Rio
- Poderoso e temido como um dos chefes da máfia dos caça-níqueis no
Rio, Fernando Iggnacio caiu em armação tramada por integrantes da
própria quadrilha, que montaram farsa para justificar roubo de R$ 700
mil. Parte do plano foi arquitetada em reunião do sargento Sílvio César
Lopes Vieira, o Gianecchinni, do Batalhão de Operações Especiais (Bope),
com o ex-PM Mário César Aiello Gomes, o Paraíba ou Aiello, na sede da
tropa de elite da PM, em Laranjeiras, em março. A ação foi orientada
pelo tenente-coronel Marcelo Bastos Leal, o Pastor, chefe da segurança
do bando.
O contraventor Fernando Iggnacio quando foi preso em 2006: agora, mais uma vez, ele conseguiu escapar
Foto: Daniela Conti / Agência O Dia
O golpe foi revelado em
gravações telefônicas autorizadas pela Justiça para a Operação Perigo
Selvagem — às quais O DIA teve acesso com exclusividade. A ação — que
prendeu 23 acusados de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, entre
eles os dois PMs — foi deflagrada dia 21 pelo Grupo de Atuação Especial
de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público e a Polícia
Militar. Dois outros envolvidos estão foragidos, entre eles Iggnacio.
O assalto ao ‘cofre’ do chefão foi dia 2 de março, em ‘bunker’ usado só para guardar dinheiro, em endereço
ainda não identificado. Para não levantar suspeitas, o grupo envolvido
decidiu montar um álibi. Inventaram, então, que o sargento Sílvio César
fazia o transporte dos valores em um Gol, quando foi cercado por homens
armados, reagiu a tiros, foi ferido na perna e ficou sem o dinheiro.
Para compor a farsa, Fábio Luiz de Andrade Pereira, o Baia, bateu de
propósito com o carro que teria sido usado por Sílvio César.Segurança 24h e alarme
A quadrilha de Fernando Iggnacio trata o segundo ‘bunker’ do bando — de onde sumiu o dinheiro — como casa da ‘Velha’ ou ‘Tia’. O primeiro é a Rua Fonseca 1.040, em Bangu, Zona Oeste, conhecido como a fortaleza do bicheiro Castor de Andrade, já falecido, sogro de Iggnacio. O endereço já fora investigado 19 anos atrás.
Na casa da ‘Velha’, o bando guarda o pagamento dos integrantes do grupo. Fora, a segurança é reforçada 24 horas e, dentro, há sistema de alarme. No roubo dos R$ 700 mil, porém, a segurança nada percebeu e o alarme ficou em silêncio. Com medo de represálias, como mortes e demissões, o bando forjou o assalto para justificar o sumiço da quantia.
Pai de santo alertou oficial sobre prisão
Apontado como chefe da segurança de Fernando Iggnacio, o tenente-coronel Marcelo Bastos Leal, o Pastor, desdenhou dos búzios. Um pai de santo previu que ele seria preso, mas o oficial não acreditou, o que acabou acontecendo quarta-feira.
O sinal das entidades sobre a prisão foi registrado em escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça no início do ano. A conversa espiritual aconteceu entre Andreia Melo Conrado, amante de Pastor, segundo o MP, com homem identificado como Alessandro, em 17 de janeiro.
Fonte: O DIA.
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