Brasília - Em sua última reunião do
ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa básica de
juros (Selic)em 0,5 ponto percentual. O índice, referência para a
fixação de juros em diversas operações financeiras, subiu ontem para
11,75% ao ano. É o maior nível desde outubro de 2011. Foi o segundo
aumento consecutivo do indicador. Na reunião anterior, em outubro, houve
elevação de 0,25 ponto percentual.
Alexandre Tombini, presidente do BC: ajuste maior com alta da Selic
Foto: Agência Brasil
A alta já era esperada pelo mercado. O
mecanismo de aumento dos juros funciona para o controle da inflação,
pois restringe a oferta de crédito. Por outro lado, prejudica o
crescimento da economia. O governo estima que a a atividade produtiva do
país vai crescer 0,5% em 2014. Representantes do setor industrial
criticaram a decisão do Banco Central.
“Ao utilizar apenas a taxa de juros como
instrumento de controle da inflação, o governo erra e derrubará ainda
mais a atividade econômica, que já se encontra anêmica”, afirmou Paulo
Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
(Fiesp). A Força Sindical, entidade representativa dos trabalhadores, também reclamou. “O governo insiste em editar medidas de aperto monetário num país que está com a atividade econômica estagnada e com uma indústria que vem acumulando resultados negativos mês após mês. Estas políticas inflacionárias mal orientadas deprimem mais a economia, em vez de fazê-la crescer”, criticou em nota.
Para analistas do mercado financeiro, a decisão do Banco Central é uma tentativa de retomada da confiança na efetividade da instituição. “No fundo, a autoridade monetária busca um resgate de credibilidade. Alexandre Tombini [presidente do BC] já sinalizou que pretende trazer a inflação para mais perto do centro da meta (4,5%). A decisão chancela que o segundo mandato da Dilma terá uma política econômica mais ortodoxa”, afirmou o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Ros. De acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta semana, a Selic deve continuar subindo no início do ano que vem.
Fonte: O DIA
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