Açu: demissões chegam a 1.460
No período de março deste ano até a última segunda-feira, 1.460
trabalhadores foram demitidos do Superporto do Açu. A informação foi passada
ontem à tarde pelo presidente do sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de Campos, José Eulálio, com base na audiência que foi realizada pelo
Ministério Público do Trabalho (MPT) na tarde da última segunda-feira. Segundo
Eulálio, o órgão vai solicitar à LLX e OSX, do grupo do megaempresário Eike
Batista, relatório sobre todas as dispensas formalizadas e o que motivou tais
medidas. Representantes de empresas como a Acciona, Amatec, Histrabras e
Mioplan, entre outras, tiveram que comparecer à audiência. “Em outras empresas
de menor porte não foram consideradas como demissões em massa”, afirmou
Eulálio, demonstrando preocupação com a situação da categoria.
O dirigente sindical informou que a audiência foi para
apresentação do relatório realizado pela força-tarefa do Ministério do Trabalho
no empreendimento que vem sendo desenvolvido no litoral de São João da Barra,
onde foram feitas nada menos que 23 visitas e aplicados 204 autos de infração
por vários tipos de irregularidades que estariam sendo cometidas pelas empresas
que atuam na construção do Superporto do Açu.
De acordo com José Eulálio, durante a audiência ficou acordado
que não poderá haver mais demissões em massa no empreendimento do Açu. “Só
poderão haver demissões de, no máximo, 40 trabalhadores por vez e, mesmo assim,
a cada 15 dias, quitando todos os direitos”, disse ele, afirmando que com a
Acciona o sindicato conseguiu um acordo mantendo em 90 dias o plano de saúde
dos trabalhadores demitidos, assim como o vale-alimentação no valor de R$
300,00.
O presidente do sindicato afirmou ainda que a denúncia sobre a
situação trabalhista no empreendimento foi feita pela entidade, através de
relatório enviado ao Ministério do Trabalho, o que teria gerado a criação da
força-tarefa para verificar o que estava ocorrendo com os trabalhadores do
projeto. A iniciativa culminou nas visitas de fiscais do órgão ao
empreendimento no litoral sanjoanense e na aplicação dos autos de infração
ocasionados por descumprimento à legislação trabalhista.
Desfeito – O contrato da OSX com a Kingfish do Brasil foi
cancelado. A informação foi divulgada no último dia 17 através da assessoria da
OSX e colocada como “fato relevante”. O contrato previa a construção de 11
navios-tanque até 2017, no valor de R$ 732 milhões de dólares.
Fonte: Folha da Manhã.
Nenhum comentário:
Postar um comentário