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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Em acareação na CPMI, ex-diretores da Petrobras divergem sobre propina
A acareação dos ex-diretores da Petrobras Paulo
Roberto Costa e Nestor Cerveró está sendo realizada, neste momento, na
comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que investiga denúncias
de corrupção na petroleira. O primeiro assunto colocado pelos
parlamentares para esclarecimento entre os dois foi o pagamento de
propina no contrato da compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados
Unidos.
Na condição de diretor responsável, à época, pela compra
da refinaria, Cerveró negou que tenha havido pagamento de propina nos
contratos referentes a essa transação e em outros da Petrobras. “Eu
desconhecia. Pelo fato de desconhecer, para mim, não havia [pagamento de
propina]”, voltou a afirmar Cerveró hoje. Em seguida, questionado sobre
uma carta escrita por ele que propiciou a compra da refinaria, ele
disse que não recebeu propina por isso. “Eu não recebi nada, eu fiz um
procedimento normal. Eu não recebi nada por essa carta”, reiterou.
Sobre
o assunto, Paulo Roberto Costa se limitou a dizer que reitera o que já
disse ao juiz Sérgio Moro, nos depoimentos que prestou em Curitiba. Em
setembro, o Jornal Nacional,da TV Globo, informou
que Costa havia admitido para o juiz ter recebido, ele próprio, R$ 1,5
milhão de propina pelo contrato da Refinaria de Pasadena.
No
início da acareação, Costa foi o primeiro a falar e começou dizendo que
tudo o que já disse nos depoimentos da delação premiada tem comprovação.
“Não tem nada da delação que eu falei que eu não confirme. Porque a
delação é um instrumento extremamente sério, não podem ser usados
artifícios, não pode haver mentira, nem coisas que não se possa
confirmar depois”, afirmou. “Falei de fatos, falei de dados, falei de
pessoas. Na época oportuna, essas pessoas serão conhecidas”, enfatizou.
Paulo
Roberto é apontado pela Polícia Federal como uma das pessoas no topo de
uma organização que intermediava o pagamento de propina de empreiteiras
a partidos políticos e agentes públicos para conseguir contratos com a
Petrobras. Na condição de diretor de Abastecimento da empresa, ele
admitiu à Justiça – em depoimento aberto, fora da delação premiada – que
era responsável pelo recebimento do dinheiro de propina que
posteriormente seria repassado ao PP, ao PT e ao PMDB. CPMI da Petrobras faz acareação de Paulo Roberto Costa
e Nestor Cerveró Antonio Cruz/Agência Brasil No
início do depoimento de hoje na CPMI, ele se disse arrependido do que
fez e até mesmo de ter aceitado uma indicação política para chegar ao
cargo de diretor da Petrobras. Segundo ele, foi essa indicação que o
levou à condição de réu atualmente. “Mas, em todos os governos, desde o
governo Sarney, o governo Collor, o governo Itamar, o governo Fernando
Henrique, o governo Lula e o governo Dilma, em todos os governos, só se
chega ao cargo de diretor da Petrobras se tiver uma indicação política. E
eu aceitei essa indicação, da qual me arrependo amargamente, porque
agora estou aqui”, disse. De acordo com ele, o mesmo esquema que ocorre
com obras da Petrobras repete-se em todos os contratos públicos feitos
no país, incluindo ferrovias, portos e aeroportos.
Logo em
seguida, Cerveró disse que sua defesa está sendo paga pela Petrobras por
meio de um seguro que é feito pela companhia para custear a defesa de
seus funcionários em processos que estejam relacionados à gestão. “Esse
seguro só cobre a defesa. No caso de condenação ou dolo comprovado, o
seguro tem que ser ressarcido pelo responsável”, esclareceu em seguida.
Nestor
Cerveró começou a acareação comunicando aos parlamentares que não iria
responder a perguntas formuladas com base em vazamento de informações do
processo à imprensa. “Não vou responder a perguntas que sejam extraídas
de possíveis vazamentos ou ilações da mídia. Não vou responder a
perguntas que eu desconheço e que os senhores também desconhecem”,
disse.
A acareação continua e os dois respondem a perguntas dos membros da CPMI.
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