Recursos do mensalão reabrem debate sobre ação política do STF
Especialistas afirmam que
embargos declaratórios são bem embasados do ponto de vista técnico, mas não
descartam posicionamento político da Corte na análise dos recursos
O Supremo Tribunal Federal (STF)
viverá, novamente, a dualidade entre julgamento técnico e julgamento político
na análise dos embargos declaratórios dos condenados no mensalão. Especialistas
acreditam que, tecnicamente, os recursos foram extremamente bem embasados, mas
a repercussão do julgamento dos embargos pode fazer com que os ministros tenham
uma postura menos garantista. Nos corredores do Supremo, entretanto, a
expectativa é de que ocorram poucas alterações de penas ou multas aplicadas no
julgamento.
Expectativa no STF é de que
ocorram poucas alterações de penas ou multas do mensalão
Essa dualidade entre a função
técnica e política do Supremo foi uma tônica durante toda a análise da Ação
Penal 470. A comunidade jurídica apontou no mínimo como polêmicas algumas
alterações na jurisprudência relacionada ao Código Penal. Um exemplo foi a
revisão da necessidade do chamado ato de ofício para a condenação do crime de
corrupção ativa. Antes do julgamento, era necessária a comprovação documentada
de uma obtenção de vantagem ilícita para a condenação por esse tipo de crime.
Agora, não mais.
Segundo especialistas, o Supremo viverá novamente
essa pressão para fazer um julgamento político ou técnico no julgamento dos
embargos de declaração. “É muito comum que um tribunal acate embargos de
declaração. Se fosse um caso normal, certamente a Corte acataria. Mas este é um
caso especial”, disse o mestre em Direito Constitucional e ex-assessor especial
do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay. “Mas, se for considerado o aspecto
político, a chance (de os embargos serem acatados) é baixa”, complementou.
Fonte: IG.
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