quinta-feira, 24 de julho de 2014

Comissão de Dunga terá outros campeões de 1994

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Arnaldo Neto
Foto: CBF e Facebook
Parte da escalação da Copa de 1994. O técnico Dunga e o coordenador Gilmar Rinaldi anunciaram nesta quarta-feira (23), a nova comissão técnica da Seleção Brasileira. Titular nas Copa de 1990, 1994 e 1998, Taffarel está de volta. Ele será o preparador de goleiros. O cargo de auxiliar-técnico será de Andrey Lopes, que trabalhou recentemente com Dunga no Internacional. Outro atleta campeão da Copa do Mundo de 1994, Mauro Silva também fará parte da comissão técnica.

Taffarel já vinha exercendo a função de preparador de goleiros no Galatasaray, da Turquia e trabalhou com Dunga em 2010, como olheiro na Copa do Mundo. Já Mauro Silva, segundo Gilmar Rinaldi, será um auxiliar-técnico pontual para os primeiros amistosos. A CBF pretende convidar ex-jogadores para colaborar em determinados jogos.

— São pessoas que têm o DNA de campeão — disse Dunga.

O preparador físico Fábio Mahseredjian e o médico Rodrigo Lasmar, do Atlético-MG, também foram confirmados.

Fonte: Folha da Manhã

Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna

 
O escritor paraibano Ariano Suassuna morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos. Ele estava internado no Real Hospital Português, em Recife, Pernambuco, desde segunda-feira, depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico. O autor passou por uma cirurgia de emergência, acabou entrando em coma e não resistiu. Integrante da Academia Brasileira de Letras, Suassuna teve seis filhos e 15 netos. Defensor da cultura popular brasileira, era um dos maiores dramaturgos do país, além de autor de romances e poemas.

No dia 21 de agosto do ano passado, ele foi atendido no mesmo hospital por causa de um infarto, “com comprometimento cardíaco de pequenas proporções”. Uma semana depois, passou mal e voltou a ser internado, sendo submetido a uma arteriografia para corrigir um aneurisma que vinha lhe provocando fortes dores de cabeça.

Nascido em 16 de junho de 1927 em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, Ariano Vilar Suassuna era filho de João Suassuna, então governador de seu estado natal. Com o fim do mandato, um ano depois, toda a família se mudou para o interior.

O velho contador de histórias do sertão tinha apenas 3 anos quando um fato trágico marcou sua infância. No desenrolar da Revolução de 1930, um pistoleiro de aluguel assassinou seu pai com um tiro pelas costas, numa rua do Rio de Janeiro.

O assassinato foi motivado por boatos que apontavam o patriarca da família Suassuna como mandante da morte de João Pessoa, seu sucessor no governo, fato que serviu de estopim para a revolução. Um ambiente assim, com dívidas de sangue e rivalidade entre famílias, cobrava dos órfãos a vingança. Mas, um dia antes de ser assassinado, João Suassuna deixou uma carta aos nove filhos pedindo que eles não se tornassem assassinos por sua causa.

UMA BIBLIOTECA DE HERANÇA

Ariano Suassuna obedeceu. Em vez disso, dizia estar perto de perdoar os criminosos que mataram seu pai. A mãe e viúva também ajudou, ao dizer que o pistoleiro responsável pelo crime já havia morrido (era mentira). Com a tragédia, a família mudou-se para a pequena cidade de Taperoá, no interior da Paraíba. E Ariano herdou a biblioteca do pai, onde encontrou livros importantes para sua formação. Um dos mais importantes, sem dúvida, foi “Os sertões”, de Euclides da Cunha. A obra lhe apresentou um dos personagens que mais marcaram sua vida: Antônio Conselheiro, profeta e líder de Canudos.

Em 1942, Suassuna foi para Recife concluir o ensino básico. Anos depois, na faculdade de Direito, ajudou a fundar o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, encenou sua primeira peça: “Uma mulher vestida de sol”. Nove anos depois, levaria aos palcos seu texto mais conhecido, “Auto da Compadecida”, que ganharia adaptações na TV e no cinema.
NOVA OBRA VINHA SENDO ESCRITA HÁ MAIS DE 20 ANOS
Para além de sua obra, o escritor paraibano ficou famoso também por dar aulas em que dissecava a cultura brasileira, as suas origens ibéricas, a tradição dos violeiros, dos cantadores, das rabecas, dos cordéis. Eram aulas-espetáculo. E a última foi na sexta-feira passada, no 24º Festival de Inverno de Garanhuns, a 230 quilômetros de Recife. O Teatro Luiz Souto Dourado ficou lotado, como sempre acontecia nesses eventos. Um dos motivos de tanto sucesso era o bom humor do escritor, uma de suas marcas. Não que tenha sido sempre assim. Suassuna atribuía o aparecimento do humor em sua vida ao encontro com Zélia, sua mulher há mais de 50 anos. Para Suassuna, ela havia “desatado alguma coisa” dentro dele. “O riso a cavalo e o galope do sonho são as duas armas de que disponho para enfrentar a dura tarefa de viver”, escreveu em “A pedra do reino”.
Ariano Suassuna trabalhava em um novo livro havia mais de 20 anos, e dizia estar longe de terminar. Não era para menos. Seu processo de criação era lento: escrevia e reescrevia, várias vezes, à mão. Depois, copiava para a máquina de escrever e, só então, corrigia. Era aí que o escritor passava tudo a limpo, novamente à mão. Às vezes, descartava todo o material e voltava ao começo do processo. Como ilustrava os próprios livros e ainda parava para dar suas famosas aulas-espetáculo pelo país, demorava mais ainda. Sem título, o romance seria a continuação de “A pedra do reino”.
Além do amor pela literatura, havia espaço para o futebol: seu time do coração era o Sport Club do Recife, que até o homenageou em seu uniforme em 2013 com uma frase que ele costumava repetir: "Felicidade é ser Sport". Suassuna tinha fama de pé quente.
Entre as muitas homenagens que recebeu, uma das que mais o marcaram foi o desfile da escola de samba Império Serrano, que levou para a avenida o enredo "Aclamação e coroação do imperador da pedra do reino Ariano Suassuna", em 2002. "Um escritor que ama o seu país não pode querer homenagem maior que esta", disse.
Em 2007, ele assumiu a secretaria de Cultura de Pernambuco a convite do governador Eduardo Campos, e chegou a ocupar outros cargos até deixar o governo recentemente, em abril de 2014.
O ano de 2007 também foi marcado pela celebração dos 80 anos do escritor em todo o Brasil. As homenagens o levaram a viajar de Norte a Sul do país. Uma epopeia para um homem que, além de apreciar o sossego, detestava avião. Mesmo assim, o apaixonado e muitas vezes polêmico defensor da cultura popular brasileira seguia adiante. Mas brincava: se soubesse que chegar aos 80 anos daria tanto trabalho, teria ficado nos 79.

Fonte: O Globo

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Saúde: divórcio aumenta risco de ataque cardíaco e derrame

O  término de um relacionamento pode aumentar a pressão arterial e prejudicar a saúde
O término de um relacionamento pode aumentar a pressão arterial e prejudicar a saúde
 
Tristeza e divisão de bens não são os piores problemas que um divórcio pode trazer à sua vida. De acordo com uma pesquisa realizada na Universidade do Arizona, o fim de um relacionamento também pode aumentar a pressão arterial e causar sérios problemas à saúde, como ataque cardíaco, derrame e problemas nos rins. As informações são do ‘Daily Mail’.
O levantamento questionou 138 pessoas recém-separadas para saber como estava a qualidade do sono e acompanhar a pressão arterial delas por sete meses. Aquelas que sofriam de insônia por preocupações com o antigo relacionamento viram a pressão aumentar depois de um tempo.
“Se alguém estiver passando por um divórcio e incapaz de dormir, realmente precisa de alguma ajuda para não ter problemas sérios”, alertou Kendra Krietsch, líder do projeto. “Encontramos muitas pessoas com insônia até cerca de 10 semanas após separação. No entanto, depois desse período, parece haver um efeito cumulativo ruim para o organismo”, detalhou David Sbarra, outro autor do estudo.
A pressão arterial elevada triplica o risco de ataques cardíacos e derrames, além de danificar os rins e os olhos.
 
Fonte: JB

Pensar positivo por 5 minutos alivia até 60% da dor

Imagem: DivulgaçãoHá quem duvide da força do pensamento, mas um estudo mostra que focar em coisas positivas pode aliviar até 60% de dores e desconfortos. De acordo com informações do ‘Daily Mail’, bastam cinco minutos de terapia cognitivo-comportamental para notar os resultados.
Cientistas da Universidade de Reading, na Inglaterra, colocaram sondas térmicas no braço de 34 voluntários, com idades entre 21 e 38 anos, gerando uma dor semelhante a de uma queimadura. Em seguida, eles analisaram a gravidade da dor.
“Dos 34 participantes, metade treinou para controlar os pensamentos negativos relacionados à dor”, explica o líder do estudo Tim Salomons. Os resultados mostram que os que se submeteram à terapia antes do teste deram notas 58% menores que os demais.
A descoberta sugere que o tratamento pode ajudar a tratar condições como a dor lombar crônica.
 
Fonte: JB

MP acusa ex-secretário do Rio de pagar até empregada com verba pública

Ministério Público acusa ex-secretário de usar funcionários públicos em ONG
Ministério Público acusa ex-secretário de usar funcionários públicos em ONG
 
O Ministério Público entrou na Justiça com uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa contra Christino Áureo (PSD), ex-secretário estadual de Agricultura e Pecuária e atual deputado estadual. Ele é acusado de utilizar quatro servidores da secretaria para fazer trabalhos particulares numa instituição comandada por sua ex-mulher Cláudia Cataldi. Na ação, o MP afirma também que o deputado ficava com parte do salário de alguns desses servidores. Até uma empregada doméstica que trabalhou na casa do parlamentar recebia pela secretaria.
A investigação dos promotores começou após o MP receber denúncia de um ex-servidor da secretaria. Ele relatou uma série de irregularidades e indicou nomes de outros funcionários que recebiam pelo órgão público, mas desempenhavam funções no Instituto Responsa Habilidade, no período de janeiro de 2010 a agosto de 2011. Christino deixou a secretaria este ano para concorrer à releição como deputado estadual.
Salário: R$ 1,5 mil apenas no papel
Ministério Público acusa ex-secretário de usar funcionários públicos em ONG
Ministério Público acusa ex-secretário de usar funcionários públicos em ONG
 
De acordo com a denúncia, Neusa Silva de Oliveira confirmou, em depoimento no MP, que trabalhou como doméstica na casa do deputado por seis anos e que recebia R$ 1 mil pelo serviço. Porém, nos documentos obtidos pelos promotores na secretaria, Neusa teria direito a salário líquido de R$ 1,5 mil. Para os promotores, Christino tem responsabilidade no caso, pois, “além de confiar à pessoa nomeada para o exercício de cargo público somente serviços particulares, ainda se apropriava de parte da remuneração decorrente do cargo para o qual nomeou sua empregada doméstica na secretaria, o que só agrava o ilícito praticado”. O MP descobriu ainda que Neusa constou como sócia-fundadora do instituto criado pela Casa. Lá, teria desempenhado a função de tesoureira.
Outro servidor da Secretaria de Agricultura, segundo os promotores, também fazia atividades particulares para Christino. Antônio Márcio Costa da Silva exercia a função de motorista na secretaria, mas constava na ata de fundação do Instituto Responsa Habilidade como um dos sócios-fundadores. Embora estivesse lotado na secretaria, ele, como os promotores descobriram, era motorista de Christino durante seu mandato na Alerj.
Uma terceira servidora afirmou ao MP que trabalhava no Instituto Responsa Habilidade. Em depoimento, Rita de Luzie disse que recebia R$ 3 mil, “mas não ficava com a integralidade da remuneração, pois era obrigada a devolver dinheiro em espécie” para uma funcionária do instituto.
A ex-mulher do deputado negou envolvimento no caso. Cláudia Cataldi afirmou no MP que não tinha conhecimento de como eram feitos a contratação e o pagamento dos funcionários. Ela responsabilizou o ex-marido pelas contratações. Cláudia confirmou ainda que Neusa Silva trabalhou na sua casa, quando casada com Christino, mas disse desconhecer como era feito o pagamento da funcionária.
Procurado pelo GLOBO, Christino informou, por meio de sua assessoria, desconhecer a ação do MP. Disse também que ainda não foi notificado pela Justiça. O caso tramita na 1ª Vara de Fazenda Pública. A doméstica Neusa Silva não foi localizada. Antônio Márcio estava em viagem pelo interior do estado, segundo o gabinete do deputado estadual. Cláudia Cataldi não respondeu às mensagens enviadas pelo repórter.
 
Fonte: O Globo

Cura da Aids: cientistas conseguem ‘limpar’ DNA infectado de HIV

studo de cultura em células indica que é possível extrair vestígios do vírus do organismo humano
studo de cultura em células indica que é possível extrair vestígios do vírus do organismo humano
 
Um estudo de cientistas da Universidade de Temple, na Filadélfia, publicado na revista da Academia Americana de Ciências, surge com uma nova esperança de cura para vítimas da Aids e mostra que é possível erradicar todos os vestígios de HIV a partir de uma cultura de células infectadas. Apesar de ainda não ser possível aplicar a técnica em humanos, o método é considerado uma “prova de conceito” de que pode existir cura para a doença.
O ensaio pode derrubar a tese de que, uma vez infectada com o HIV, a pessoa nunca deixa de ter o vírus, forçando o uso de medicação por toda a vida. Isso porque o vírus não existe apenas no organismo. Em algumas células (chamadas de “reservatórios”), ele é camuflado da forma mais eficaz possível: desaparece, mas também se insere nos genes no DNA do hospedeiro. Até então, os tratamentos antirretroviral eram capazes de evitar que o vírus circulasse no corpo, mas uma vez inserido no DNA, não havia nenhuma maneira de tirá-lo. A medicação conseguia apenas abortar as tentativas de o vírus se reconstruir.
Agora, o trabalho desses cientistas mostra que é possível retirar o HIV do código genético. Para isso, eles introduziram enzimas células infectadas capazes de cortar fragmentos malignos do DNA. Em um segundo momento, o próprio sistema de reparo do genoma faz o trabalho de recuperar genes como eram antes da infecção. Segundo os especialistas, o processo seria semelhante ao de apagar trechos de um texto escrito em tiras de papel.
Apesar de positivo, os cientistas ressaltam que esse é apenas um primeiro e pequeno passo. O tratamento ainda não pode ser aplicado aos seres humanos em larga escala, já que existem milhares de tipos de células infectadas, sendo o processo complexo demais para ser usado em todo o organismo.
 
Fonte: O Globo

‘Roubei, mas só um pouquinho’, disse candidato antes de ser eleito

A confissão de um político mexicano e outros escândalos refletem as poucas conquistas na luta anticorrupção
A confissão de um político mexicano e outros escândalos refletem as poucas conquistas na luta anticorrupção
 
Hilario Ramírez Villanueva, dono de uma empacotadora de mangas, gosta de passear pelo povoado de San Blas, na costa do Pacífico, com chapéu de vaqueiro e a camisa aberta até o umbigo. Era assim que estava na tarde de 8 de junho quando, na frente de uns 50 moradores, bastante entediados pelo ato eleitoral do ex-prefeito, soltou a frase que entrou na história recente do México. Subiu ao palanque e com o microfone na mão, disparou:
“Me criticaram porque gosto muito do dinheiro. E quem não gosta? (E também dizem) que roubei da Presidência. Pois, roubei sim, roubei, roubei sim, mas só um pouquinho, porque estava bem pobre; não foi quase nada”.
Roubei, mas pouquinho. A frase, gravada um vídeo e publicada no Youtube, percorreu como uma descarga elétrica todo o país desatando primeiro as risadas, depois o escândalo e agora, mais de um mês depois, o desencanto: o candidato independente Ramírez foi proclamado prefeito com 40% dos votos.
“Como você pode ver, não foi tão mal. É que eles sabem que isso de roubar não é certo, que sou um homem do povo, que me dedico ao bem, que ajudo os pobres, que há poucos como eu”, vangloria-se Ramírez.
Ao contrário de quando ganhou em 2008, quando chegou à posse no lombo de um puro-sangue avaliado em US$ 250 mil (R$ 550 mil), desta vez o empacotador de mangas comemorou a vitória distribuindo notas de 20 (R$ 3,40), 50 (R$ 8,55) e 100 pesos mexicanos (R$ 17,10) a todos que vieram. Conhecesse ou não a pessoa. Uma imagem que, para muitos mexicanos, representa o triunfo da degradação política.
Hilario Ramírez Villanueva e seu indefectível chapéu de vaqueiro
Hilario Ramírez Villanueva e seu indefectível chapéu de vaqueiro foi reeleito com 40% dos votos
 
“É um personagem terrível que fala de nós e da permissividade que existe em relação a determinadas condutas. Avançamos legalmente, mas falta acabar com a impunidade. Sem castigo, não há prestação de contas. E aqui, por enquanto, quem persegue realmente é a Justiça americana. Parece que temos um subcontrato judicial com eles”, afirma o diretor-geral do Instituto Mexicano de Competitividade, Juan Pardinas.
A opinião de Pardinas expressa um sentimento muito generalizado que se baseia em uma experiência vivida com especial amargura no âmbito público, onde um em cada sete mexicanos confessa ter sofrido com a corrupção. O resultado é uma forte perda de confiança na autoridade, como demonstra, segundo o Instituto Nacional de Estatística, que a população coloque no alto da corrupção a polícia (90%), os políticos (84,4%) e o Ministério Público (78,4%).
As promessas para acabar com esta deterioração foram quase tantas quanto os silêncios que se seguiram. A última e mais sonora chegou em novembro de 2012, com o anúncio da criação de uma Comissão Nacional Anticorrupção, destinada a eliminar os podres do aparato administrativo. Quase dois anos depois, a iniciativa continua congelada no Congresso e sem aparecer na agenda dos partidos, absortos nas reformas dos setores de energia e das telecomunicações.
Onde se registrou algum avanço foi no combate corpo a corpo. Com os novos ares que sopram no México, personagens que antigamente eram intocáveis começaram a cair. A primeira a ser fulminada nesta legislatura foi Elba Esther Gordillo, líder do poderoso Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educação. A “Professora”, como era conhecida, foi presa em 2013 sob a acusação de malversação de US$ 200 milhões (R$ 444 milhões). A detenção desta compradora compulsiva, capaz de levar de uma só vez dez pares de sapatos Jimmy Choo ou diamantes no valor de US$ 350 mil (R$ 777 mil) na Tiffany, foi entendido como um sinal do presidente Enrique Peña Nieto. Depois dela, veio uma cascata de altos cargos. E foram de todas as cores.
“Não existe um partido anticorrupção. Todos estão afetados, inclusive o PAN, que tinha fama de incorruptível. Perdeu isso depois da passagem pelo poder”, ressalta Pardinas.
No grupo dos caídos, destacam-se, pelo peso que possuem no sistema federal mexicano, os governadores. E entre eles brilha, como uma pérola negra, Tomás Yarrington, que chegou a se postular no PRI como aspirante à Presidência do México. Este antigo governador de Tamaulipas, um estado fronteiriço com o Texas, fugiu depois que a Justiça americana ordenou a captura dele por fraude bancária, lavagem de dinheiro, cobrança de subornos do Cartel do Golfo e até contrabando de cocaína. Do limbo da situação de fugitivo, o elegante Yarrington, que se apresenta como um “apaixonado por seu país”, abriu recentemente uma página no Facebook na qual defende sua inocência e se declara vítima de uma perseguição política.
No estado vizinho de Coahuila também há um governador fugitivo. Trata-se de Jorge Torres, novamente do PRI, procurado por lavagem de dinheiro, e cujo rosto, antes poderoso, acaba de ser publicado na página da DEA, a agência antidrogas americana, junto com outro fugitivos mal-encarados. A recompensa, indica-se, é negociável.
Outros não tiveram tempo de fugir. No turbulento Michoacán, berço das organizações de autodefesa, Jesús Reyna, do PRI, secretário de Governo e mandatário interino em 2013, durante a etapa mais violenta do enfrentamento aos narcotraficantes, foi preso por suas ligações com o Cartel de Los Caballeros Templarios, o grupo que supostamente combatia. E o chefe de Reyna durante anos, o governador eleito Fausto Vallejo, renunciou há poucas semanas alegando “motivos de saúde”, bem quando foram descobertos os supostos vínculos do filho dele com a organização criminosa.
A lista é longa e alcança, em uma escada descendente, amplos espaços da administração. Os jornais mostram novos casos quase diariamente. As suspensões estão na ordem do dia. Mas a insatisfação continua.
As soluções passam, segundo os analistas, por um fortalecimento dos aparatos de Justiça e a geração de um regime punitivo com credibilidade. Esse é o caminho, apontam, para recuperar a deteriorada confiança nos políticos. Um grupo que, em palavras do recém-eleito prefeito de San Blas, Hilario Ramírez, está representado por “sanguessugas que se esqueceram do povo”. Não como ele, que já anunciou para seu próximo aniversário, no dia 22 de fevereiro de 2015, uma gigantesca festa com show da popular Banda El Recodo, o sacrifício de 50 vacas e a distribuição de 50 mil caixas de cerveja. Exatamente cinco para cada habitante de seu povoado. É sua forma “honrada” de fazer política.
 
Fonte: O Globo