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terça-feira, 18 de novembro de 2014
Ex-gerente da Petrobras aceita devolver US$ 100 milhões
Pedro Barusco, que trabalhava com Renato Duque, fez acordo de delação premiada
O Dia
Rio - Considerado peça-chave para revelar o
esquema de corrupção e de propina na Petrobras, o ex-gerente-executivo
da Diretoria de Serviços da estatal Pedro Barusco fechou acordo de
delação premiada em que se compromete a devolver cerca de US$ 100
milhões, o equivalente a R$ 260 milhões. A expectativa é que o novo
delator da Lava Jato denuncie o esquema que era controlado pelo
ex-diretor da área Renato Duque, nome indicado pelo PT e que está preso
desde sexta-feira.
O acordo evitou que Barusco fosse o 26º nome da
lista de prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz
as ações da Lava Jato. O valor de restituição, a título de indenização,
caso seja homologado pela Justiça, será o maior já obtido em um acordo
com servidor da Petrobras. O ex-Diretor de Abastecimento Paulo Roberto
Costa e sua família vão pagar cerca de R$ 70 milhões. Barusco terá que
desembolsar R$ 260 milhões, pelo câmbio de ontem. Desse valor, US$ 20
milhões já haviam sido bloqueados na Suíça, onde ele mantinha uma conta.
Presidente
da Petrobras, Graça Foster, afirmou que as investigações contratadas
pela estatal para investigar as denúncias da Lava Jato vã
o custar cerca de R$ 19 milhões à estatal
Foto: Bruno de Lima / Agência O Dia
Barusco foi apontado como braço
direito de Duque na cobrança de propina pelos executivos da Toyo Setal
Julio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que
fecharam acordo de delação com o MPF no dia 22 de outubro. As delações
dos executivos da Toyo foram decisivas para deflagração da nova etapa da
Lava Jato e para abertura de novas frentes de apuração.
O delegado da Polícia Federal Agnaldo Mendonça
Alves afirmou no último final de semana, durante a tomada de depoimento
de três executivos de empreiteiras presos na Lava Jato, que delatores
implicaram o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos
Cosenza, em supostos recebimentos de “comissões” ligadas a contratos da
estatal. Cosenza participou, ao lado da presidente da companhia, Graça
Foster, de uma entrevista concedida ontem para divulgação de dados
operacionais da empresa.
Paulo Roberto Costa, antecessor de Cosenza, e Alberto Youssef, dois dos
delatores que colaboram com a polícia, disseram que Cosenza recebeu
pagamento. A informação consta, por exemplo, no depoimento tomado de
Ildefonso Colares Filho, ex-presidente da empreiteira Queiroz Galvão,
preso na sexta-feira.
O desembargador Newton Trisotto, do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), negou ontem habeas corpus a cinco dos 23
presos na nova fase da Operação Lava Jato. Tiveram o direito à liberdade
negado o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho; o
diretor-presidente da Área Internacional da empresa, Agenor Franklin
Magalhães Medeiros; José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da
empresa em São Paulo; Alexandre Portela Barbosa, advogado da
empreiteira; e o diretor-financeiro da OAS Petróleo e Gás, Mateus
Coutinho de Sá Oliveira.
As nove empreiteiras alvo da Lava Jato
receberam R$ 11,4 bilhões do governo federal nos últimos 11 anos. O
levantamento foi feito pelo portal Contas Abertas. Empresas não devem ficar inidôneas
Para não parar as obras que estão sendo feitas
pelas empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, o presidente do
Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, defendeu
ontem que essas empresas não sejam declaradas inidôneas. Segundo ele, o
Tribunal vai articular com a Controladoria Geral da República (CGU) e
com o Executivo uma solução que não resulte na paralisação das obras
tocadas pelas empresas citadas na sétima fase da Operação Lava Jato.
“O impacto tem que ser avaliado. Na verdade tem
muitas grandes empresas. Claro que se transformar todas em inidôneas,
boa parte das obras pode não continuar. Nessa situação, acho que cabe ao
Executivo propor uma discussão para que a gente possa encontrar o
caminho para que as obras não parem. O ideal seria uma repactuação”,
afirmou Nardes.
De acordo com o presidente do TCU, as
repactuações poderão ser feitas se for retirado o sobrepreço dos
contratos vigentes, com a devolução cofres públicos o valor cobrado a
mais. Assim , diz Nardes, as obras poderão continuar. “Acho que podem
ser feitas repactuações desses contratos retirando o sobrepreço para que
possamos trabalhar em conjunto para que as obras continuem. Mas
recuperar o que foi cobrado a mais. Acho que é possível, o TCU pode
fazer isso e espero também que o governo trabalhe nesse sentido, através
da CGU para que a gente possa dar continuidade a essas obras que são
extremamente importantes ao país”, disse.
Temer diz que governo está ‘tranquilíssimo’
Horas antes de a presidenta Dilma Rousseff
desembarcar ontem no Brasil, o vice-presidente da República, Michel
Temer (PMDB), afirmou ontem que o governo está “tranquilíssimo” com as
recentes investigações da Operação Lava Jato e que as prisões de
presidentes das empreiteiras não podem ser usadas para paralisar as
obras contratadas junto ao governo federal.
“Tranquilíssimo. Não apenas tranquilo como incentivando as
investigações”, afirmou Temer, ao fim do seminário pelo Pacto da Boa
Governança, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em
Brasília. “Você sabe que tem a competência da Polícia Federal de um
lado, o Ministério Público de outro, e o Congresso Nacional fazendo sua
parte com a CPI, de modo que o governo está tranquilíssimo. Todas as
palavras da presidenta e de todos os órgãos do governo são no sentido de
incentivar as investigações”, disse.
Ele sinalizou que a presidenta Dilma pode mudar a diretoria da estatal,
inclusive demitindo a presidente Graça Foster. “Certamente Dilma fará
deliberações sobre isso no final do ano em relação a essa matéria”,
afirmou.
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