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terça-feira, 22 de julho de 2014
Coronel diz que tráfico recruta jovens no Alemão para ataques a UPPs
Athos Moura e Vania
Cunha
Rio - A apreensão de um adolescente de 17 anos no Complexo do Alemão nesta
segunda-feira confirmou dados levantados pela Inteligência da Coordenadoria de
Polícia Pacificadora (CPP) e pelos próprios policiais: traficantes estão
colocando menores na linha de frente do crime, para trocar tiros com militares.
Muitos deles até participaram dos constantes ataques às Unidades de Polícia
Pacificadoras (UPPs), como o jovem R.
Ainda de acordo com o CPP, ele figurava na lista dos 40 procurados pela
polícia em operação realizada quarta-feira na região. Nesta segunda, um garoto
de 15 anos foi apreendido acusado de atirar pedras em uma viatura na Vila
Cruzeiro, no Complexo da Penha.
O policiamento no Complexo do Alemão foi reforçado nesta
segunda-feira, após os confrontos no domingo. Mesmo assim, houve tiroteio e duas
pessoas foram presas
Foto: Severino Silva / Agência O
Dia
R. foi apreendido após novo confronto ontem pela manhã, o terceiro
em 24 horas. Policiais que passavam pela localidade Avenida Central, contaram
que foram atacados a tiros e revidaram. Junto com o rapaz, outro de 16 anos foi
levado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
“Há uma crescente participação de menores na linha de frente, trocando tiros.
Policiais viram menores de 14 anos armados na Rua Dois, um dos principais focos
de onde partiam os ataques e onde colocamos reforço. Com as prisões das
lideranças do tráfico, há uma renovação da quadrilha com esses jovens”, afirmou
o coordenador das UPPs, coronel Frederico Caldas.
O tiroteio de ontem levou pânico à população e fechou escolas
públicas para 7 mil alunos. À tarde, comerciantes da Fazendinha, Nova Brasília,
Alemão e Adeus, fecharam as portas. O confronto deixou um PM baleado, um
suspeito de tráfico morto, além de uma viatura e uma base da UPP Alemão
incendiados. Caldas ressaltou que, apesar da falta de prisões na quarta, foi
feito mapeamento de pontos de concetração de suspeitos. Até o final da semana,
300 PMs vão reforçar a área.
O teleférico do Complexo do Alemão está parado desde a última
semana por conta da violência no local
Foto: Foto: Severino
Silva / Agência O Dia
Mortes no fim de semana
O tiroteio desta segunda aconteceu após a morte do traficante Diogo
Wellington Costa, o Bebezão, que foi baleado e preso no sábado. Ele chegou a ser
operado no Hospital Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu. O confronto
também foi represália pela morte de Matheus Alexandre Silva dos Santos, o Papa,
18 anos, no domingo. Segundo a polícia, ele teria participado do ataque à UPP
Nova Brasília. Atingido no olho direito, morreu no Hospital Getúlio Vargas, na
Penha. Com ele, foram encontrados pistola calibre e carregador.
Às 20h30 de domingo, uma viatura e um contêiner da UPP Alemão foram atingidos
por disparos de fuzil, pedras e bombas caseiras. Um PM identificado como
Cordeiro foi ferido no abdômen e está internado no Hospital da Polícia Militar.
O ataque aconteceu na Rua Canitá. A viatura foi atingida por mais de 20 tiros.
O teleférico da comunidade está parado desde a semana passada por conta dos
tiroteios. O coronel Caldas informou ainda que tem relatos de moradores que
foram obrigados a dar abrigo à bandidos em fuga. Nesta segunda à noite, outro
confronto ocorreu na comunidade Nova Brasília.
O secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame disse que está sendo
feito trabalho de Inteligência no conjunto de favelas e que há 50 mandados de
prisão para serem cumpridos. “Não vamos voltar atrás nessas ações. O Alemão é um
lugar muito denso, onde você não tem mobilidade e a polícia não pode transitar
com tranquilidade. Mas temos uma ação bastante contundente da polícia”,
disse.
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