembra que, além da entrada do sistema de
bandeiras encarecendo o custo da cobrança, o reajuste autorizado para a
Light, por exemplo, ocorreu em novembro — com aumento médio de 19,23%.
Assim, dependendo das datas de leitura e de pagamento, o valor pago em
dezembro ainda misturava duas tarifas.
Lindomar Souza afirma que a conta de luz do restaurante que
gerencia aumentou muito em dezembro e deve subir ainda mais este mês
Foto: João Laet / Agência O Dia
“No mês passado choveu pouco. Agora,
não. O consumo tem sido intenso, refletindo no aumento da conta”,
destaca o professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral.
Diretor da Trade Energy, comercializadora de
energia livre, Luis Gameiro afirma que o consumidor deve observar o
quilowatt/hora consumido. “Sempre aviso aos amigos, se for instalar um
ar-condicionado: se prepare para gastar o dobro de quilowatt, pois dobra
a carga consumida, e mais cerca de 35% a 40% no valor final da conta”,
explica.
Para o especialista, o alto do custo da energia
era problema previsto desde 2012, quando o governo anunciou a redução
de 20% nas tarifas. Empresários também reclamam e culpam o consumo
Gerente do Boteco das Garrafas, na Lapa,
Lindomar Facundo de Souza, 46 anos, confirma que a conta de luz aumentou
muito em dezembro. Ele aposta que deve subir ainda mais agora em
janeiro, em função do consumo.
“O aumento com a bandeira vermelha tem um
impacto grande para a gente, pois é em cima do consumo e aqui temos 14
geladeiras e oito freezers, além de uma câmara frigorífica”,
diz.Proprietária do salão Beleza da Lapa, Silvia Regina Borges, 45,
também reclamou do custo da energia. “Percebi um aumento de cerca de R$
100 na última conta de luz. Um dos motivos foi o consumo. Às vezes a
água não chega até a caixa e temos que ligar a bomba, o que gasta muita
energia. Com o calor, o ar-condicionado fica ligado o dia inteiro. Este
ano já começou muito difícil para o comércio”, constata. Cobrança na conta de luz subiu em janeiro. São Paulo tem novo apagão
Em janeiro entrou em vigor o sistema de
bandeiras tarifárias. Com a bandeira verde (condições favoráveis de
geração de energia), a tarifa não sofre nenhum acréscimo. Com a amarela
(condições menos favoráveis), a tarifa sofre acréscimo de R$ 1,50 para
cada 100 quilowatt-hora consumidos. E, por último, a bandeira vermelha
(condições mais custosas de geração) acrescenta à conta de luz R$ 3 para
cada 100 kWh consumidos. Devido ao alto custo da energia produzida
pelas termelétricas, está em vigor a bandeira vermelha.
Depois do apagão da última segunda-feira, que
atingiu 11 estados em toda a Região Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste,
além do Distrito Federal e em Rondônia, voltou a faltar energia ontem em
São Paulo. O sistema caiu por volta das 4h, prejudicando mais de 1,2
milhão de pessoas que ficaram sem água em diversas cidades do estado e
em bairros da capital paulista.
O fornecimento de energia só foi normalizado
por volta das 10h. Já a distribuição de água só deve ser voltar ao
normal na madrugada de hoje.
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