sexta-feira, 28 de março de 2014

Maioria acredita que mulher tem responsabilidade em casos de estupro, diz Ipea


Pesquisa divulgada hoje (27) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que 58,5% dos entrevistados concordaram totalmente ou parcialmente com a frase "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". Em relação a essa pergunta, 35,3% concordaram totalmente, 23,2% parcialmente, 30,3% discordaram totalmente, 7,6% discordaram parcialmente e 2,6% se declararam neutros.
"Por trás da afirmação, está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então, as mulheres que os provocam é que deveriam saber se comportar, e não os estupradores. A violência parece surgir, aqui, também, como uma correção. A mulher merece e deve ser estuprada para aprender a se comportar", dizem os pesquisadores.
Os pesquisadores também perguntaram "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas": 42,7% concordaram totalmente com a afirmação, 22,4% parcialmente; e 24% discordaram totalmente e 8,4% parcialmente.
"O acesso dos homens aos corpos das mulheres é livre se elas não impuserem barreiras , como se comportar e se vestir 'adequadamente'", concluíram os pesquisadores.
Conforme o levantamento, 63% concordaram, total ou parcialmente, que “casos de violência dentro de casa devem ser discutidos somente entre os membros da família”, 89% dos entrevistados tenderam a concordar que “a roupa suja deve ser lavada em casa” e 82% que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.
Os dados fazem parte da pesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) - Tolerância social à violência contra as mulheres, que mostrou ainda que 78,1% dos entrevistados concordam totalmente e 13,3% concordam parcialmente que a prisão é a punição adequada para o homem que bate na esposa. A pesquisa colheu dados sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo e relação familiar.
Os pesquisadores sugerem que a população ainda tem "visão de família nuclear patriarcal, ainda que sob uma versão contemporânea, atualizada. Nessa, embora o homem seja ainda percebido como o chefe da família, seus direitos sobre a mulher não são irrestritos, e excluem as formas mais abertas e extremas de violência.
Os resultados apontam que a Lei Maria da Penha, que endurece as punições para o agressor, contribuiu para minimizar a tolerância à violência contra a mulher. Para a secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Aparecida Gonçalves, as tendências machistas vêm mudando. “Apesar de não ter mudado ainda da forma como gostaríamos, elas vêm se alterando aos poucos, principalmente no que tange à violência doméstica e familiar”.
Ao todo, 3.810 pessoas foram entrevistadas no ano passado, sendo 66,5% mulheres.
Outra pesquisa do Ipea apresentou dados sobre o crime de estupro no Brasil. A estimativa com base nos atendimentos prestados às vítimas é que, a cada ano, 527 mil pessoas são estupradas no país. Apenas 10% dos casos chegam ao conhecimento da polícia. A maioria das vítimas é mulher, sendo 70% são crianças ou adolescentes. Mais de 92% dos agressores são homens. Pais, padrastos, amigos e conhecidos representam 56,3% dos criminosos.

Fonte: Agência Brasil.

Senado começa a analisar nos próximos dias cota para negros em concurso público

A reserva de vagas para negros em concurso público não deve encontrar resistência entre os senadores, afirmam parlamentares que acompanharam a evolução do projeto na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei (PL) 6.738/13, defendido pelo governo, que tramita em regime de urgência, foi aprovado  na noite de ontem (26), em plenário, por 314 votos.
O projeto foi aprovado na Câmara no mesmo dia em que recebeu parecer favorável da última comissão da Casa que deveria analisar o texto, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Pelo texto que segue agora para o Senado, são reservadas para negros 20% das vagas disputadas por concurso da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista. Se aprovada como está, a medida valeria pelo período de dez anos.
“Não se trata de um programa permanente. Teria um prazo para avaliação, como está começando a ser feito no caso das universidades. Se der um bom resultado, ótimo. Mas vamos poder avaliar também se provocará um apartheid às avessas”, avaliou o deputado Roberto Freire (PPS-SP). No aparteid, regime de segregação racial que vigorou na África do Sul de 1948 a 1994, a minoria branca detinha todo poder público e econômico e à maioria negra cabia obedecer às regras separatistas.
 Ainda que esteja entre matérias consideradas mais populares, criando um cenário sensível para os parlamentares contrários, durante o debate ampliado na Câmara, foram levantadas críticas ao projeto. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) chegou a classificar a reserva de vagas de preconceituosa. Na mesma linha, 35  deputados votaram contra a aprovação do texto. Houve seis abstenções.
O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), disse que as manifestações contrárias não foram suficientes para configurar uma polêmica. Mendonça Filho acredita em uma tramitação mais tranquila no Senado. “Não sei se os senadores terão mais tempo para analisar o projeto, mas não acho que haverá polêmicas no Senado. Aqui, o DEM foi favorável e acho que [no Senado] a política será aprovada sem problemas”, acrescentou.
O projeto de lei ainda não foi enviado ao Senado, mas deve ser protocolado nos próximos dias para que os senadores comecem a analisar a matéria em comissões mistas e concluir a votação em plenário.

Fonte: Agência Brasil

Atuação da polícia brasileira em protestos é tema de audiência


 Brasília - Protestos contra a má qualidade do transporte público do Entorno do DF. Manifestantes e polícia entram em confronto na DF-290, perto de Céu Azul em Valparaíso 2 (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Brasília - Estado brasileiro deverá responder a questionamentos sobre 200 casos de violência policial Antonio Cruz/Arquivo Agência Brasil
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos promove hoje (28) audiência pública sobre a atuação do Estado nas manifestações de rua ocorridas em junho do ano passado. Na reunião, em Washington, nos Estados Unidos, o Estado brasileiro deverá responder a questionamentos sobre 200 casos de violência policial, criminalização dos manifestantes, leis de exceção e repressão a jornalistas e a advogados, de acordo com a Conectas, uma das organizações não governamentais (ONG) que solicitou a reunião.
Deverá ser abordada ainda a possível aprovação de uma série de leis endurecendo a repressão às manifestações, sob a alegação de conter a violência. Nos estados de Pernambuco e do Rio de Janeiro, por exemplo, foram editadas legislações proibindo o uso de máscaras durante os protestos.
Documento divulgado pela Conectas diz que, desde junho de 2013, foram contabilizadas em torno de nove mortes e mais de 1.700 detenções no contexto das manifestações". O documento lembra que pelo menos duas pessoas ficaram cegas durante os protestos, incluindo um repórter fotográfico.
Para a organização, a atuação policial tem dificultado o exercício da liberdade de expressão em todo o país. A ONG destaca que “entre os principais artifícios utilizados pelo Estado para criminalizar as iniciativas populares e buscar suprimir o exercício da livre expressão por meio da repressão violenta, destacam-se: condução ou detenção para averiguação; detenção por desacato; quebra de sigilo e espionagem pelas redes sociais; utilização de aparatos repressivos e armamentos contra os manifestantes, apoiadores e jornalistas; sigilo da investigação policial; falta de acesso à informação e flagrantes forjados”.
Um desses casos foi o do estudante Isaac Galvão, 15 anos, detido sob a alegação de portar explosivos. O caso ficou famoso devido à existência de vídeo que mostra um policial colocando o suposto explosivo aos pés de Isaac momentos antes da detenção.
As organizações também vão questionar as prisões para averiguação ocorridas durante os protestos. Esse tipo de prisão foi abolido pelo Código Penal Brasileiro. Elas também vão chamar a atenção para os jornalistas que foram vítimas da atuação policial. Documento divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em outubro do ano passado, registrou 102 casos de agressão contra jornalistas, sendo que 77 partiram de policiais militares e agentes da Força Nacional.
Em diversas cidades do país, a ação da polícia foi alvo de protestos, a exemplo de Brasília, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Na capital federal, manifestantes reclamaram da atuação policial na semana de comemorações do 7 de Setembro.
No Rio, durante a greve dos professores, também foram recebidas denúncias de violência policial. Em São Paulo, movimentos sociais protestaram contra a violência da repressão policial a uma manifestação contra os gastos públicos na organização da Copa do Mundo.
Além da Conectas, também pediram a audiência as seguintes entidades: Justiça Global, Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, Instituto de Defensores de Direitos Humanos, Serviço de Assessoria Jurídica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Artigo 19, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, United Rede Internacional de Direitos Humanos e Quilombo Xis – Ação Comunitária Cultural.

Fonte: Agência Brasil

Justiça determina a prisão de mais dois envolvidos na morte de Claudia Ferreira

A Justiça do Rio determinou hoje (27)  a prisão de mais dois policiais militares envolvidos na morte da auxiliar de serviços gerais, Claudia Silva Ferreira, 38 anos, ocorrida no dia 16 deste mês, durante operação policial do 9° Batalhão da Polícia Militar (PM), no Morro da Congonha, em Madureira, zona norte da capital fluminense.
O primeiro-tenente Rodrigo Medeiros Boaventura, que comandava a operação, e o segundo-sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, tiveram prisão temporária, por 30 dias, decretada pelo juiz da 3ª. Vara Criminal da capital, Murilo Kieling. O juiz também revogou a prisão preventiva de Ronald Felipe dos Santos, 18 anos, decretando a prisão temporária, também por 30 dias. Ronald, que foi preso durante a operação, testemunhou o disparo que atingiu a auxiliar de serviços gerais, e admitiu que já teve ligação com o tráfico de drogas e de ter tentado matar PMs que participaram de uma operação no morro.
Já os PMs que estavam na viatura em que Claudia Ferreira foi arrastada continuam em liberdade. Entretanto, o juiz aplicou medidas em substituição à prisão cautelar dos três. Rodney Miguel Archanjo, Adir Serrano Machado e Alex Sandro da Silva Alves estão proibidos de realizar atividades voltadas ao trabalho externo de segurança pública em vias públicas; de se aproximar a menos de 300 metros da comunidade da Congonha; e de ter contato com qualquer testemunha do inquérito, inclusive por meio telefônico ou eletrônico.
O juiz destacou, também, em sua decisão, informações do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro questionando melhor apuração dos fatos, principalmente em relação à forma adotada "para a imediata retirada da vítima do local, ao que tudo indica já sem vida, e a forma como Cláudia Silva Ferreira foi conduzida ao hospital objetivando o atendimento médico-hospitalar".
Murilo Kieling disse, ainda, que o asssasinato de Cláudia Silva Ferreira,  uma mulher humilde e moradora da comunidade, deve ser tratado como relevantissímo fato social, exigindo o total esclarecimento de todos os fatos que rodeiam o caso: "Abatida por arma de fogo típica de guerra, imediatamente removida do local e conduzida como um animal na caçamba de um carro [da polícia], com o absoluto desprezo de sua elementar dignidade, a ponto de ter o corpo arrastado pelas ruas da cidade".
O Ministério Público aceitou o pedido de liberdade, feito pela defesa dos três militares que conduziram a vítima, no  dia 19 deste mês. De acordo com o promotor Paulo Roberto Mello Cunha, da Auditoria da Justiça Militar Estadual, em seu parecer à época, "ainda não há elementos suficientes para fazer uma denúncia que mantenha os acusados na prisão".

Fonte: Agência Brasil.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Ibope: Garotinho lidera com Crivella, mas tem rejeição de 60%

O Portal R7 publicou pesquisa do Ibope que mostra um empate técnico entre o deputado federal Anthony Garotinho (PR) e o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB). Enquanto o parlamentar aparece com 19%, o bispo da Universal tem 18%. Logo atrás está o senador Lindbergh Farias (PT), com 13%, seguido pelo vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), com 6%. Em quarto lugar está Alfredo Sirkis (PSB), com 2%. Votos brancos e nulos somam 35% e indecisos, 8%. O Ibope ouviu 1.008 eleitores entre os dias 7 a 10 de março. No quesito rejeição, Garotinho fica em segundo lugar, com 60%. O mais rejeitado é o vereador carioca Cesar Maia (DEM), que tem 69% de rejeição.

Vitória de Crivella no 2º turno — Nos cenários de segundo turno analisados, Crivella estaria à frente de Garotinho com 28% a 24% das intenções de voto. Contra Lindberg, Crivella venceria por 31% a 20%. Contra Pezão, Crivella teria vantagem de 36% a 13%.

Rejeição — O Ibope também perguntou em quem os eleitores não votariam de jeito nenhum. Os três mais rejeitados foram César Maia (DEM), com 69%, Garotinho, com 60%, e Pezão, com 59%.
O levantamento foi encomendado pelo Sindicato Nacional dos Condutores da Marinha Mercante e Afins e foi registrado no TRE-RJ sob o número 00002/2014.

Garotinho reclamou — Antes mesmo da divulgação da pesquisa o deputado Anthony Garotinho reclamou.  “O presidente do IBOPE sabe que todas as vezes que meu nome é colocado em pesquisas como ‘Anthony Garotinho’ e não apenas como sou conhecido ‘Garotinho’ meu resultado fica uns seis a sete pontos abaixo. Isso já foi constatado pelo Instituto Datafolha, que atendendo a um pedido nosso passou a colocar nos formulários apenas ‘Garotinho’, e aí meu nome – da maneira como sou conhecido – passou a liderar todas as pesquisas”, disse.

Fonte: Folha da Manhã

Pesquisa diz que 40% das mulheres jovens não costumam usar camisinha


preservativo
Quase metade das mulheres não usa camisinhaArquivo/Agência Brasil
Quase 40% das mulheres entre 14 e 25 anos de idade não usam ou quase nunca usam camisinha em suas relações sexuais. Entre os homens de mesma idade, um em cada três declarou não usar o contraceptivo ou usá-lo pouco. Os números foram divulgados hoje (26) no 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, elaborado pela Universidade Federal de São Paulo, que analisou o comportamento de 1.742 pessoas com idade entre 14 e 25 anos.
O levantamento apontou que quase um terço das mulheres com idade entre 14 e 20 anos engravidou pelo menos uma vez. O índice de aborto neste grupo etário, seja ele provocado ou natural, alcançou 12%, ou seja, uma em cada dez mulheres entre 14 e 20 anos abortou.
Entre os homens menores de 20 anos, cerca de 2% declararam ser pai. “Temos aí um problema de saúde pública que não está sendo discutido”, disse Clarice Madruga, uma das coordenadoras do levantamento, em entrevista à TV Brasil.
Segundo ela, a pesquisa demonstra que a juventude assume muitos comportamentos de risco. “Sabemos que a juventude é um período de maior vulnerabilidade e o cérebro não está completamente formado, então, as pessoas se expõem mais e têm menos controle de impulso”, disse ela.

Fonte: Agência Brasil

Petrobras: ex-diretor tinha cargo acima do conselho da estatal

Em entrevista exclusiva, presidente da Petrobras conta que comitê reunia grupo de proprietários da refinaria nos EUA
Em entrevista exclusiva, presidente da Petrobras conta que comitê reunia grupo de proprietários da refinaria nos EUA

Aparentando calma, mas, ao mesmo tempo, indignada, a presidente da Petrobras, Graça Foster conversou com ‘O Globo’ na sede da estatal, no Centro do Rio. Em meio ao furacão de denúncias envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e da prisão do ex-diretor Paulo Roberto Costa, a executiva revelou que abriu comissão para apurar a operação no Texas.

Qual foi sua reação quando a presidente Dilma disse que a compra da refinaria de Pasadena, em 2006, foi baseada em relatório com falhas?
Eu entendi que a presidenta e o conselho sentiram falta de mais informações. Esse é o ponto. O resumo executivo, que é um resumo para o executivo, ao ser elaborado, a gente deve colocar todos os pontos que são pontos de atenção do processo. E foi sentido falta de mais informações. Não fiquei chateada e não fiquei surpresa. Compreendo que, muitas vezes, a gente demanda mais informações. Foi dessa forma que compreendi a questão. No resumo executivo, não consta a cláusula Marlim, que trata da rentabilidade, e não consta o put option, que trata da saída da outra parte da companhia. Esses resumos executivos ficam anexados à ata. São documentos confidenciais.

E isso seria normal?
Aí, depende do diretor que está elaborando o resumo e de quão relevante é. A cláusula Marlim é relevante, mas não teve a revamp (modernização) da refinaria. E, por isso, não teve efeito. A put option é absolutamente comum, mas distinta para cada ativo. Ela não é igual. É específica. E isso não fez parte do resumo executivo.


Como é feito hoje?
Da mesma forma que antes. É impossível para a presidente da companhia, ao receber o resumo executivo que se prepara para encaminhar ao CA (conselho de administração), conseguir antever todos os elementos a estarem no resumo executivo. Cabe ao diretor da área tomar posição e colocar ali quais são os pontos relevantes para que o conselho possa se posicionar com conforto e que traga segurança para todos.

O que decidiu sobre Pasadena?
A Polícia Federal investiga indícios de que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa recebeu propina de doleiro para favorecer empresas em contratos para construção da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo a investigação, os pagamentos foram feitos entre julho de 2011 e julho de 2012
A Polícia Federal investiga indícios de que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa recebeu propina de doleiro para favorecer empresas em contratos para construção da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo a investigação, os pagamentos foram feitos entre julho de 2011 e julho de 2012

Segunda-feira (24), tomamos a decisão de abrir uma comissão de apuração interna na Petrobras sobre Pasadena. Fui eu que abri. Isso é extremamente importante para esse caso. Temos até 45 dias para poder nos manifestar em uma série de processos que já estávamos em avaliação de forma administrativa. Eu já vinha tratando disso, pois sou a diretora da área internacional e fiz várias mudanças na busca de melhorias. Essa comissão não foi aberta para saber se a cláusula devia ou não estar no resumo executivo. Entendo que a demanda do conselho de administração é correta e justa e precisa ter informações. Não é preciso fazer uma comissão de 45 dias para se chegar a conclusão sobre a importância de tê-las no resumo executivo. É muito importante que se saiba que a Petrobras tem comando. A Petrobras é uma empresa de 85 mil funcionários e tem uma presidente. Sou eu. Eu respondo pela Petrobras. Temos uma diretoria colegiada que trabalha pela busca da melhoria. E o que precisa ser investigado é investigado nessa empresa. Esse é o ponto fundamental. Aqui, tem normas, procedimentos e ela investiga.

Qual foi a gota d’água para essa decisão?
Foi um somatório de fatos. As últimas discussões sobre a relação eventual do diretor Paulo Roberto (Costa, ex-diretor) com Pasadena. Eu descobri ontem (segunda-feira), não sabia que existia um Comitê de proprietários de Pasadena no qual o Paulo Roberto era representante da Petrobras. Esse comitê era acima do board (conselho de administração). Depois que entramos em processo arbitral esse comitê deixou de existir.

Qual era a função desse comitê de proprietários?
Não sei ainda e esse é um ponto que a comissão está procurando, quais eram os estatutos, quais eram as atribuições, qual era o poder e onde estão as datas. Eu não sei nada.

Como a senhora reagiu à descoberta da existência desse Comitê de proprietários? Isso leva a 
alguma suspeita de irregularidade?
Fui surpreendida com essa informação. Eu tenho sim que buscar a informação. Nada quer dizer que possa ter havido qualquer ato falho, negativo, prejudicial à companhia. Pelo fato de ter havido esse comitê e o Paulo (Roberto Costa) estar nesse comitê não significa que esse comitê não tenha executado as melhores práticas.


Todas as informações da companhia são registradas?
Os processos da companhia são escritos e temos vindo num processo de melhoria sistemática. Eu tenho na Área Internacional, junto à área de Novos Negócios, um procedimento de rastreabilidade de documentação. São as lições aprendidas, é preciso tropeçar para poder cuidar. Na grande maioria, na totalidade da companhia.

Mas as cláusulas precisavam estar no resumo executivo?
Uma coisa importante é a segurança que o diretor e o presidente passa em relação àquelas pautas. No caso de Pasadena, houve outras questões a posteriori. Então, quando você volta e procura a documentação do resumo e não esta ali, isso causa o desconforto. Eu não estava nessa reunião de diretoria. A forma que nós passamos para o Conselho dá respaldo. É impossível detalhar no resumo dezenas de pontos. Às vezes centenas de observações ficariam algo não operacional.

O caso Pasadena já vinha sendo analisado de forma administrativa. O que mudou agora?
Quando assumi a diretoria internacional de fato, passei a tratar os procedimentos internos. Trouxemos o máximo de discussão para minha mesa e dos gerentes executivos. Mudamos gerências, buscamos informações em relação a Pasadena e trabalhamos o desinvestimento. Com os fatos recentes apresentados na imprensa, eu não posso conduzir mais administrativamente como diretora e com os gerentes executivos a questão. Foi preciso, à luz dos fatos recentes, que buscássemos a comissão para que apurasse internamente todos os pontos, documentais inclusive.

Em 2008, o conselho não recomendou comprar os 50% restantes e o caso foi para arbitragem…
O conselho remeteu o assunto para a diretoria executiva, que tomou a decisão de não aprovar e entrar na arbitragem. E entendo que foi uma decisão correta entrar na arbitragem. Eu tinha entrado na diretoria em setembro e essa decisão foi em outubro de 2008. Foi na sequência.

Mas Pasadena foi um erro?
Eu preciso da comissão de avaliação. Quando você faz uma fotografia da relação que se buscou com a Astra de parceria numa refinaria no Golfo e o que tenho de informação antes de fechar a comissão, espero poder continuar afirmando que foi um negócio potencialmente adequado para a companhia. Não tenho bola de cristal para saber como será a economia. Cláusulas contratuais precisam ser avaliadas sim e explicitadas em algum nível ao conselho. Quando se trata da aquisição de 50%, pois foi uma parceria entre Petrobras e Astra, com valores da época e projeções da margem da época, foi um negócio que se mostrava potencialmente atraente. Com a mudança da economia e das aplicações das fórmulas de put option, da negociação, dos valores que se apresentaram e com a queda absurda de margem, não seria um projeto que a gente repetiria.

Como viu a prisão de Paulo Roberto Costa, investigado por envolvimento com lavagem de dinheiro. E as suspeitas de superfaturamento em Abreu e Lima?
Tudo é surpreendente. E nos deixa muito reativos no sentido de que somos uma empresa de 85 mil empregados. De uma empresa que tem uma dedicação inquestionável às causas da companhia. E estamos em pé e trabalhando dedicadamente independentemente de questões que nos entristecem e que nos deixam tão apreensivos. Num caso desse que entendo que vai ser julgado, e não sei qual é a situação do ex-diretor, um caso desse não representa a Petrobras, definitivamente. Então, a gente espera como vai ser o desdobramento. O ex-diretor, quando julgado, não representa a Petrobras. Com certeza, me surpreendi. E tenho dito à companhia que estamos em pé trabalhando fortemente num ano de prosperidade da Petrobras, pois o ano de 2014 é o ano de prosperidade. Trabalhamos tanto para o aumento de produção, para que a Rnest (Refinaria Abreu e Lima) tenha os custos controlados. Há dois anos que a gente segura a Rnest para controlar os custos. No Comperj, fizemos dezenas de simplificações para que coloque o Comperj em pé. É algo que emociona.

Terá auditoria em Abreu e Lima?
Não fizemos auditoria na Rnest. Do que acompanhamos, temos respondido aos órgãos de controle. E não há materialidade hoje que justifique auditoria na Rnest. Há uma semana vínhamos conduzindo Pasadena administrativamente. E decidimos ontem criar uma comissão. Tenho que ter absoluta segurança no que falo. E, quando eu não tenho a segurança do que estou falando, eu não posso mais usar os processos que vinha usando.

Essas questões afetam o corpo técnico da companhia?
Há que se respeitar o corpo técnico da Petrobras. Tem que apurar tudo que é pratica que ocasiona questionamentos. É uma empresa que busca a verdade. E é isso que vemos nessa discussão toda nesse momento. E estamos disciplinadamente respondendo a todos e a tudo. Estamos falando de processos que estão sendo investigados. Quando a gente vê a presidenta Dilma e essa questão em relação a Pasadena, é um processo em que se fez o questionamento de uma documentação. Mas quantos processos adequados a companhia tem? Milhares de processos. Por isso há que se respeitar a Petrobras, há que se reconhecer a força da corporação e a sua organização.

Até o momento nada indica irregularidades em Pasadena?
Nada. Mas eu não posso não saber de alguma coisa nesse momento em relação a Pasadena. Eu não aceito, e daí vem minha indignação.

A senhora está indignada por descobrir desconhecer várias coisas no caso de Pasadena?
Eu sou a presidente da companhia em cima de um caso que é delicado. Não aceito descobrir que estou falando um número e o número correto é outro (valor pago nos 50% iniciais), e nem aceito tratar um assunto em que me venha um comitê, um board de representantes das partes (Petrobras e Astra) que eu não saiba. E eu não aceito isso de jeito nenhum. E não fica pedra sobre pedra, não fica. Mas não fica, não fica. Pode ficar incomodado.

A senhora acha que tantas denúncias têm algum fundo político?
Eu me abstenho disso. Não tenho elementos para dialogar sobre esse assunto. Leio sobre isso, mas eu não posso entrar num mundo que não é meu.

O momento é delicado?
Reconheço que é um momento delicado politicamente. Mas a Petrobras tem que se abstrair disso, ela precisa continuar sua luta diária para produzir mais óleo, mais derivados, para motivar a equipe, para viver no mundo real, para não falar o que não vai fazer.

Fonte: O Globo