José
Ribamar, gerente de um bar na Lapa, já se
preocupa com o aumento da
tarifa e faz cálculos
para evitar o repasse para os clientes
Foto: José Pedro Monteiro/ Agência O Dia
Além disso, o problema da seca ainda
permanece. “Certamente no ano que vem também vai haver um aumento
grande. Mas não é culpa do governo nem da Light. É uma característica do
nosso setor elétrico, que prioriza a fonte renovável”, afirma Nivaldo
de Castro, da UFRJ.
A partir do ano que vem, no entanto,
as companhias podem fazer os repasses a cada mês, em vez de ter que
esperar doze meses pelo reajuste. Isso porque entrará em vigor o sistema
de bandeiras tarifárias.
Pelo novo modelo, o consumidor será alertado a
cada mês sobre as condições de produção de energia. Em meses mais
favoráveis, a conta virá mais baixa. Em meses de seca, com condições
adversas, o preço sobe. “É um sistema eficiente pelos dois lados. Pelo lado da distribuidora, ela não espera um ano para o reajuste. Para o consumidor , é educativo”, afirma.
Conta de luz residencial vai ficar 17,76% mais cara no Rio
A conta de luz ficará 17,76% mais cara nas residências cariocas que são atendidas pela Light a partir de sexta-feira. O aumento foi autorizado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ficou abaixo dos 25% pleiteados pela companhia.
Na média, o reajuste será de 19,23%, mas cada tipo de consumidor sentirá efeito diferente. Nas residências, o aumento será menor. No comércio, a conta ficará 19,11% mais alta. Para os consumidores da alta tensão (indústria e estabelecimentos de grande porte), a energia aumentará 19,46%.
Este é o maior reajuste nas tarifas em pelo menos cinco anos. Em comunicado enviado a investidores no fim do dia, a Light afirmou que o custo da compra de energia subiu 20%, principalmente devido à seca.
Segundo o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, Nivaldo de Castro, dois fatores principais pesaram no reajuste salgado. O primeiro foi a forte seca que prejudicou a geração de energia hidrelétrica, obrigando as distribuidoras a comprar energia das termelétricas, cuja produção é mais cara.
“O Brasil está na pior seca do setor elétrico dos últimos 80 anos. Se não tem água, não tem como gerar energia nas usinas hidrelétricas”, explica o professor. “A água é de graça. Mas óleo diesel e gás usados nas termelétricas são caros”, afirma, lembrando que o problema com o clima vem desde outubro de 2012.
O alto preço do dólar também impactou na compra da energia de Itaipu, que é paga na moeda norte-americana e representa cerca de 17% da energia adquirida pela Light.
No Bar do Chico, na Lapa, o gerente José Ribamar Fernandes já se preocupa com os efeitos do reajuste. No estabelecimento, a conta de energia varia entre R$ 5 mil e R$ 6 mil mensais. “Esse aumento chega em uma hora ruim, pois a inflação já está alta e todos preços dos produtos tiveram correção. A gente não pode repassar, senão o cliente deixa de vir”, lamenta.
OUTROS ESTADOS
A Light é uma das últimas empresas a ter a tarifa revisada no calendário anual da Aneel. No Sudeste, outras companhias também tiveram reajustes elevados. Em Minas Gerais, o aumento residencial, autorizado em abril, ficou em 14,3%. Na Eletropaulo, em São Paulo, a conta de luz residencial subiu 17,93%. Já no Espírito Santo, a Espírito Santo Centrais Elétricas (Escelsa) aumentou em 22,74% sua tarifa.
Academia vai gerar energia
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem um projeto que vai permitir a geração de energia elétrica a partir dos exercícios físicos feitos nas academias públicas do Rio de Janeiro, instaladas em parques e praças. A ideia é que a movimentação dos atletas seja convertida em energia elétrica.
A proposta é uma parceria da empresa Adabliu Eventos com a Prefeitura do Rio. Na Inglaterra, um projeto semelhante já foi implantado em academias a céu aberto e deu certo.
A Aneel incluiu o projeto no Sistema de Compensação, o que irá permitir que a energia gerada pode ser usada para abater o consumo outras unidades consumidoras da prefeitura, como creches e escolas.
“Trata-se do reaproveitamento de energia. Ela seria desperdiçada, caso não fossem utilizados sistemas de conversão eletromecânica do trabalho durante a prática desportiva e injeção de eletricidade na rede de distribuição de energia elétrica”, explicou o relator do pedido, Reive Barros dos Santos.
Segundo a Aneel, as experiências em outros países mostram que o uso de aparelhos de ginástica por 40 pessoas durante uma hora por dia pode produzir o equivalente a 60 kWh mensais, o que seria suficiente para manter acessas 20 lâmpadas durante 10 horas por dia todos os dias do mês.
Fonte: O DIA
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