terça-feira, 8 de julho de 2014

Maioria das pessoas não segue partidos e defende voto facultativo, diz pesquisa

Pesquisa do Instituto Gerp constata que apenas 34% aprovam a obrigatoriedade de votar
Pesquisa do Instituto Gerp constata que apenas 34% aprovam a obrigatoriedade de votar
 
Os partidos políticos chegam em baixa nesta eleição. Pesquisa feita pelo Instituto Gerp entre os dias 20 e 25 de junho constatou que a maioria da população do Rio (91%) não tem partido. Somente 9% declararam ter preferência por alguma legenda. Mais da metade dos entrevistados, 55%, admitiu votar no candidato contra 31% que escolhem baseados na sigla partidária. Apenas 1% vota nos dois, candidato e partido, e 13% não responderam.
O levantamento detectou também que seis em cada dez eleitores fluminenses consideram que o voto deve ser facultativo. Só 34% acham que deve continuar obrigatório. “Há um desencanto com a política, com os partidos e os governos”, diz o cientista político Ricardo Ismael, ao comentar o desinteresse pelo voto. Ele lembra que ao longo dos últimos 25 anos, período da redemocratização, cresce o voto facultativo, aquele em que o eleitor não comparece às urnas.
Segundo ele, os jovens de hoje, que não viveram a ditadura e, portanto, não reivindicaram o voto direto. Eles consideram um direito, e não um dever. “Mas, como estamos numa democracia representativa, há uma contradição nesse tipo de posição, pois o voto ainda é a maneira efetiva de mudar. Não votar mantém o status quo”, alerta Ismael.
A advogada Ericka Gavinho, 35 anos, concorda com o professor da PUC-Rio. Ela, que foi às ruas em 2013 e apoia as manifestações, diz que os partidos perderam a representatividade junto à população. “Isso serve como um recado. As atuais alianças, por exemplo, embaralharam o eleitor. Como pedir para acreditarem na política?”, indaga Ericka.
 
Aliança sem programas
Para Ricardo Ismael, o desinteresse do eleitor pelos partidos políticos pode explicar a opção pelos movimentos sociais, cujo colegiado é mais difundido. “Os partidos estão mais burocráticos, e as alianças não discutem as questões programáticas. São mais pragmáticas em torno do tempo de TV”, afirma.
Em relação à pesquisa do Instituto Gerp, o presidente regional do PMDB, o ex-deputado Jorge Picciani foi lacônico: “A voz das ruas sempre tem razão”, disse o político.
Já o presidente do PT fluminense, Washington Quaquá, afirma ser contra o voto facultativo. Segundo ele, se isso ocorresse, afastaria ainda mais o eleitor, principalmente os mais pobres; entregaria a eleição a candidatos profissionais e facilitaria a compra de votos.

Fonte: O Dia

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