O comando da Polícia Militar já sabe que a técnica vem sendo cada vez mais utilizada pelas quadrilhas das comunidades do Alemão e Nova Brasília, principalmente nos becos, para atacar os policiais. As pistolas são mais fáceis de esconder sob roupas e mochilas que as armas de grosso calibre.
Apesar de nenhuma arma modificada ter
sido apreendida ainda, há relatos de policiais e investigações da
Inteligência. Segundo agentes, os bandidos substituem peças de pistolas
comuns por mecanismos que fazem o efeito de rajadas. “As peças são
adquiridas no Paraguai e, assim, eles andam com armas que dão muitos
tiros de uma vez, como os fuzis, mas que podem ser facilmente
escondidas”, contou um oficial da cúpula da PM.
Policiamento foi reforçado, nesta terça, no Alemão depois que
quatro policiais foram baleados na segunda-feira
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Depois de mais uma noite de confronto
intenso, segunda-feira, o medo voltou às ruas do Alemão ontem. Cem
alunos de uma creche ficaram sem aulas. A polícia reforçou o
patrulhamento com 70 novos soldados e as tropas de elite, como os
batalhões de Operações Especiais (Bope) e de Choque por tempo
indeterminado.
Mas a tragédia já estava anunciada horas antes:
às 19h30 de segunda-feira, o Disque-Denúncia (DD - 2253 - 1177)
repassou ao Comando de Polícia Pacificadora (CPP) o informe de que
traficantes iriam invadir o conjunto de favelas. Segundo o relato, entre
os criminosos que participariam do ataque aos PMs, estaria Luiz Cláudio
Machado, o Marreta, um dos chefes da facção Comando Vermelho.
O criminoso fugiu da penitenciária
Vicente Piragibe em 2012. “Recebemos denúncias de invasão todos os
dias”, afirmou Zeca Borges, coordenador do serviço. A assessoria das
UPPs informou que os PMs receberam mais de uma comunicação do DD sobre
“bandidos armados que receberam ordens pra atacar PMs.” Com os quatro
novos casos, chegou a 272 o número de PMs baleados em 2014. Levantamento
do DIA publicado segunda mostrou que 74 policiais de UPPs foram feridos
em serviço.
Policiamento
no Complexo do Alemão está reforçado nesta
terça-feira após quatro PMs
ficarem feridos segunda-feira na Nova Brasília
Foto: Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Preso com drogas e bomba
O sargento Hércules Barbosa foi ferido por
estilhaços na perna, às 18h de segunda-feira, quando a patrulha
surpreendeu grupo de criminosos e trocou tiros. Jailson Pastro Pereira
da Silva foi preso com drogas e uma bomba caseira.
Quatro horas depois, os soldados Ximenes, Max Silva e Daniel Baltar foram feridos em confronto na localidade Largo da Vivi. Baleado no tórax, Ximenes deu entrada no hospital em estado grave. Ao ser transferido, a ambulância que o levava foi atingida por um Renault e capotou. O praça foi transferido para o Hospital da PM, no Estácio. Max foi atingido na cabeça após a bala de fuzil bater na parede e ricochetear. Ferido na perna e no rosto, Baltar foi operado.
Caveirão destrói carro
O Instituto de Segurança Pública
(ISP) divulgou nesta terça dados sobre a violência em comunidades
ocupadas no primeiro semestre. Apesar de informar que os números caíram
em relação ao mesmo período de 2008, na época, as UPPs ainda não
existiam. No Complexo do Alemão, por exemplo, os roubos a pedestres
subiram de seis no primeiro semestre de 2012 para 21 de janeiro a junho
deste ano.
Morador afirma que blindado da polícia destruiu seu Monza ano 86
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Além do medo, o confronto de segunda
causou prejuízo material para o vigilante Eduardo Augusto Teodoro, de 42
anos, que teve seu Monza 1986 destruído, segundo o dono, por um
blindado da PM. O morador denunciou o caso na ouvidoria ddo CPP.
Fonte: O DIA
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