quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Consumidores estão ansiosos pelos descontos de até 15% nos remédios

Stephanie Tondo
Rio - Decreto assinado ontem pelo governador Luiz Fernando Pezão reduziu o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para medicamentos em até 50%, no caso dos genéricos. Segundo a Secretaria Estadual de Fazenda, a medida permite às drogarias baixar 15%, em média, os preços dos remédios a partir do dia 1º de janeiro. Isso significa que uma caixa de Omeprazol (contra gastrite), por exemplo, que varia de R$10 a R$ 20 nas farmácias do Rio, passaria a custar de R$8,50 a R$ 17 com o desconto.
Medicamentos ficam mais baratos em janeiro de 2015
Foto:  Reprodução
A redução no preço dos medicamentos provocou polêmica ontem entre os empresários do setor. Durante o evento, no Palácio Guanabara, um representante da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) disse a um grupo de jornalistas que a medida não teria impacto no valor final dos remédios. “O custo das farmácias diminui, mas o desconto será pequeno, entre 1% e 2%”, informou.
Porém, à noite, por meio de nota a associação reiterou o compromisso do varejo farmacêutico de garantir a redução média de 15% nos preços dos medicamentos.
“É completamente improcedente a informação de que não haverá repasse ao consumidor. Um representante da entidade externou opinião contrária sobre o tema, mas falava exclusivamente sobre o seu grupo empresarial, sem refletir o pensamento da associação”, explicou o comunicado.

Antes do decreto, o imposto era calculado com base no Preço Máximo ao Consumidor (PMC), com desconto de 10%. A partir do dia 1º de janeiro, esse percentual aumentará para aproximadamente 20% no caso dos medicamentos comumente chamados “de marca” e cerca de 50% para os genéricos.
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A decisão foi tomada após negociação entre a Abrafarma e a Secretaria de Fazenda durante os últimos seis meses. Segundo a entidade, os estabelecimentos já comercializavam os remédios com preços reduzidos em até 50%, mas recebiam desconto de apenas 10% na tributação, de modo que a margem de lucro era reduzida.
“O ICMS estava fora da realidade. As farmácias estavam perdendo capacidade de investimento. O que o governo fez foi reconhecer que estávamos cobrando um preço abaixo do máximo pelos remédios, principalmente nos genéricos, e ajustar os tributos”, explica Ronaldo José Neves de Carvalho, representante da Abrafarma.

Segundo a Fazenda, os 15% são relativos ao que o estado deixa de arrecadar com a medida. “Estamos sempre estudando com um grande grupo de economistas do país, discutindo como podemos reduzir em todos os setores a carga tributária. É preferível cobrar menos e o empreendedor estar satisfeito, gerando mais emprego e renda”, disse o governador Pezão.
 
Consumidores estão ansiosos pelos descontos
Os consumidores ficaram animados ao saber da possibilidade de redução nos preços dos remédios em 2015. O aposentado Raimundo Nascimento, 94 anos, por exemplo, gasta cerca de R$ 150 por mês em medicamentos para ele e a esposa.
“Saber que os preços podem baixar me dá um alívio. Gastamos muito com remédio em casa e realmente precisamos de uma trégua. Mesmo assim, não compramos genéricos por não confiarmos neles, mas já chegamos a pensar em comprar essa linha para economizar”, afirmou Nascimento.
O vigilante Ricardo Ribeiro, 49, também criticou os valores cobrados pelas farmácias. “Compro remédios para a minha mãe e acho que os preços são muito altos. Saber que pode diminuir é bom, já que pagamos caro em alimentação, aluguel, tudo”, diz ele.
Porta-voz da Secretaria de Fazenda, Arthur Scalercio afirmou no evento de assinatura do decreto que as mudanças no cálculo do imposto vão reduzir custo das farmácias, por isso foi acordado que a diferença seria repassada ao consumidor, com medicamentos mais baratos.
“O governo espera que esses estabelecimentos baixem os preços em cerca de 15%, mas não pode obrigar que isso seja feito. Quem vai definir esses descontos será o próprio mercado, por meio da concorrência. Mas os consumidores também devem cobrar”, disse.
Segundo ele, o reajuste será percebido quando estoques forem renovados no início do ano.
 
Menos taxas para bares e restaurantes
Também foi assinado ontem um decreto que beneficia os bares e restaurantes enquadrados no regime especial com tributação de 2%. A medida, que entra em vigor em 1° de janeiro, concede crédito presumido de 2,3% sobre o valor da entrada dos produtos alimentícios sujeitos à substituição tributária e que são usados como ingredientes de preparação dos pratos servidos à clientela no Rio.
Nesta categoria estão laticínios, molhos, temperos, condimentos, produtos derivados de trigo, farinhas, óleos e produtos à base de carne e peixe, entre outros. Segundo o SindRio, cerca de 15% a 20% do setor deve ser impactado pelo benefício.
“A medida tem caráter compensatório aos bares e restaurantes, ao mesmo tempo que promove a redução do custo dos insumos, beneficiando a população”, explicou o secretário de Fazenda Sergio Ruy Barbosa.

Fonte: O DIA

Alerj corta salários de deputados faltosos

Constança Rezende
Rio - Sessenta e seis deputados estaduais, dos 70 da Assembleia Legislativa do Rio, tiveram desconto de salário no mês de outubro por faltas em sessões deliberativas — em que são votados os projetos de lei. Ao todo, foram registradas 367 faltas, em 14 sessões. Os valor debitado em cada ausência foi de R$ 668, o que corresponde ao salário do deputado, que é de R$ 20 mil brutos, divididos por 30 dias — apesar de só terem ocorrido sessões ordinárias em 14 dias. Pelas contas, a Alerj teve uma economia de R$ 245 mil com a tesourada.

Conforme noticiou o ‘ Informe do Dia ’ nesta quarta-feira, muitos deputados receberam a notícia do desconto na terça-feira com irritação. Segundo o presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB), a medida é inédita na Casa e foi tomada a partir de um ato da Mesa Diretora, composta por 13 deputados. Pelo texto, após o término de cada sessão, será encaminhada a listagem de presença extraída do sistema eletrônico de votação para o registro de frequência, que será enviada para o departamento financeiro fazer os descontos nas folhas.

Sessão da Assembleia Legislativa do Rio, uma das suspensas no mês de outubro, por falta de quórum
Foto:  João Laet / Agência O Dia
Mesmo não incluída nenhuma ausência por questão de saúde na conta, comprovada por atestado médico, alguns deputados prometeram recorrer. “No Poder Legislativo, as coisas se aperfeiçoam, e a gente precisa dar uma resposta à sociedade de acordo com aquilo que ela quer. A maioria dos deputados recebeu com naturalidade a medida, só um pequeno grupo que não. Na população inteira do estado, só existem 70 deputados, então não custa nada a gente trabalhar”, justificou o presidente da Alerj.
Há um ano, O DIA vem acompanhando a baixa frequência dos deputados nas sessões da Alerj. Em outubro do ano passado, uma reportagem registrou que é comum as votações caírem por falta de quórum em menos de duas horas de sessão. Também noticiou que era frequente o hábito — que continua hoje — de os deputados registrarem a presença no painel eletrônico e abandonarem o plenário minutos depois.

O DIA também publicou que as sessões ordinárias das sextas-feiras foram abolidas voluntariamente pela maioria dos parlamentares. Em reportagem publicada no mês passado, o jornal registrou que deputados já anteciparam suas férias e que muitas sessões não tiveram nenhum projeto de lei votado por falta de quórum.
Falta na Câmara pode dar perda de mandato

Na Câmara Municipal do Rio, já há no regimento interno que as faltas não justificadas dos vereadores estão passíveis de sanções, que vão desde o desconto do salário até a perda de mandato. As medidas são para no caso de o parlamentar deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias, salvo licença ou missão autorizada pela Mesa Diretora.

Embora tenha alegado que o regimento é cumprido, a assessoria de imprensa da Câmara não soube informar se nessa legislatura houve algum desconto por falta nos salários dos vereadores, igual ao ocorrido na Alerj.
Gazeteiros
13 faltas
Márcio Panisset (PDT)
12
Samuquinha(PR) e Rafael do Gordo (PMDB)
10
Átila Nunes (PSL), Claise Maria (PSD), Marcelo Simão (PMDB), Ricardo Abrão (PDT), Roberto Dinamite(PMDB) e Myrian Rios (PSD)
9
Altineu Cortes (PR), Dica (PMDB), Graça Matos (PMDB), Gustavo Tutuca (PMDB) e Inês Pandeló (PT)
8
Alexandre Corrêa (PSD)André Lazaroni (PMDB), Clarissa Garotinho (PR), Felipe Peixoto (PDT), Iranildo Campos (PSD), Marcos Abrahão (PTdoB) e Rafael Picciani (PMDB)
7
Aspásia Camargo (PV), Chiquinho Da Mangueira (PMN), Coronel Jairo (PMDB), Domingos Brazão (PMDB), Edson Albertassi (PMDB), Waguinho (PMDB), João Peixoto (PSDC), Janira Rocha (PSOL) e Pedro Fernandes (SDD).

Fonte: O DIA