Em novo depoimento à Justiça Federal, delator detalha propina do esquema da Petrobras
O doleiro Alberto Youssef
afirmou nesta segunda-feira (10), em depoimento à Justiça Federal em
Curitiba, que Carlos Habib Chater, dono de postos de combustíveis em
Brasília, fez pagamentos de propinas de obras da Petrobras a políticos
em Brasília, a seu pedido. Youssef contou que fazia transferências
bancárias para Chater, que providenciava a entrega em dinheiro.
Segundo Youssef, há contabilidade que comprova as operações. Para a Polícia Federal (PF), Chater, que também foi preso na Operação Lava-Jato, é um dos maiores doleiros de Brasília.
A ligação entre Youssef e Chater foi revelada em interceptações telefônicas feitas pela PF na Lava-Jato. Nas conversas, os dois comentavam sobre
uma remessa de dinheiro, em dólar, de Brasília para São Paulo. Youssef
afirmou que opera com Chater desde 2005 e que seu parceiro anterior no
negócio morreu num assalto. Ele confirmou ainda que Chater tinha
relacionamento com o também doleiro Fayed Trabulsi, preso na Operação
Miqueias, da PF, e que tinha em sua agenda nomes de políticos.
Chater, que também prestou depoimento
ontem à Justiça Federal do Paraná, negou atuar como doleiro. Perguntado
se entregava dinheiro a políticos em Brasília a pedido de Youssef,
também negou. Disse que entregava o dinheiro a portadores ou depositava
em contas indicadas por ele.
O advogado de Chater, Pedro Henrique Xavier, não quis comentar o depoimento de seu cliente e negou que ele pretenda fazer delação premiada.
Youssef afirmou que parte das remessas de Brasília para São Paulo
foi feita a pedido do deputado José Janene, (PP-SP), falecido em 2010 e
um dos investigados no mensalão. Segundo ele, Janene usava o dinheiro
de propinas para investir em outros negócios por meio da empresa CSA Project Finance, que tinha um sócio oculto: Cláudio Augusto Mente.
Em depoimento à Justiça, o advogado
Carlos Alberto Pereira Costa, que figura como um dos sócios da CSA,
afirmou que o tesoureiro do PT, JoãoVaccari, costumava se reunir com
Mente no escritório do doleiro. Vaccari nega qualquer irregularidade.
A Justiça Federal determinou que a
Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo apresente cópias das notas
fiscais emitidas pela CSA Project Finance.
Fonte: O Globo
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