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sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Servidores do Governo do Estado participam de confronto na Câmara
Funcionários se envolveram em enfrentamento entre manifestantes pró e contra a CPI e foram parar na delegacia
Constança Rezende
e Francisco Edson Alves
Rio - Dois dos nove homens
detidos nesta quinta-feira por supostas agressões e ameaças em tumulto
na sessão da CPI dos Ônibus na Câmara dos Vereadores trabalham na
Secretaria Estadual de Governo e, segundo a assessoria de imprensa da
pasta, serão exonerados hoje. Segundo o órgão, Leandro Carlos de Souza e
Maicon Justino de Jesus serão demitidos “por terem participado, sem
autorização, da manifestação durante o expediente de trabalho”. A
publicação sairá hoje, no Diário Oficial do governo.
Servidor Leandro Carlos (ao lado de Sérgio Cabral) foi detido por agressão
Foto: Reprodução
No Facebook, Leandro aparece em fotos junto com o governador Sérgio Cabral e, em outra, com seu filho,
Marco Antonio Cabral. Maicon Justino também exibe fotos com o filho do
governador e, em outras, aparece com uniformes da secretaria. O prefeito
Eduardo Paes também aparece nos álbuns de fotos dos funcionários.
Os outros sete detidos estão na rede social como amigos
dos dois servidores. Um deles, inclusive, postou uma foto da fachada da
Câmara com a frase “olha onde o Leandro Carlos me boto (sic)” e, em
outra, o interior da Casa com os dizeres “Hoje a porrada vai comer,
porra (sic)”.
Os homens, chamados de ‘milicianos’ por
manifestantes que são contra a CPI, foram levados para a 5ª DP (Mem de
Sá), onde foram reconhecidos por pelo menos duas pessoas por agressões e
ameaças. Os processos dos suposto crimes, considerados de baixo
potencial ofensivo, serão encaminhados ao Juizado Especial Criminal
(Jecrim).
Na delegacia, o grupo negou qualquer
envolvimento com milícia e alegou que também sofreu ameaças de
manifestantes. Dois dos detidos disseram ter sofrido lesões e foram
encaminhados para exames de corpo de delito. De acordo com a 5ª DP,
nenhum dos nove acusados têm passagem pela polícia. Em depoimento,
alguns disseram serem vigias e, outros, se declararam desempregados. No plenário lotado, ânimos exaltados, vaias e aplausos
O Plenário virou ringue. Por três horas de
audiência era impossível um minuto de silêncio. Os ânimos dos 160
manifestantes que lotaram as galerias estavam mais que exaltados. Na
galeria B, o grupo contra CPI foi vestido a caráter, com representação
de baratas (em alusão ao empresário Jacob Barata), e exibindo cartazes
que pediam o fim da Comissão. Já do outro lado, na galeria A, a ocupação
foi de pessoas que ovacionavam cada membro da CPI e agitavam faixas de
“Deixa a CPI trabalhar”.
Quando o relógio do Plenário marcou 10h, a
gritaria começou. O presidente da Comissão, Chiquinho Brazão (PMDB), mal
conseguiu abrir a sessão. Eram vaias de um lado e aplausos do outro.
“Quem vem contra ou a favor é bem-vindo”, comentou o vereador, até que
um tênis quase o atingiu. A ‘sapatada’ veio da galeria A.
Na ala dos ‘a favor’, preenchida com vários
membros da juventude do PMDB, poucos sabiam do que realmente se tratava a
CPI. “Não sei muito disso, mas me chamaram, e eu vim pra ver”, disse
Carlos Moreira, morador de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que
engrossava o coro do “Fica, Brazão!”.
No fim da audiência, mais uma sessão foi marcada. Será na próxima quinta, no Plenário, às 10h e aberta ao público. Será? Ruas no entorno da Casa se tornam campo de batalha
Pouco tempo depois do início da primeira sessão
da CPI, o campo de batalha que se tornou o plenário Câmara passou para o
lado de fora da Casa. Depois de uma confusão para conseguir senha para a
sessão, pessoas contrárias à comissão e outras a favor entraram em
confronto nas ruas.
Manifestantes entraram em confronto com supostos milicianos nas ruas do Centro
Carlos Moraes / Agência O Dia
A PM fez bloqueios no entorno da
Câmara. Na Rua Alcindo Guanabara, na lateral do prédio, somente
jornalistas e pessoas credenciadas podiam transitar pela via. O vereador
Leonel Brizola Neto (PDT) só conseguiu entrar pós discutir com os
policiais: “Eu, vereador da Câmara, ser impedido de entrar na Casa. É um
absurdo”, desabafou.
Em meio ao clima de tensão, parte do comércio fechou as portas. Às 15h, cerca de 50 ativistas fecharam a Avenida Rio Branco.
Jornalistas hostilizados e agredidos
Pelo menos quatro jornalistas foram
hostilizados e agredidos durante o tumulto na Câmara ontem. A Associação
Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) publicou
<MC0>nota, em seu site, reafirmando a preocupação com o clima de
hostilidade contra a imprensa que vem marcando a cobertura dos
protestos.
Cirilo Junior, do portal Terra, foi um dos
profissionais agredidos. Em reportagem no site, ele apontou Jéssica
Ohana, presidente da Juventude Nacional do PMDB, que apoia a atual
composição da CPI, como a líder do grupo que agrediu os jornalistas.
O Sindicato dos Jornalistas do Rio pediu ontem
ao comando da PM o fim da violência dos policiais contra a imprensa
durante a cobertura das manifestações e, em nota, também citou as
agressões contra os jornalistas na Câmara dos Vereadores.
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