sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Morre aos 95 anos Nelson Mandela, ícone antiapartheid da África do Sul

Primeiro presidente negro sul-africano era símbolo da resistência contra o regime de segregação racial. Mandela morreu em decorrência de uma infecção pulmonar

O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela morreu nesta quinta-feira (5), aos 95 anos, em sua casa, em Johanesburgo, anunciou o presidente do país Jacob Zuma. "A nação perdeu seu maior filho", disse em pronunciamento. O admirado líder sul-africano que se tornou símbolo da resistência negra e da luta contra o apartheid (regime de segregação racial) havia sido internado no dia 8 de junho em um hospital de Pretória para tratar uma recorrente infecção no pulmão, mas continuou o tratamento em casa a partir de setembro.

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“Madiba”, apelido pelo qual é conhecido na África do Sul, era particularmente vulnerável a problemas respiratórios desde que contraiu tuberculose durante os 27 anos em que ficou preso sob o apartheid. Em 2001, ele se recuperou de um câncer de próstata.
Em meses recentes, o ícone da luta antiapartheid foi internado várias vezes, tendo recebido a última alta médica em 6 de abril, depois que os médicos drenaram fluidos de sua região pulmonar após diagnosticarem pneumonia.

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Afastado da vida pública desde 2004, sua última aparição pública ocorreu em julho de 2010, durante a final da Copa do Mundo em Johanesburgo. Em julho de 2011, ele se mudou para uma casa em Qunu, lugar onde passou sua juventude, acompanhado de uma equipe médica.

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Mesmo longe da política e apesar da aparência cada vez mais frágil, Mandela continuou sendo uma figura importante para os sul-africanos, muitos dos quais consideravam o carismático líder uma representação do chefe de Estado ideal.
Filho do chefe de uma tribo conhecida como thembu, Nelson Rolihlahla Mandela nasceu em 19 de julho de 1918, no território de Transkei, em Cabo Oriental. Estudou em escolas metodistas e em 1942 formou-se advogado pela Universidade da África do Sul.
Dois anos depois, ao lado dos amigos Oliver Tambo e Walter Sisulo, fundou a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), partido criado em 1912 para lutar pelos direitos políticos dos negros na África do Sul.
Em 1948, o Partido Nacional, rival do CNA, chegou ao poder e colocou em vigor o regime de separação racial conhecido como apartheid. Quatro anos mais tarde, Mandela tornou-se vice-presidente do CNA defendendo a resistência pacífica ao apartheid.
Mas depois que um grupo de manifestantes foi massacrado em Sharpeville, em 1960, ele dirigiu uma campanha de desafio ao governo sul-africano e suas políticas. Um ano depois, Mandela foi um dos fundadores do braço armado do CNA.
A campanha contra o governo foi executada por meio de ampla desobediência civil e sabotagem à economia do país. Como resultado, o CNA foi banido e Mandela foi preso. Em 1964, foi sentenciado à prisão perpétua por sabotagem.

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Durante o julgamento, uma declaração de Mandela entrou para a história como seu testemunho político: “Estimo o ideal de uma sociedade livre e democrática, na qual todas as pessoas convivam em harmonia e com oportunidades iguais. Esse é um ideal ao qual pretendo dedicar minha vida e que pretendo alcançar. No entanto, se for preciso, esse é um ideal pelo qual estou disposto a morrer.”

Vida pessoal tumultuada
A dedicação à causa representou obstáculos para a vida pessoal de Mandela. “Quando sua vida é uma batalha, como a minha foi, resta pouco espaço para a família”, escreveu, em autobiografia publicada em 1995. “Esse sempre foi o meu maior arrependimento.”
A primeira das três mulheres de Mandela, Evelyn Ntoko Mase, deu um ultimato ao marido em 1955: escolher ela ou o partido. O líder escolheu a política e, no mesmo ano, o casal encerrou um relacionamento de mais de uma década.
"Não podia desistir da luta, e ela queria que minha devoção fosse apenas a ela e à família", escreveu Mandela na obra "Longo Caminho para a Liberdade". "Nunca deixei de admirá-la, mas não conseguimos fazer nosso casamento dar certo."

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No mesmo livro, o ex-presidente assume ter sido um pai "distante". Foi Evelyn quem criou os quatro filhos, dos quais apenas Makaziwe, nascida em 1953, está viva. Seu nome é em homenagem a uma irmã que morreu aos nove meses, em 1947. Mandela e Evelyn também perderam os filhos Madiba Thenberkile, que morreu em um acidente de carro em 1969, aos 25 anos, e Makgatho, que morreu de aids em 2005, aos 55 anos. Evelyn morreu em 2004, aos 82 anos.

Da prisão à presidência
Mandela se casou pela segunda vez em 1958, com Winifred Nomzamo Zanyiwe Madikizela. Winnie, como ficou conhecida, é ativista pelos direitos dos negros e também membro do CNA, tendo ocupado diferentes cargos no partido.
O casal teve duas filhas: Zenani, nascida no mesmo ano do casamento, e Zindziswa (Zindzi), que tinha apenas 18 meses quando seu pai foi preso, em 5 de agosto de 1962.
Foram 27 anos encarcerado na ilha Robben, na Cidade do Cabo, durante os quais, segundo Mandela, “Winnie foi um indispensável pilar de apoio e conforto". Foi de mãos dadas com a mulher que o líder deixou a prisão, em 11 de fevereiro de 1990.
A libertação foi concedida pelo presidente Frederick Willem de Klerk, que legalizou o CNA e com quem Mandela negociou a transição da África do Sul para a democracia.

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Durante esse período, o líder enfrentou problemas em seu casamento, pois a postura de Winnie em relação à minoria branca que dominou o país durante o apartheid era menos conciliatória que a do marido. Além disso, ela foi acusada de infidelidade e de ter encomendado sequestros e assassinatos durante a luta contra o apartheid.
O anúncio da separação foi feito em 1992, apenas dois anos depois de o líder ter voltado à liberdade. Mandela alegou "motivos pessoais" e o crescimento das divergências entre os dois em "inúmeras questões".
Em 1993, Mandela e o presidente De Klerk receberam o prêmio Nobel da Paz pelas negociações multipardiárias. No mesmo ano a África do Sul realizou as primeiras eleições abertas a todos os cidadãos, que elegeram Mandela como o primeiro presidente negro do país.
Como chefe de Estado, ele usou seu carisma e prestígio para evitar um confronto aberto entre negros e brancos, criando a Comissão de Verdade e Reconciliação, órgão encarregado de investigar os crimes cometidos pelos dois lados durante a luta travada em torno do apartheid.
Lá, a verdade foi obtida através de uma solução simples: os agentes públicos que participaram das violações aos direitos humanos só escapariam dos tribunais se aceitassem contar a verdade, sem omitir nem deturpar os fatos. A comissão esclareceu os episódios relevantes do período do arbítrio, cicatrizou feridas e o país seguiu em frente.
Mandela não buscou a reeleição e deixou o poder em 1999, quando Thabo Mbeki foi eleito seu sucessor. Ao se afastar da vida pública, em junho de 2004, pouco antes de seu 86º aniversário, disse a seus compatriotas: “Não me chamem. Eu chamarei vocês.”

Graça Machel
Desde então, Mandela levava uma vida tranquila em Johanesburgo ao lado da terceira mulher, a moçambicana Graça Machel, 65 anos. Ex-ministra de Educação e Cultura de seu país, ela é uma respeitada ativista pelos direitos de mulheres e crianças.
Graça também é viúva de Samora Machel, ex-presidente de Moçambique, morto em um acidente de avião em 1986.
Mandela e Graça assumiram o relacionamento em 1996 e se casaram dois anos depois, no dia em que o sul-africano completou 80 anos. Desde então, a moçambicana passou a acompanhar o líder em suas viagens humanitárias e se tornou sua grande companheira.
Em uma entrevista ao jornal "The Washington Post", Machel disse que era "muito fácil" amar Mandela. "A parte mais maravilhosa da nossa história é o fato de termos passado por experiências dolorosas, para então nos conhecermos", afirmou.
Em novembro de 2010, Graça recebeu uma homenagem da Universidade de São Paulo (USP), em nome do marido. O líder, que já não fazia viagens internacionais, foi reconhecido com o título de Doutor Honoris Causa, maior homenagem concedida a alguém que não fez carreira na USP.
Em seu discurso de agradecimento, Graça disse “thank you very much” imitando a voz grossa do marido. Depois da brincadeira, afirmou estar emocionada e garantiu que Mandela receberia o título com “grande honra” por causa da participação das universidades na formação dos jovens.
“A lei da natureza implica que ele poderá não apenas se retirar da vida pública, mas também deixar este mundo”, afirmou, em seu discurso. “Seu maior desejo é sentir que as instituições e a juventude, em particular do Hemisfério Sul, continuarão as lutas justas e criarão um mundo de igualdade para todos.”

Fonte: IG.

Blasfêmia: jovem usa a Bíblia para justificar leilão da virgindade

Imagem: DivulgaçãoCatarina Migliorini, 21 anos, que ficou famosa após colocar a venda sua primeira experiência sexual em um leilão voltou a ganhar repercussão ao usar a Bíblia para justificar a decisão de colocar novamente a venda sua virgindade.
Após receber oferta de 1,5 milhão durante o documentário “Virgins Wanted”. Catarina voltou a polemizar ao decidir fazer um novo leilão, pois o primeiro não deu certo. Devido às críticas que recebeu por criar um site e leiloar novamente sua virgindade a jovem citou a Bíblia para justificar a decisão.
“Há uma passagem na Bíblia que diz que a ‘virgindade vale mais do que o rubi’ e o que eu achei interessante é que ambos são vermelhos. Ou seja: a pedra por si só e o sangue que escorre de uma virgem. Bem, cada mulher sabe o valor do seu rubi, né?”, disse.
Apesar de crescer os movimentos que pregam sobre a importância da virgindade até o casamento, como o movimento “Eu Escolhi Esperar”, Catarina defende que sua primeira experiência sexual pode sim ser vendida.
Para o teólogo Michael Caceres o texto não se refere à virgindade, como tenta argumentar a jovem, mas as virtudes da mulher. “O texto em Provérbios 31.10 se refere às virtudes da mulher, não a sexualidade. Uma mulher não é virtuosa por colocar sua primeira experiência sexual a venda”, disse Michael.
Caceres lembra que um texto bíblico não pode ser tirado fora do contexto para justificar uma ação. Ele também explica que o uso de citações bíblicas em casos como este só servem para tentar moralizar uma atitude sem valor moral.
“Existe uma moda no Brasil de tentar justificar atitudes erradas com argumentos religiosos. A Bíblia é muito clara. Não existe moral em vender sua primeira experiência sexual. Em Provérbios o autor está falando de virtudes morais, de comportamento, não de sexualidade”, explica.
O teólogo defende que a mulher, como também o homem, devem se guardar para ter sua primeira relação sexual após o casamento, pois, segundo explica, o ato sexual sela um vínculo entre homem e mulher.

Fonte: Gospel Prime

Excesso de peso sem risco a saúde é mito, afirma pesquisa

Imagem: DivulgaçãoO excesso de peso é sempre prejudicial à saúde, mesmo quando não há distúrbios metabólicos associados, como diabetes, pressão alta e colesterol alterado. Essa é a conclusão de uma extensa revisão de estudos realizada por pesquisadores canadenses e divulgada nesta terça-feira (3) pela publicação científica americana Annals of Internal Medicine.
Alguns estudos anteriores, publicados nos últimos anos, chegaram a sugerir que pessoas obesas fisicamente ativas poderiam ser tão saudáveis quanto indivíduos magros. Segundo os autores da nova pesquisa, porém, a expressão “obesidade saudável” não passa de mito.
Os autores avaliaram trabalhos publicados entre 1950 e 2013, que tiveram como base os dados de mais de 61 mil pessoas. Cada voluntário foi acompanhado ao longo de dez anos, em média. O resultado mais importante da análise é o que mostra um risco 24% maior de enfarte ou morte no período avaliado para pessoas acima do peso ideal (com obesidade ou sobrepeso) que não tinham problemas metabólicos na comparação com participantes que estavam com o peso saudável e também não tinham os distúrbios.
“A informação sugere que o aumento do peso corporal não é condição benigna, mesmo com a ausência de problemas metabólicos, e é um argumento contra o conceito de obesidade saudável”, declarou no estudo Ravi Retnakaran, professor associado da Universidade de Toronto, no Canadá.

Fonte: Zero Hora

Fotos: inventora cria colete com espinhos para ter espaço no transporte público

A inventora Siew Ming Cheng criou uma espécie de colete, chamado “Spike Away”, para que passageiros possam garantir um espaço tranquilo no transporte público. A “armadura” é coberta de espinhos flexíveis.
Na verdade, os espinhos do colete não causam ferimentos. Eles funcionam mais visualmente como um aviso: “não chegue perto”.
A estudante de design (ela aparece usando a criação na primeira foto abaixo) apresentou o protótipo durante exposição na Universidade Nacional de Cingapura.
Imagens: Divulgação/Siew Ming Cheng
Imagens: Divulgação/Siew Ming ChengFonte: O Globo

Senado multiplica em até 10 vezes valor de multa para quem dirigir bêbado

Imagem: DivulgaçãoA Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou, em turno suplementar, nesta quarta-feira (4), projeto que prevê a ampliação de punições para motoristas que dirigirem embriagados e também para outras infrações graves de trânsito previstas na nova Lei Seca. O texto recebeu decisão terminativa e poderá seguir para a Câmara dos Deputados se não houver recurso para votação pelo Plenário do Senado.
O projeto de lei, do senador Benedito de Lira (PP-AL), multiplica até por 10 o valor de multas fixadas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e estabelece que, em caso de reincidência da mesma infração no período de um ano, essas multas já elevadas deverão ser aplicadas em dobro.
Além de sentir o peso da infração no bolso, o motorista flagrado disputando racha ou participando de competição não autorizada vai amargar, por exemplo, a suspensão do direito de dirigir por um ano. O substitutivo elaborado pelo relator, senador Magno Malta (PR-ES), também determina a suspensão cautelar do direito de dirigir por até dois anos para quem dirigir sem habilitação ou com a carteira cassada. A medida deverá ser definida – em despacho fundamentado – pela autoridade de trânsito encarregada de julgar o processo administrativo de cassação da habilitação.
No substitutivo, Malta amplia de dois para três anos o prazo para o infrator com a habilitação cassada requerer o direito de voltar a dirigir. Mas abre a possibilidade de o motorista punido com a suspensão cautelar da carteira recorrer da decisão. Esse período de suspensão cautelar deverá ser descontado do prazo de cassação da habilitação.

Fonte: O Globo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Homem é preso por guardar vídeos pornôs com crianças em computador

Imagem: DivulgaçãoUm instalador de papel de parede, de 45 anos, foi preso na manhã desta terça-feira (3) no Jardim América, em Goiânia, suspeito de armazenar material pornográfico infantil em seu computador. De acordo com a Polícia Militar (PM), o homem deixou o equipamento para conserto em uma lan house do bairro, onde as imagens foram identificadas.
“Recebemos a denúncia pelo 190 na segunda-feira (2) e seguimos até o local. Lá confirmamos que o computador armazenava mais de 300 vídeos, sendo alguns de sexo explícito envolvendo desde bebês até crianças entre cinco e seis anos”, explicou ao G1 o tenente da PM Célio Moura.
Após a constatação do crime, os policiais montaram uma operação para capturar o suspeito. “Nesta manhã fomos até a casa em que ele mora e, ao ser abordado, o homem confirmou ser o proprietário do equipamento. Questionado sobre as imagens, ele disse que havia baixado da internet por curiosidade”, contou Moura.
Ainda segundo o policial, no momento da prisão, o suspeito estava acompanhado da mulher e de duas filhas, de 9 e 12 anos. “Espantou muito a frieza com que ele falou sobre o caso. Também estranhamos a falta de reação da família, que não esboçou nenhuma intenção de evitar a prisão”, afirmou o tenente.
O suspeito foi levado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Goiânia, onde foi ouvido pela delegada adjunta Simelli Lemos. Segundo ela, o homem confirmou que fez download dos vídeos da internet. “Ele relatou que teve curiosidade sobre o tema e baixou esse material. Porém, disse não teria chegado a arquivar no computador. No entanto, nesses casos, os vídeos acabam salvos em uma pasta e foram encontrados durante o conserto”, explicou.
Segundo a delegada, o computador será periciado para identificar se houve algum outro crime. “Por enquanto está consumado apenas o armazenamento ilegal desses vídeos, que prevê uma pena de 1 a 4 anos de prisão. Mas se for constatada alguma outra irregularidade, como a divulgação desse material, que tem pena ainda maior, iremos indiciá-lo”, explicou.
Simelli disse que, por enquanto, ainda não existem indícios de qualquer crime praticado pelo suspeito em relação às filhas. “Ainda vamos entrar em contato com a mãe das crianças para apurar se houve qualquer delito. Por enquanto vale ressaltar que o único crime constatado é a posse dos vídeos”, explicou.
Após ser ouvido na DPCA, o homem foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar o exame de corpo de delito. Ao voltar à delegacia, ele foi atuado em flagrante pelo artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por armazenar conteúdo pornográfico envolvendo menores. De acordo com a delegada, ele pagou fiança no valor de um salário mínimo (R$ 678) e foi liberado. “Agora ele responderá pelo crime em liberdade”, destacou.

Fonte: G1

Pesquisa afirma: 28 milhões têm algum parente dependente químico

Levantamento feito pela Unifesp mapeou os usuários em reabilitação. 8 milhões de brasileiros são dependentes de maconha, álcool ou cocaína
Levantamento feito pela Unifesp mapeou os usuários em reabilitação; oito milhões de brasileiros são dependentes de maconha, álcool ou cocaína
Ao menos 28 milhões de pessoas no Brasil têm algum familiar que é dependente químico, de acordo com o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad Família), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e divulgado nesta terça-feira (3) na capital paulista.
É a maior pesquisa mundial sobre dependentes químicos, de acordo com Ronaldo Laranjeira, um dos coordenadores do estudo.
Entre 2012 e 2013, foram divulgados dados sobre consumo de maconha, cocaína e seus derivados, além da ingestão de bebidas alcoólicas por brasileiros. A partir desses resultados, os pesquisadores estimam que 5,7% dos brasileiros sejam dependentes de drogas, índice que representa mais de 8 milhões de pessoas.
Desta vez, o estudo tentou mapear quem são os usuários que estão em reabilitação e qual o perfil de suas famílias. A pesquisa também quis saber como elas são impactadas ao ter um ou mais integrantes usuários de drogas.
“Para cada dependente químico existem outras quatro pessoas afetadas”, disse Laranjeira.
A análise foi feita entre junho de 2012 e julho de 2013 com 3.142 famílias de dependentes químicos em tratamento. Foi feito um questionamento com 115 perguntas para famílias que participaram desse levantamento. O estudo foi feito em comunidades terapêuticas, clínicas de reabilitação, grupos de mútua ajuda, como Al-Alanon e a Pastoral da Sobriedade.
As famílias foram ouvidas em 23 capitais de todas as regiões do Brasil. Segundo a organização, até então não existia no país nenhum estudo de âmbito nacional focado nelas.
De acordo com o estudo a maioria dos pacientes em tratamento para dependência química eram homens, com idade entre 12 e 82 anos. Desses, 26% tinham ensino superior incompleto ou completo. A média de idade dos usuários de drogas é de 31,8 anos.

Perfil dos usuários em tratamento
A maioria dos pacientes em tratamento (73%) era poliusuária, ou seja, consumia mais de uma droga. Em 68% dos casos, quem passava por reabilitação era consumidor de maconha, combinada com outras substâncias. O tempo médio de uso das substâncias foi de 13 anos, mas a família percebe apenas 8,8 anos de uso, em média.
A partir da descoberta da família, o tempo médio para a busca de ajuda após o conhecimento do consumo de álcool e/ou drogas foi de três anos, sendo dois anos para usuários de cocaína e/ou crack e 7,3 anos entre os dependentes de álcool Os familiares relataram ter o conhecimento do consumo de drogas pelo paciente por um tempo médio de 9 anos.
Mais de um terço (44%) relatou ter descoberto o uso devido a mudanças no comportamento do paciente.
O Lenad apontou que 58% dos casos de internação foram pagos pelo próprio familiar e o impacto do tratamento afetou 45,4% dos entrevistados. Em 9% dos casos houve cobertura de algum tipo de convênio. O uso de hospitais públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), foi citado por 6,5% das famílias de usuários em reabilitação.
Ainda segundo o estudo, 61,6% das famílias possuem outros familiares usuários de drogas. Desse total, 57,6% têm dependentes dentro do núcleo familiar. No entanto, os entrevistados desconsideram esse fator como de alto risco para uso de substâncias do paciente. Deste total, 46,8% acreditam que as más companhias influenciaram seu familiar ao uso de drogas. Já 26,1% culpam a baixa autoestima como responsável pela procura por entorpecentes.

Cocaína, maconha e álcool
A Unifesp já divulgou outras três pesquisas relacionadas ao consumo de drogas no Brasil, uma relacionada ao consumo de cocaína e derivados, outra sobre maconha, e outra que analisou a ingestão de bebidas alcoólicas.
Em agosto de 2012, o Lenad divulgou que cerca de 1,5 milhão de adolescentes e adultos usam maconha diariamente no Brasil.
Em setembro de 2012, pesquisadores da universidade constataram que o Brasil era o segundo consumidor mundial de cocaína e derivados, atrás apenas dos Estados Unidos. De acordo com o levantamento, mais de 6 milhões de brasileiros já experimentaram cocaína ou derivados ao longo da vida. Desse montante, 2 milhões fumaram crack, óxi ou merla alguma vez.
Em abril deste ano, outro estudo apontou aumento de 20% na quantidade de pessoas que consomem álcool frequentemente. A pesquisa informou que 54% dos entrevistados alegaram consumir bebidas alcoólicas uma vez na semana ou mais – aumento proporcional de 20% em comparação ao Lenad de 2006.
 O crescimento foi maior entre as mulheres: 39% das entrevistadas admitiam beber uma vez por semana ou mais (seis anos atrás este índice era de 29%). Outro dado importante mostrou que 27% dos homens que bebem com menos de 30 anos já se envolveram em brigas com agressão.

Fonte: G1