segunda-feira, 7 de julho de 2014

Campos: Falta de professores afeta alunos da rede municipal

Lohaynne Gregório
Fotos: Héllen Souza

O primeiro semestre letivo das escolas municipais já está sendo encerrado, mas alguns estudantes ainda não concluíram todo o conteúdo programado para esse período. O motivo: falta professor. Na Escola Municipal de Conselheiro Josino, a turma do oitavo ano estaria sem professor de Ciências desde o início do ano e os alunos ainda não realizaram as avaliações previstas. O problema se repete na Escola Municipal Manoel Ribeiro do Nascimento, na Tapera, onde estudantes do G3 estão sem professor desde o mês passado. A unidade já foi alvo de protestos pelo motivo. Já na Escola Municipal Marechal Arthur Costa e Silva, no Parque Zuza Mota, em Guarus, pais afirmaram que a turma do primeiro ano ficou cerca de três meses sem professor, mas o problema foi solucionado.
Segundo a denúncia de um estudante, a turma do oitavo ano da Escola Municipal de Conselheiro Josino está sem professor da disciplina de Ciências desde o início do ano. Ainda de acordo com a denúncia, os alunos não teriam feito as avaliações do primeiro e do segundo bimestres deste ano, devido à falta de professor. Por volta de 13h de quinta-feira, uma funcionária da escola confirmou, por telefone, que a turma ainda estava sem professor de Ciências.
Na Tapera, a turma do G3 da Escola Municipal Manoel Ribeiro do Nascimento está sem professor desde o mês passado. Uma dona de casa – que não quis se identificar – contou que a filha, de 5 anos, estuda na unidade. A professora da turma teria entrado de licença por 60 dias e ainda não teria sido substituída. “Desde o ano passado fica faltando professores na escola. Disseram que iam pedir substituição à secretaria de Educação, mas como terá férias, acho que não terá”, explicou a dona de casa. No dia 8 de abril, pais de alunos da mesma escola fizeram uma manifestação, em frente à unidade, em protesto contra a falta de professores, inspetores e vigias.

Pai de alunos afirma que situação é difícil
A Escola Municipal Marechal Arthur Costa e Silva, no Parque Zuza Mota, em Guarus, também é motivo de reclamação. O pensionista Cosme de Oliveira, de 40 anos, tem três filhos que estudam na unidade. Uma das crianças, de 10 anos, está no primeiro ano e teve problemas com falta de professores no início deste ano. “No início do ano, faltou professor. Ficou três ou quatro meses sem ter aula, mas depois arrumaram”, explicou.
Apesar da turma já estar com professor, Cosme disse que se preocupa com a formação escolar do filho. “Disseram que ia ter aulas aos sábados, mas ainda não teve. A escola falou que as aulas estão sendo repostas sem prejudicar os alunos”, afirmou. Ele ainda contou que o filho teve dificuldades na alfabetização e, por isso, zela para que a criança se dedique aos estudos. “Ele teve dificuldade para aprender a ler, até que teve uma professora boa, que ajudou. Fico preocupado com isso, se ele não vai ter problemas depois”, relatou.
De acordo com Cosme, o estudo é incentivado na família, mas problemas como a falta de professores podem desestimular os filhos. “O meu filho mais velho repetiu o ano, mesmo sem esse problema de faltar professor na turma dele. Com falta, então, o aluno acaba ficando sem incentivo”, desabafou.

Representantes de classe confirmam as denúncias
Para Natália Diniz, integrante do movimento “Educadores de Campos em Luta”, a preocupação do Cosme de Oliveira é válida. Ela contou que a falta de professor, por algum período, pode prejudicar a formação do aluno. “Traz prejuízos porque o conteúdo fica defasado. Já estamos em julho e no dia 18 encerra o segundo bimestre”, explicou. Natália ressaltou que o conteúdo das aulas é programado para ser distribuído em quatro bimestres e, para quem ainda não teve professor de alguma disciplina, fica mais difícil repor. “Como o professor vai levantar todo o conteúdo apenas de agosto a dezembro?”, questionou.
A carência de professores atinge várias unidades na rede municipal de ensino, de acordo com Natália Diniz. Ela afirmou que há um déficit estimado em 400 profissionais. “O edital do concurso de 2012 previa apenas 79 vagas para o primeiro segmento e já foram chamados cerca de 200 professores”, disse. O coordenador geral do SEPE, Carlos Santafé, confirmou a estimativa e explicou que a carência é grande. “Existe uma lei federal que destina 1/3 da carga horária para planejamento que é cumprida em parte no município. Como é preciso reduzir a carga, isso acarreta maior falta de professores para fazer cumprir a lei”, disse.
A solução, para Santafé, é a convocação dos aprovados em 2012 e a realização de um novo concurso para suprir as vagas.
A Folha enviou os questionamentos para a secretaria de Comunicação da Prefeitura de Campos, mas, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta havia sido enviada.

Fonte: Folha da Manhã

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