Um homem foi pego usando um 'chupa-cabra', aparelho usado para clonar cartões bancários
Rio - Uma quadrilha foi presa por policiais
militares do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe)
enquanto roubava dinheiro de um caixa eletrônico em Copacabana, na Zona
Sul do Rio, na noite deste sábado.
A quadrilha estava na agência da Caixa
Econômica Federal, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Um dos homens
foi flagrado usando um "chupa-cabra", aparelho usado para clonar
cartões bancários. Outros dois bandidos esperavam em um carro e tentaram
fugir, mas também foram presos.
No carro usado pelos bandidos, a PM encontrou
outros equipamentos eletrônicos, usados por ladrões para serem adaptados
em máquinas de saque em bancos. Todos foram encaminhados à Policia
Federal.
Docentes cobram fixação de prazos para as propostas apresentadas pela Prefeitura do Rio, entre elas a de reajuste salarial
Rio - A paralisação das escolas municipais do Rio completa hoje 32
dias e deixa, segundo a Secretaria de Educação (SME), 300 mil alunos sem
aula (de um total de 683.449 matriculados), o que representa 43,89% da
rede. Há avanços, reconhecem os sindicalistas e a Prefeitura do Rio, mas
há temas, em alguns casos pontuais, que vão além da questão salarial e
fazem parte do dia a dia de agentes auxiliares de creche, merendeiras,
inspetores, professores e demais profissionais.
Cenários desconhecidos de parte da
sociedade, como falta de material de limpeza ou higiene, infiltrações,
portas caindo e que a Secretaria Municipal de Educação ainda não
apresentou solução nas mesas de negociação.
A greve é marcada por impasses como
esse em torno dos 21 pontos apresentados pelo Sepe (Sindicato dos
Profissionais de Educação), sendo 11 já aceitos pelo governo, como
reajuste salarial de 8%, e em projetos, que os grevistas se queixam de
não terem prazo para sair do papel.
Docentes cobram fixação de prazos para as propostas apresentadas pela Prefeitura do Rio, entre elas a de reajuste salarial
Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia
Após um mês de greve, três reuniões
com o Executivo e três acordos de fim de greve assinados, as assembleias
do Sepe já não levam 25 mil pessoas às ruas. Mas o total de alunos sem
aula, fornecido pela própria SME, comprova que apesar de não estar
presente nas assembleias, o grupo que cruza os braços está mobilizado e
continua fora das salas de aula do município.
Apesar de já ter recebido orientação do
sindicato para voltar ao trabalho nas escolas de cabeça erguida, há o
grupo majoritário nas assembleias que defende o retorno só após ver
alguma reivindicação aceita sair do papel.
Em nota oficial, a SME destaca seu lado do
impasse e diz que não mediu esforços para atender o que pediam os
professores. E que, apesar da posição dos grevistas em manter o
movimento, “prejudicando diariamente quase 300 mil alunos”, a
“Prefeitura do Rio sempre manteve a decisão de cumprir todos os pontos
dos acordos realizados”.
Na cozinha do Ciep Samuel Wainer, na Tijuca, as tampas das panelas são antigas ou não existem. Os alimentos ficam expostos
Foto: Divulgação
Crecheira do Espaço de
Desenvolvimento Infantil (EDI) Professora Raquel Kelly Lanera, em Santa
Cruz, Maristela Santos, 34 anos, foi um dos braços levantados na
assembleia da última sexta-feira e integra o grupo de servidores da
Educação municipal que votou pela continuidade da greve: “Cuido de 25
crianças. Não há banheiro em todas as salas e temos que improvisar. O
piso é escorregadio e temos que tomar cuidado para que não ocorram
quedas e os estudantes se machuquem”.
A queixa pontual é exemplo dos
relatos recebidos pelo DIA entre as duas últimas assembleias da semana
passada. A exposição das rotinas evidencia o que os grevistas apontam
como motivo para manter a paralisação que já dura 32 dias.
A professora Gissele Luanda, 33, professora do
EDI Fundação Leão XIII, no Morro de São Carlos, no Estácio, conta que
não há janelas na unidade, só basculantes. Além disso, existe um portão
estreito para entrada e saída. A Secretaria Municipal de Educação
esclareceu que “realiza grandes investimentos nas unidades escolares
para oferecer a alunos, professores e funcionários ambiente adequado”.
Na Escola Municipal Prefeito Juarez Antunes, em
Bangu, um dos problemas da unidade é a ausência de ar-condicionado,
mesmo com as instalações prontas, reclamou um professor que preferiu não
se identificar. Segundo a secretaria, um dos acordos estabelecidos com o
sindicato da categoria prevê a elaboração de um cronograma para a
climatização das escolas da prefeitura, pelo qual mais 130 unidades
escolares serão contempladas já em 2013.
Professora há 15 anos da rede municipal, Anna
Paula Meirelles de Azevedo, 45, relata que há três anos a direção da
Escola Municipal Barão de Itacurussá, na Tijuca, busca alguma empresa
para fazer obras estruturais para acabar com “inúmeras infiltrações e
problemas na parte elétrica”. Contudo, segundo a docente, a secretaria
informa à direção que não pode fazer a obra.
“Em uma das salas, quando chove, a água escorre
como cachoeira pelas paredes. É preciso colocar uma bacia para aparar a
água que desce pelo ventilador de teto”, explica Anna.
Em nota, a Secretaria Municipal de
Educação informou que desde 2009, foram construídos 118 Espaços de
Desenvolvimento Infantil e 13 escolas. Além disso, 22 acabaram
reformadas e outras 17 reconstruídas. A “secretaria ressalta ainda que
sempre realiza reparos e reformas, por meio do Conservando Escolas,
priorizando as necessidades identificadas”.
A próxima assembleia da categoria
está marcada para terça-feira, às 14h. Ontem, professores iniciaram
vigília na residência do prefeito.
Merendeiras de escolas municipais reclamam do acúmulo de funções
Foto: Divulgação
Planos envolvem pauta pedagógica
Em meio a cobranças por atitudes concretas, a
Secretaria Municipal de Educação destacou alguns planos para o futuro.
Para cumprir a meta de colocar 35% dos alunos da rede em turno único até
2016, com sete horas de aula, segundo a pasta, a prefeitura prevê
investir, por meio da Fábrica de Escolas, cerca de R$ 1,5 bilhão na
construção de novas unidades e na reforma/ampliação de outras já
existentes.
A estimativa para o período de 2015/2016 é de 99 novas construções e 80 unidades reformadas/ampliadas.
A secretaria ressalta, também, que vem
aumentando o atendimento na Educação Infantil, com novas construções.
Somente para este ano, estão previstas mais 30 novos EDIs.
Em recente entrevista ao DIA
, a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, citou as
resoluções que tratam da pauta pedagógica. Entre as quais, autonomia em
relação ao caderno pedagógico e à garantia de que não haverá
reestruturação das unidades sem passar por discussão com cada escola. 10 exemplos de queixas
1 - Falta de pessoal - A merendeira Flávia
Oliveira Paes, 41, diz que na Escola Municipal David Perez, em Cordovil,
trabalha com três servidoras para atender a 600 alunos. Na Escola
Municipal José do Patrocínio, em Irajá, o professor Thiago Bruno Vital,
32, explica que há três inspetores para 800 alunos. A agente auxiliar de
creche Maristela Santos, 34, relata que cuida sozinha de 25 crianças de
3 e 4 anos de idade no EDI (creche)Professora Raquel Kelly Lanera, em
Santa Cruz.
2 - Ar condicionado - Professor que preferiu
não se identificar informa que a Escola Municipal Prefeito Juarez
Antunes, em Bangu, foi reformada para receber os aparelhos, mas não há
previsão para instalação. Já na Escola Municipal José do Patrocínio, em
Irajá, na turma do professor Thiago Bruno há um ventilador para 35
alunos. Segundo ele, o calor gera agitação na turma, o que atrapalha as
aulas.
3 - Falta de material - Professora do EDI
Professora Raquel Kelly Lanera, em Santa Cruz, Maristela Santos afirma
que não há material de higiene para as crianças. A merendeira Ana Maria
de Castro Barros, 54, por sua vez, se queixa da falta de material de
limpeza. “Muitas vezes tenho que levar de casa”, diz.
4 - Infiltração - Na Escola Municipal Barão de
Itacurussá, na Tijuca, a professora Anna Paula Meirelles, 45, conta que
há muitas infiltrações. “Em uma das salas, quando chove, a água escorre
como cachoeira pelas paredes. Professores improvisam bacia para que as
crianças não escorreguem”, afirma.
5 - Higiene - Segundo a merendeira Cristiane
Souza Rodrigues, 41, no<MC1> Ciep Samuel Wainer, na Tijuca, há um
ralo aberto na cozinha, de onde saem ratos e baratas. “Temos que chamar a
Comlurb toda a semana”, conta.
6 - Várias funções — No Ciep Samuel Wainer, na
Tijuca, a merendeira <MC1>Cristiane Souza Rodrigues, 41, se queixa
do acúmulo de funções. “Temos que cozinhar, servir e limpar todo o
refeitório”, diz. Merendeira na Escola Municipal David Perez, em
Cordovil, Flávia Oliveira Paes, 41, afirma: “Somos cozinheiras. Nosso
salário está muito aquém do trabalho. Temos até que moer carne para
muita gente”, revela.
7 - Estrutura - A professora Valéria Giorno,
52, comenta que a porta da sala onde dá aula, no EDI Rocha Pombo, em
Piedade, está caindo. “As crianças precisam levantar a porta para
conseguir abrir, o que é perigoso”, avalia. Além disso, na Escola
Municipal Santos Dumont, em Marechal Hermes, as janelas estão em péssimo
estado, segundo a professora Karina Nizo, 35 anos.
8 - Equipamento - Segundo professor que não
quis se identificar, na Escola Municipal Cora Coralina, em Campo Grande,
as mesas foram feitas para crianças e não suportam o peso dos
adolescentes, por isso quebram, e demoram a ser substituídas. Na Escola
Municipal Paula Fonseca, em Colégio, a professora Viviane Meneguitte,
34, conta que chegou um aparelho de multimídia, mas não conseguiu usá-lo
por falta de estrutura. “O teto não aguenta o peso do aparelho”,
explica.
9 - Refeitório - Professora na EDI Fundação
Leão XIII, no Morro de São Carlos, no Estácio, Gissele Luanda, 33, conta
que lá não há refeitório. As crianças almoçam em um corredor com
bancadas na parede. Como os bancos não têm apoio nas costas, os alunos
mais novos não conseguem se equilibrar e acabam caindo.
10 - Reprovação - Professora da Escola
Municipal Santos Dumont, em Marechal Hermes, Karina Nizo explica que com
a meritocracia, o docente que reprova determinado número de alunos
deixa de ganhar o 14º salário, por isso, o professor é obrigado a
aprovar os estudantes. “Na minha turma de terceiro ano do Fundamental há
14 alunos analfabetos, que tive que reprovar, mas sou vista como vilã
por isso”, diz.
A obra foi elaborada pelo cartunista Carlos Latuff
Uma charge, que retrata um homem negro
crucificado – em clara referência a Jesus Cristo – e um policial, está
gerando polêmica no Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro. A obra
foi feita pelo cartunista Carlos Latuff e estava exposta no gabinete do
juiz João Damasceno, quando por determinação de Órgão Especial do TJ,
nesta quarta-feira (4), foi retirada da parede.
A decisão do Órgão Especial foi tomada a partir de solicitação do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP).
Além de ter encaminhado esse pedido à
presidente do TJ – desembargadora Leila Mariano, o parlamentar ainda
defende que os policiais militares do Rio entrem com ação indenizatória
contra o artista e o magistrado.
“No quadro vislumbra-se a imagem de um
policial militar sendo autor de um disparo de arma de fogo em um homem
preso a uma cruz, fazendo alusão à crucificação de Jesus Cristo. [...] A
obra pretende fazer crer que todos os policiais militares são pessoas
que vestem suas fardas para cometer os mais perversos crimes contra a
humanidade, em referência, ainda que indireta, à morte de Jesus Cristo”,
argumenta Bolsonaro, que considera que a gravura ofende a instituição
policial e seus membros.
O deputado propõe ainda que o valor a ser pago por uma hipotética condenação dos réus seja de R$ 28 mil.
Já o magistrado Damasceno interpreta a
cena da seguinte forma: “a obra do cartunista Carlos Latuff, retratando
um homem negro pregado numa cruz e alvejado no peito pelo disparo do
fuzil de um policial, colocada na sala de audiências da 1ª Vara de
Órfãos e Sucessões do Fórum Central, evoca a violência do Estado contra o
povo ao longo da história”. Ele é favorável ao conceito de
desmilitarização.
O juiz compara a repressão que se viu nos
protestos de junho ao que se passa nas periferias. Nas comunidades
periféricas, diz ele, “a munição disparada não é de borracha. A política
de segurança pública militarizada tem como alvo os pobres e excluídos,
‘inimigos internos’ sujeitos ao extermínio. Instituída a pretexto de
combate à criminalidade, a violência do Estado se destina ao controle
social em benefício da classe que se aproveita da dominação”.
No entanto, João não se opôs à
determinação do Órgão Especial do TJ e a charge foi acolhida pelo
desembargador Siro Darlan. Damasceno classificou a situação como um
‘asilo artístico’.
Em sua página no Facebook, Latuff defende
a livre exibição do desenho e relatou supostas ameaças que teriam sido
feitas por PMs, também na rede social, contra Damasceno.
Brasília – O Palácio de Planalto confirmou o encontro da presidenta
Dilma Rousseff com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,
durante a oitava cúpula do G20, iniciada hoje (5) na Rússia. De acordo
com o Twitter do Blog do Planalto, a reunião ocorreu logo depois da
abertura do evento. A conversa era esperada após denúncias de que os
americanos espionaram brasileiros, entre eles, a própria presidenta.
Encerrada a cerimônia de boas-vindas do G20, líderes das 19 maiores economias mundiais participaram da primeira reunião de trabalho.
Depois, se dirigiram ao Palácio Grand Peterhof, em São Petersburgo,
onde o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu um jantar aos
chefes de Estado. Segundo a BBC Brasil, Dilma e Obama chegaram atrasados
ao local.
O governo americano confirmou o encontro, mas não deu qualquer
detalhe. Antes, Ben Rhodes, vice-assessor de segurança para comunicações
estratégicas da Presidência americana, disse que Obama buscaria fazer
com "que os brasileiros tenham um melhor entendimento sobre o que
fazemos e o que não fazemos”.
No último fim de semana, reportagem da TV Globo revelou documentos
mostrando que a Agência Nacional de Segurança monitorou conversas entre
Dilma e seus principais assessores.
As revelações de espionagem causaram mal-estar na relação bilateral e
colocaram em dúvida a visita que Dilma deve fazer aos Estados Unidos em
outubro. Nesta quinta-feira, o Planalto confirmou o cancelamento da ida
a Washington, no sábado, de uma equipe que faria os preparativos da viagem.
Brasília
- O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a
inflação oficial, fechou agosto com taxa de 0,24%. Em julho, a taxa
havia sido de 0,03%. Já em agosto do ano passado, o IPCA ficou em 0,41%.
O dado foi divulgado hoje (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
As principais contribuições para a inflação de agosto vieram das
altas de preços de 0,57% no grupo de despesas com habitação e 0,45% com
saúde e cuidados pessoais. Os alimentos, que haviam registrado deflação
(queda de preços) de 0,33% em julho, tiveram alta de 0,01% em agosto.
Os transportes continuaram apresentando deflação, embora em ritmo
menor, com queda de preços de 0,06%. Em julho, a diminiuição havia sido
de 0,66%.
O IPCA acumula taxas de 3,43% no ano e de 6,09% nos últimos 12
meses. O IPCA de 12 meses é o menor desde dezembro de 2012, quando havia
sido 5,84%, e se mantém abaixo do teto da meta de inflação do governo,
de 6,5%.
Brasília – As chuvas que atingiram João Pessoa desde a tarde de
terça-feira (3) deixaram pelo menos 1,2 mil pessoas desabrigadas, de
acordo com a Defesa Civil Municipal. Durante a madrugada de ontem (4),
alguns bairros ficaram inundados, ruas alagadas, postes caíram e
deixaram comunidades no escuro. A Defesa Civil recebeu pelo menos 30
chamadas (durante a madrugada). Não há feridos.
O prefeito Luciano Cartaxo decretou nessa quarta-feira situação de
emergência por causa das fortes chuvas. Com o decreto, a prefeitura pode
pedir ajuda ao governo federal e convocar voluntários para reforçar as
ações de emergência. Os agentes da Defesa Civil e outras autoridades
estão autorizados a entrar em casas para prestar socorro ou determinar a
evacuação.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a quantidade
de chuva entre terça-feira e quarta-feira equivale ao dobro da média
esperada para todo o mês de setembro na capital paraibana. A média de
precipitação pluviométrica na região (em setembro) nos últimos 30 anos
chega a 93,1 milímetros. De terça para quarta-feira, choveu 189
milímetros das 18h até as 9h da manhã.
O bairro São José é um dos mais afetados, já que as águas do Rio
Jaguaribe transbordaram, inundando as casas e deixando famílias
desabrigadas. Outras comunidades atingidas foram Saturnino de Brito, por
causa do deslizamento de uma barreira; São Rafael, Tito Silva e Padre
Hildon Bandeira, segundo a diretora de Organização Comunitária e
Participação Popular da Secretaria de Desenvolvimento Humano de João
Pessoa, Cely Andrade.
O ginásio da Escola Municipal Nazinha Barbosa, no bairro de Manaíra,
é o único abrigo na região e, no momento, 20 famílias do bairro São
José estão no local. A prefeitura forneceu colchões, cobertores e comida
para os desabrigados. Muitas pessoas já conseguiram voltar para casa
depois que o nível do rio caiu, conforme a diretora.
"É insuportável que qualquer cidade suporte um volume de água tão
intenso, principalmente ininterrupto como foi o caso de João Pessoa.
Isso é uma surpresa para nós, pois estamos nos aproximando de um período
de verão aqui no Nordeste", disse o coordenador da Defesa Civil de João
Pessoa, Francisco Noé Estrela. Apesar de todos os transtornos,
Francisco destaca que não houve nenhuma vítima até o momento.
Brasília – Na sétima sessão de julgamento dos recursos da Ação Penal
470, o processo do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) reduziu a
primeira pena no processo. O ex-sócio da corretora Bônus Banval Breno
Fischberg teve a pena reduzida. Com isso, ele poderá livrar-se da
prisão, porque a condenação ficou abaixo de quatro anos e pode ser
convertida em pena alternativa. O plenário decidiu também que a Corte
tem a palavra final sobre a perda de mandato dos quatro parlamentares
condenados.
Fischberg havia sido condenado a cinco anos e dez meses de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro, mais tempo que o sócio Enivaldo Quadrado, que foi condenado a três anos e seis meses de prisão. Nesta sessão, a Corte decidiu igualar as penas,
já que a participação dos sócios no crime foi a mesma. Durante o
julgamento, houve um extenso debate sobre as penas aplicadas a Enivaldo
Quadrado e Breno Fischberg, sócios na corretora Bônus Banval.
Outra decisão é que cabe à Corte a palavra final sobre a perda de mandato
dos quatro parlamentares condenados no processo. Ao analisar recurso do
deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), os ministros entenderam que
deve ser mantida a decisão tomada no ano passado. Eles mantiveram ainda a
pena de Cunha de nove anos e quatro meses de prisão, além de R$ 360 mil
de multa, em valores não atualizados, pelos crimes de corrupção
passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
Os ministros decidiram manter a pena
do ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE), condenado a sete anos e
dois meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e do
ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos e sete meses de prisão, pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e formação de quadrilha.
O STF ainda não concluiu o julgamento do recurso do ex-assessor do
PP João Cláudio Genu, condenado a cinco anos de prisão por lavagem de
dinheiro. A análise do recurso foi interrompida, pela primeira vez, na
quarta-feira (28) passada por um pedido de vista do ministro Luís
Roberto Barroso. No entanto, sem consenso da maioria, o ministro Luiz
Fux pediu hoje vista do recurso para analisar o caso.
Até o momento, foram analisados recursos de 23 dos 25 réus no
processo. Falta terminar o julgamento do recurso de Genu e analisar os
de Rogério Tolentino, advogado ligado ao publicitário Marcos Valério.
Amanhã (5), o Supremo deve analisar a possibilidade de novo
julgamento por meio do recurso conhecido como embargo infringente.
Embora esse tipo de recurso esteja previsto no Regimento Interno do STF,
uma lei editada em 1990 sobre o funcionamento
de tribunais superiores não faz menção ao uso da ferramenta na área
penal. Para alguns ministros, isso significa que os embargos
infringentes foram revogados.
O embargo infringente permite novo julgamento quando há pelo menos
quatro votos pela absolvição. A situação atende a pelo menos 11 réus:
João Paulo Cunha, João Cláudio Genu e Breno Fischberg (no crime de
lavagem de dinheiro); José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos
Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Salgado
(formação de quadrilha).