Um blog feito para deixar as pessoas bem informadas!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Ministério Público investigará protesto que interditou a Ponte Rio-Niterói
Pedido foi feito pela Polícia Rodoviária Federal, que alega riscos à população com o fechamento da via
O Dia
Rio - O Ministério Público Federal determinou a
instauração de Inquérito Civil Público para apurar danos à coletividade
na manifestação de trabalhadores terceirizados do Complexo Petroquímico
(Comperj), que fecharam nesta terça-feira, por mais de três horas, a
Ponte Rio-Niterói, principal eixo viário da Região Metropolitana, por
onde passam diariamente 150 mil veículos. A investigação foi pedida pela
Polícia Rodoviária Federal, que alega que o protesto colocou em risco a
segurança da via, dos motoristas e dos próprios manifestantes
A PRF entregou aos procuradores relatório com
informações sobre os envolvidos e com a identificação dos ônibus que
levaram o grupo até o meio da Ponte. Segundo o MPF, o fechamento da via
deve ter autorização prévia da Polícia Rodoviária e é totalmente lesivo.
O protesto de cerca de 200 empregados da prestadora de serviços
Alumini, que pediam o pagamento de salários atrasados, começou às 11h30 e
se tornou um martírio para centenas de milhares de fluminenses.
Protesto de funcionários do Comperj fechou a Ponte Rio-Niterói
Foto: Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
Os manifestantes iriam para a
Petrobras de ônibus, mas no meio do caminho decidiram ir a pé. Por
medida de segurança, agentes da PRF fecharam a pista sentido Niterói às
12h40. A interdição na Ponte durou 3h14 e o impacto no trânsito atingiu
Rio, Niterói e São Gonçalo.
O engarrafamento chegou a 10
quilômetros na Niterói-Manilha (BR-101). “Manifestar é válido, mas não
pode parar uma via inteira”, reclamou o vigilante Cristóvão Saboia, 49
anos, parado na Zona Portuária do Rio. O advogado Fabrício Pereira
Figueiredo, 31 anos, levou 50 minutos para cruzar a via. “Normalmente
faço em 20”, disse.
Até ambulâncias foram impedidas de
passar. Passageiros que estavam nos ônibus retornavam a pé para Niterói.
Na cidade, o Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro, ficou sem
ônibus, que não conseguiam chegar ao ponto. No Rio, a Avenida Brasil,
Via Binário, Linhas Amarela e Vermelha também enfrentaram lentidão.
Manifestantes seguiram em direção ao prédio da Petrobras, no
Centro do Rio
Foto: Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
A dois quilômetros para o final da
Ponte, os agentes da PRF conseguiram negociar com os manifestantes para
que ocupassem apenas duas pistas. O trânsito só foi totalmente liberado
às 14h44, segundo a CCR Barcas. Não houve confrontos.
Como a Ponte é uma via federal, o
secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, disse que a
Polícia Militar ficou de prontidão, mas que só atuaria se a PRF
solicitasse, o que não aconteceu. “Não é permitido interditar vias
públicas, porém é livre a manifestação. Mas não faz sentido fechar uma
artéria dessa importância”, disse Osório, que pediu reforço na frota das
barcas, trens e metrô.
De acordo com o jurista Luiz Flávio Gomes,
protestar na via não é crime, mas os manifestantes deveriam ter avisado
às autoridades para que houvesse segurança e sinalização. “Os
organizadores podem, sim, ser responsabilizados por terem causado danos a
terceiros”, orienta o advogado. Sindicato nega apoio ao fechamento
O diretor de operações do Sindicato dos
Trabalhadores de Empresas de Montagem e Manutenção da Cidade de Itaboraí
(Sintramon), Rogério Assunção, condenou a forma do protesto dos
trabalhadores da empresa Alumini.
“Tínhamos feito uma assembleia mais cedo e o
combinado era seguir para protestar na sede da Petrobras. No entanto, o
pessoal do Sindipetro-RJ (Sindicato dos Petroleiros do Rio) incentivou
eles a descerem na Ponte. Não concordamos com esta atitude”, reclamou.
Funcionários do Complexo Petroquímico fazem protesto em
frente à sede da Petrobras, no Centro do Rio
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Brayer Lira, diretor da
Sindipetro-RJ, nega a acusação. “Foi uma decisão dos trabalhadores.
Nosso apoio é, além de solidariedade de classe, para que não aconteça
desemprego e atraso de salários”, afirmou Lira. O Sindipetro forneceu
água durante a caminhada na Ponte e quentinhas para o almoço dos
manifestantes.
A chegada do protesto à sede da Petrobras, na
Avenida Chile, foi tensa. Por volta das 15h30, policiais atiraram uma
bomba de efeito moral quando um manifestante tentou entrar no edifício.
Em seguida, um jornalista do Sintramon foi cercado e expulso do local
pelos manifestantes.
Alguns ameaçaram novas interdições durante
Carnaval, citando a Avenida Brasil e o Sambódromo como alvos. Por volta
das 19h, os manifestantes resolveram encerrar o protesto e saíram em
ônibus fretados.
Nenhum comentário:
Postar um comentário