Pedro Barusco, que trabalhava com Renato Duque, fez acordo de delação premiada
O Dia
Rio - Considerado peça-chave para revelar o
esquema de corrupção e de propina na Petrobras, o ex-gerente-executivo
da Diretoria de Serviços da estatal Pedro Barusco fechou acordo de
delação premiada em que se compromete a devolver cerca de US$ 100
milhões, o equivalente a R$ 260 milhões. A expectativa é que o novo
delator da Lava Jato denuncie o esquema que era controlado pelo
ex-diretor da área Renato Duque, nome indicado pelo PT e que está preso
desde sexta-feira.
O acordo evitou que Barusco fosse o 26º nome da
lista de prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz
as ações da Lava Jato. O valor de restituição, a título de indenização,
caso seja homologado pela Justiça, será o maior já obtido em um acordo
com servidor da Petrobras. O ex-Diretor de Abastecimento Paulo Roberto
Costa e sua família vão pagar cerca de R$ 70 milhões. Barusco terá que
desembolsar R$ 260 milhões, pelo câmbio de ontem. Desse valor, US$ 20
milhões já haviam sido bloqueados na Suíça, onde ele mantinha uma conta.
Presidente
da Petrobras, Graça Foster, afirmou que as investigações contratadas
pela estatal para investigar as denúncias da Lava Jato vã
o custar cerca de R$ 19 milhões à estatal
Foto: Bruno de Lima / Agência O Dia
Barusco foi apontado como braço
direito de Duque na cobrança de propina pelos executivos da Toyo Setal
Julio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que
fecharam acordo de delação com o MPF no dia 22 de outubro. As delações
dos executivos da Toyo foram decisivas para deflagração da nova etapa da
Lava Jato e para abertura de novas frentes de apuração.
O delegado da Polícia Federal Agnaldo Mendonça
Alves afirmou no último final de semana, durante a tomada de depoimento
de três executivos de empreiteiras presos na Lava Jato, que delatores
implicaram o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos
Cosenza, em supostos recebimentos de “comissões” ligadas a contratos da
estatal. Cosenza participou, ao lado da presidente da companhia, Graça
Foster, de uma entrevista concedida ontem para divulgação de dados
operacionais da empresa.
Paulo Roberto Costa, antecessor de Cosenza, e Alberto Youssef, dois dos
delatores que colaboram com a polícia, disseram que Cosenza recebeu
pagamento. A informação consta, por exemplo, no depoimento tomado de
Ildefonso Colares Filho, ex-presidente da empreiteira Queiroz Galvão,
preso na sexta-feira.
O desembargador Newton Trisotto, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), negou ontem habeas corpus a cinco dos 23
presos na nova fase da Operação Lava Jato. Tiveram o direito à liberdade
negado o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho; o
diretor-presidente da Área Internacional da empresa, Agenor Franklin
Magalhães Medeiros; José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da
empresa em São Paulo; Alexandre Portela Barbosa, advogado da
empreiteira; e o diretor-financeiro da OAS Petróleo e Gás, Mateus
Coutinho de Sá Oliveira.
As nove empreiteiras alvo da Lava Jato
receberam R$ 11,4 bilhões do governo federal nos últimos 11 anos. O
levantamento foi feito pelo portal Contas Abertas. Empresas não devem ficar inidôneas
Para não parar as obras que estão sendo feitas
pelas empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, o presidente do
Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, defendeu
ontem que essas empresas não sejam declaradas inidôneas. Segundo ele, o
Tribunal vai articular com a Controladoria Geral da República (CGU) e
com o Executivo uma solução que não resulte na paralisação das obras
tocadas pelas empresas citadas na sétima fase da Operação Lava Jato.
“O impacto tem que ser avaliado. Na verdade tem
muitas grandes empresas. Claro que se transformar todas em inidôneas,
boa parte das obras pode não continuar. Nessa situação, acho que cabe ao
Executivo propor uma discussão para que a gente possa encontrar o
caminho para que as obras não parem. O ideal seria uma repactuação”,
afirmou Nardes.
De acordo com o presidente do TCU, as
repactuações poderão ser feitas se for retirado o sobrepreço dos
contratos vigentes, com a devolução cofres públicos o valor cobrado a
mais. Assim , diz Nardes, as obras poderão continuar. “Acho que podem
ser feitas repactuações desses contratos retirando o sobrepreço para que
possamos trabalhar em conjunto para que as obras continuem. Mas
recuperar o que foi cobrado a mais. Acho que é possível, o TCU pode
fazer isso e espero também que o governo trabalhe nesse sentido, através
da CGU para que a gente possa dar continuidade a essas obras que são
extremamente importantes ao país”, disse.
Temer diz que governo está ‘tranquilíssimo’
Horas antes de a presidenta Dilma Rousseff
desembarcar ontem no Brasil, o vice-presidente da República, Michel
Temer (PMDB), afirmou ontem que o governo está “tranquilíssimo” com as
recentes investigações da Operação Lava Jato e que as prisões de
presidentes das empreiteiras não podem ser usadas para paralisar as
obras contratadas junto ao governo federal.
“Tranquilíssimo. Não apenas tranquilo como incentivando as
investigações”, afirmou Temer, ao fim do seminário pelo Pacto da Boa
Governança, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em
Brasília. “Você sabe que tem a competência da Polícia Federal de um
lado, o Ministério Público de outro, e o Congresso Nacional fazendo sua
parte com a CPI, de modo que o governo está tranquilíssimo. Todas as
palavras da presidenta e de todos os órgãos do governo são no sentido de
incentivar as investigações”, disse.
Ele sinalizou que a presidenta Dilma pode mudar a diretoria da estatal,
inclusive demitindo a presidente Graça Foster. “Certamente Dilma fará
deliberações sobre isso no final do ano em relação a essa matéria”,
afirmou.
A jornal, o procurador
Rodrigo Janot afirma que delações funcionam como rastilho de pólvora – e
que nenhum empresário vai querer ficar com a maior pena para si
O procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, acredita que os executivos presos na sétima fase da Operação
Lava Jato, que levou para cadeia dirigentes de empresas que formam entre
as maiores e politicamente mais influentes do Brasil
– OAS, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, UTC, Engevix,
Iesa e Galvão Engenharia –, além do ex-diretor de Serviços da Petrobras
Renato Duque, vão buscar acordos de delação premiada na tentativa de
reduzir suas penas. A afirmação foi feita ao jornal ‘Folha de S. Paulo’.
“Se um abrir a boca, abre todo mundo”, avalia.
“Isso é um rastilho de pólvora. Quando
um começa a falar, o outro diz: ‘Vai sobrar só para mim?’ E aí eles
começam a falar mesmo”, afirmou Janot ao jornal. O procurador disse
ainda que, a princípio, os indícios dão conta de que há uma quadrilha
operando o esquema de desvio de recursos da Petrobras. “Mas está cedo para falar”, avalia.
Sobre
os crimes que teriam sido cometidos pelos empreiteiros, o procurador
afirma que eles são investigados por fraude em licitação, lavagem de
dinheiro, crime contra o mercado e corrupção ativa. “As empreiteiras
diziam que eram alvo de concussão [exigência de dinheiro pelos
funcionários da estatal]. Se puder me explicar como fraude à licitação
decorre de concussão, eu concordaria com a tese. Como a concussão te
obriga a fazer um cartel, fraudar uma licitação e ganhar um dinheirão?
Está sendo extorquido para ganhar dinheiro? Vamos combinar, não é”,
afirmou Janot.
A Justiça Federal rejeitou neste domingo
(16) mais seis pedidos de liberdade para os executivos presos.
No sábado, outros cinco pedidos de habeas corpus haviam
sido indeferidos. A decisão coube à desembargadora plantonista Maria de
Fátima Freitas Labarrère, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região de
Porto Alegre. Os investigados que tiveram o pedido de liminar rejeitados
foram o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho; o diretor
financeiro da OAS Mateus Coutinho de Sá Oliveira; o advogado da OAS
Alexandre Portela Barbosa; o vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello
Almada; e os diretores técnicos da Engevix Carlos Eduardo Strauch
Albero e Milton Prado Júnior.
No sábado, os habeas corpus analisados e
indeferidos foram do diretor vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo
Hermelino Leite; do presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos
Avancini; do presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa,
João Ricardo Auler; do diretor presidente da área de internacional da construtora OAS, Agenor Medeiros; e do funcionário da OAS José Ricardo Nogueira Breghirolli.
Na decisão, a desembargadora manteve o argumento da Justiça Federal de que as detenções foram necessárias para impedir que os acusados atrapalhassem a investigação da Polícia Federal.
O Brasil tem 155,3 mil pessoas em situação análoga à escravidão,
segundo o relatório Índice de Escravidão Global 2014, da Fundação Walk
Free, divulgado nesta segunda-feira (17). Houve significativa queda em
relação ao levantamento do ano passado, que apontou mais de 210 mil
pessoas submetidas ao trabalho escravo no país. De acordo com a
organização, dos 200.361.925 de brasileiros, 0,078% está nesta condição.
Pela
primeira vez, segundo o levantamento, o número de pessoas resgatadas em
situação de trabalho forçado no setor da construção civil (38% dos
casos) foi maior que no setor rural do país. De acordo com a Walk Free, o
Brasil atraiu bilhões de dólares em investimentos para a execução da
Copa do Mundo, o que propiciou o aumento do número de casos em áreas
urbanas.
O relatório também destaca que a exploração sexual
concentrou um grande número de pessoas em situação de trabalho forçado
por causa do grande fluxo de turismo nas cidades-sede do Mundial. A Walk
Free ressaltou que Fortaleza concentrou boa parte dos casos de abuso
sexual de crianças por turistas.
O documento ressalta que ainda
há muitas crianças trabalhando como empregadas domésticas. Em 2013,
segundo a organização, 258 mil pessoas entre 10 e 17 anos estavam
trabalhando como trabalhadoras domésticas no Brasil. Segundo um dos
autores do relatório, Kevin Bales, também há preocupação com a
participação de crianças no tráfico ilegal de drogas.
De acordo
com a Walk Free, outro dado relevante no país é o fato de muitos
bolivianos e peruanos serem explorados na indústria têxtil. Mais da
metade dos 100 mil imigrantes bolivianos entraram no Brasil de forma
irregular e são facilmente manipulados por meio da violência, das
ameaças de deportação, e da servidão por dívida, segundo a pesquisa.
A
organização ressaltou o progressivo comprometimento do governo e das
empresas com a erradicação do trabalho forçado no Brasil. Um das medidas
lembradas foi a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do
Trabalho Escravo, que determina a expropriação de imóveis urbanos e
rurais onde seja constatada a exploração de trabalho análogo à
escravidão. Outra medida importante é a lista suja do trabalho escravo,
elaborada pelo Ministério do Trabalho.
“O Brasil é um dos líderes
mundiais no combate à escravidão. A lista suja e os grupos móveis de
combate ao trabalho escravo são muito importantes e nenhum outro país
tem medidas como essa”, disse Bales.O documento destacou que somente
Estados Unidos, Brasil e Austrália estão tomando medidas para eliminar o
trabalho escravo na contratação pública e nas cadeias de fornecimento
das empresas que atuam em seus países.
O Brasil está em 143º dos
167 países avaliados proporcionalmente em relação à população. A
Mauritânia, na Costa Oeste da África, está em 1º lugar no ranking e é
apontado como o pior caso. No ano passado, o Brasil estava em 94º entre
os 162 países avaliados.
No ranking das Américas, o Brasil está
em 24º em um total de 27 países avaliados, melhorando também em relação
ao primeiro relatório, que apontou que o país estava em 13º.
Cerca
de 35,8 milhões de pessoas em todo o mundo vivem em situação análoga à
escravidão, aponta o relatório Índice de Escravidão Global 2014.
O
número de pessoas escravizadas aumentou 20,13% em relação ao
levantamento em 2013. O primeiro relatório da organização mostrou que o
mundo tinha 29,8 milhões de vítimas da escravidão moderna.
De
acordo com a Walk Free, o trabalho escravo nos dias atuais ocorre por
meio do tráfico de seres humanos, do trabalho forçado, da servidão por
dívida, do casamento forçado ou servil e ainda pela exploração sexual
comercial.
“Não temos que ter escravidão no mundo. Deve haver
vontade política para implementar as leis contra a escravidão como
acontece com os homicídios. Gostaria de ver a escravidão se tornar um
crime tão raro no mundo como acontece com o canibalismo hoje”, disse
Kevin Bales.
A África e Ásia, segundo o documento, continuam
sendo os continentes com a maior incidência de pessoas nestas condição.
Proporcionalmente, a Mauritânia, na Costa Oeste da África, lidera
novamente o ranking dos países com maior prevalência, com 4% da
população escravizados. Ela é seguida do Uzbequistão (3,97%), Haiti
(2,3%), Catar (1,36%) e da Índia (1,14%).
Em números absolutos, a
Índia permanece no topo da lista com mais de 14,29 milhões de pessoas
escravizadas, seguida da China (3,24 milhões), do Paquistão (2,06
milhões), Uzbequistão (1,2 milhão) e da Rússia (1,05 milhão). Juntos,
estes países representam 61% da escravidão moderna mundial, ou seja,
quase 22 milhões de pessoas.
De acordo com a Walk Free, apesar de
o índice de 2014 estimar que há mais 20,13% de pessoas escravizadas no
mundo ante os dados de 2013, “este aumento significativo deve-se à
melhoria dos dados e da metodologia, que inclui inquéritos
representativos a nível nacional em alguns dos países mais afetados”.
Este ano, o ranking foi elaborado com base em 167 países avaliados.
Taiwan, Sudão do Sul, Coreia do Norte, Kosovo e Chipre foram incluídos
no relatório de 2014. No ano passado, foram 162 países avaliados.
O cirurgião Martin Salia, de 44 anos, morreu, nesta seguna-feira
(17), no Centro Médico de Nebraska, nos Estados Unidos, onde estava
internado desde sábado (15). Morador de Maryland, Salia contraiu o vírus
enquanto trabalhava em um hospital de Freetown, em Serra Leoa, país
africano onde nasceu.
“Informamos com imenso pesar que o terceiro
paciente que tratamos por ebola, o doutor Martin Salia, morreu devido
aos sintomas muito avançados da doença”, informou o centro médico que,
no domingo (16), anunciou que o estado clínico do cirurgião era grave.
Salia
foi o primeiro cidadão de Serra Leoa infectado pelo ebola a ser
repatriado para os EUA, onde outras nove pessoas já recebem tratamento. A
maioria contraiu a doença em países africanos.
“Apesar dos
esforços", a doença estava em estágio avançado para que [o médico]
pudesse ser salvo, lamentou o hospital, especialmente equipado para o
tratamento de doentes afetados pelo vírus.
O diretor da
instituição, Phil Smith, informou que Martin Salia sofria de deficiência
renal e respiratória quando chegou aos Estados Unidos. Além de ser
submetido a diálise e de contar com auxílio de equipamentos para
respirar, o médico recebeu plasma de um doador que se curou da doença e
um soro experimental ainda não testado em ensaios clínicos. Mesmo assim,
seu organismo não conseguiu combater o vírus.
“Utilizamos os
tratamentos disponíveis para garantir todas as hipóteses de
sobrevivência ao doutor Salia”, acrescentou o diretor da unidade
especializada do hospital, Phil Smith.
A Justiça Federal negou pedidos de liberdade para 11 investigados da Operação Lava
Jato entre sábado (15) e domingo (16). A desembargadora Maria de Fátima
Freitas Laberrère, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), de
Porto Alegre, indeferiu habeas corpus para cinco pessoas no no sábado e mais seis neste domingo. Segundo o Ministério da Justiça, 19 pessoas foram presas.
No sábado,
a desembargadora negou pedidos da defesa de Eduardo Emerlino Leite,
diretor da Camargo Corrêa; e de Dalton dos Santos Avancini e João
Ricardo Auler, vinculados à mesma construtura. Avancini e Auler tiveram
decretada a prisão temporária. No caso de Leite, cujo mandado foi para prisão preventiva, além de pedir habeas corpus, os advogados alegaram questões de
saúde para pedir ainda o cumprimento de prisão domiciliar, já que ele
seria portador de hipertensão arterial. Também, ontem, foram indeferidos
os pedidos de Agenor Franklin Magalhães Medeiros e José Ricardo
Nogueira Breghirolli, ligados à OAS.
Neste domingo, Maria de Fátima Freitas Laberrère negou habeas corpus
a José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS, e a Mateus Coutinho
de Sá Oliveira e Alexandre Portela Barbosa, ligados à mesma empresa.
Foram expedidos mandados de prisão temporária para os três. A
desembargadora indeferiu, ainda, pedidos de liberdade para Carlos
Eduardo Strauch Albero, Milton Prado Júnior e Gerson de Mello Almada, da
Engevix. Para os dois primeiros foi expedido mandado de prisão
temporária. Para Almada, mandado de prisão preventiva.
Quatro pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas em uma colisão entre dois veículos, que envolveu o ex-prefeito de Italva Darli Ancelme na noite de sábado (15), no km 78 da BR 356.
De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo dirigido por Darli perdeu a direção e colidiu frontalmente com outro carro, que tentou desviar e foi atingido no acostamento. No automóvel, estavam um homem de 40 anos, a esposa de 42 e dois filhos, de 21 e três anos. Todos os ocupantes tiveram ferimentos.
O filho mais velho, que era o motorista do carro, e o pai foram encaminhados para o Hospital São José do Havaí, em Itaperuna. A mãe e a criança receberam atendimento em Italva.
Ainda segundo a PRF, Darli apresentava sinais de embriaguez e não aceitou fazer o teste do bafômetro. Apesar da recusa, ele foi detido por provas testemunhais e levado para a 143ª Delegacia de Itaperuna para prestar depoimento.
A Lei Seca prevê, desde dezembro de 2012, a apresentação de testemunhas em casos de suspeitos que recusam o teste do bafômetro. Testes clínicos e vídeos também auxiliam no enquadramento e punição de infratores.
Em um espaço de tempo de menos de dois meses, o que parecia ter tomado um ritmo acelerado no período das eleições, com o fim do pleito tomou rumos contrários. O que parecia ter sido a abertura da temporada de boas ações como entregas de obras, se tornou uma redução de despesas a partir de um decreto da prefeita Rosinha Garotinho (PR), que mostrou a necessidade de redução de contratos e convênios firmados pela administração pública municipal, por conta de uma “perda de arrecadação projetada”. Do início do ano até setembro, segundo dados colhidos no portal da Prefeitura, o governo municipal entregou 33 obras, contra 17 inaugurações de obras no mesmo período em 2013. Em novembro, a prefeita Rosinha fez uma inauguração de casas populares em Ponta Grossa dos Fidalgos.
Na sessão da Câmara da terça-feira passada, o vereador Mauro Silva (PTdoB) chegou a defender o decreto como uma forma de prevenir impactos que os municípios brasileiros que poderão sofrer em 2015. “A taxa de luz no Estado já subiu e de 2009 para cá o PIB recuou. O governo federal tem passado por sérias reestruturas de sua economia e, por isso, a prefeita (Rosinha) resolveu se antecipar com o decreto. Acho que a gente deveria estar mais atento a isso”, declarou no plenário.
Enquanto isso, o vereador Marcão Gomes (PT), da oposição, ainda tenta conseguir levar ao plenário requerimento solicitando a presença do secretário de Fazenda, Walter Jobe, para que informe sobre atual situação financeira do município de Campos, disponibilizando todos os extratos bancários das contas do tesouro do período desde janeiro de 2014.
Quando o decreto da prefeita foi publicado no Diário Oficial (D.O.), Marcão chegou a dizer que a atitude demonstra que a Prefeitura tem passado por dificuldades financeiras. De acordo com a Prefeitura, o decreto determina a todos os secretários, presidentes de fundações, presidentes de autarquias, e presidentes das empresas públicas, providências para supressão de contratos e convênios, em caráter continuo, em no mínimo 20% dos valores contratados. Respeitando o determinado pela Lei 8.666/93, se necessário, é orientado ainda o cancelamento do convênio ou do contrato.
Em nota, neste domingo (16), o secretário de Governo, Suledil Bernardino, informou que a queda da arrecadação dos royalties em 2014 e o atraso nos repasses trouxeram inúmeros prejuízos à gestão municipal, devido ao alto índice de investimentos feitos pela Prefeitura de Campos. Essa queda se deve à crise da Petrobras, que apresenta todos os anos a maior Declan, Declaração de Rendimentos que define o Índice de Participação dos Municípios (IPM) no ICMS. O preço do barril de petróleo despencou de U$ 80 para U$ 10, fazendo com que se apresentasse um cenário de perda brutal da principal receita da Prefeitura e também do ICMS, segunda maior receita de Campos. Diante deste cenário, não restou alternativas à gestão municipal que não a de tomar medidas de contenção de custos, para atravessar o quadro de turbulência provocada pelo mercado do petróleo.
Suledil destaca que também as novas medidas econômicas do Governo Federal apontam para um quadro recessivo para o próximo ano, principalmente com elevação das taxas de juros. “O próprio Governo Federal já adotou providência para ajustar suas contas públicas. A Prefeitura de Campos está fazendo o dever de casa que qualquer gestor público, de responsabilidade, não poderia deixar de fazer. Temos vários investimentos em andamento e obras continuarão sendo concluídas e entregues à população, como a inauguração do condomínio do Programa Morar Feliz, em Saturnino Braga, entre outras. Recentemente, para não confundir com o período eleitoral, foi concluída, sem inauguração, uma grande obra de macrodrenagem na avenida José Alves de Azevedo, junto à ponte Leonel Brizola, um investimento de mais de R$ 1 milhão. Também está sendo concluída outra obra de macrodrenagem na região do Parque Rosário, de mais de R$7 milhões”, concluiu.
Antes das eleições, celeridade nas inaugurações
No dia 7 de setembro deste ano, a Folha da Manhã publicou matéria comparando a celeridade do ritmo das obras no município em ano de eleição. Desde o início do ano até a presente data, segundo dados colhidos no portal da Prefeitura de Campos, o governo municipal entregou 33 obras. Já em 2013, o portal noticiou apenas 17 inaugurações de obras no mesmo período.
Na ocasião, moradores do bairro Julião Nogueira, onde o programa Bairro Legal começou no início do mês de setembro, falaram sobre a espera por uma intervenção de melhorias. Na última semana, a equipe de reportagem retornou ao bairro e moradores disseram que o ritmo de obras é lento. “Ainda está muito lento. Se for para ficar aquilo que eles mostram nas propagandas da televisão, ainda falta muito a ser feito ainda”, disse a costureira Maria Gomes, de 40 anos. O investimento da Prefeitura é de R$ 47.627.194,86. A obra foi lançada pela prefeita Rosinha Garotinho em 31 de agosto.
A matéria de setembro abordou também outras obras como a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Penha que estavam em fase de conclusão. Já o Parque Esplanada recebe obras do Bairro Legal orçadas em R$ 31.681.320,84, que estão em fase inicial.
A Prefeitura informou que as ruas do Esplanada receberão novas galerias de drenagem pluvial, rede de esgotamento sanitário, pavimentação, construção de calçadas com acessibilidade, iluminação, sinalização e instalação de lixeiras e tratamento paisagístico.
Pagamentos também ficaram atrasados
No último dia 24, com a entrada de R$ 51 milhões referentes aos royalties de petróleo nos cofres da Prefeitura de Campos, o governo Rosinha liberou o pagamento aos principais fornecedores, após uma série de reclamações por conta do atraso nos repasses.
As reclamações envolvendo atrasos foram constantes durante este ano. No mês de julho, empresas que prestam serviços atrasaram pagamentos de funcionários e colocaram o atraso na conta da Prefeitura. Depois foi a vez de uma empresa responsável por pacientes que necessitam do sistema Home Care. Já durante o mês de outubro, creches de Campos causaram transtornos aos pais devido à falta de auxiliares, que também ficaram sem receber e pararam o serviço. A informação é que as crianças seriam dispensadas por falta de funcionários de apoio, de empresas terceirizadas.
No final de outubro, o pagamento foi feito para pelo menos 12 empresas, sendo que algumas delas receberam até mais de duasparcelas, que somam aproximadamente R$ 16 milhões. A empresa que presta serviço com auxiliar de creche foi uma delas e recebeu mais de R$ 1 milhão. Essa semana a Prefeitura recebeu mais R$ 157 milhões de Participação Especial.