Em 12 meses até setembro, déficit somou 3,7% do PIB, informa BC. Trata-se do maior patamar desde fevereiro de 2002 (-3,94% do PIB)
As contas externas
brasileiras registraram, nos doze meses até setembro, o maior déficit
em mais de 12 anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (24) pelo
Banco Central. O déficit em transações correntes, que engloba a balança
comercial, os serviços e as rendas – e é um dos principais indicadores
do setor externo brasileiro – ficou em US$ 83,55 bilhões no período. O
resultado é equivalente a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo a série histórica
disponibilizada pela autoridade monetária, trata-se do pior resultado,
em doze meses e na proporção com o PIB, desde fevereiro de 2002, quando o
déficit somou 3,94% do PIB. Economistas avaliam, assim como o próprio
BC, que esta é a forma mais correta de comparação histórica.
Somente em setembro, ainda de acordo com
dados oficiais, o déficit das transações correntes somou US$ 7,9
bilhões – o pior resultado para meses de setembro. No acumulado dos nove
primeiros meses deste ano, o resultado negativo somou US$ 62,73
bilhões, o que representa uma alta de 4% frente ao mesmo período do ano
passado (US$ 60,28 bilhões).
Para todo este ano, a expectativa do Banco Central para o déficit em conta corrente permaneceu em US$ 80 bilhões.
“O crescimento [do déficit em transações
correntes] ocorreu de uma forma mais clara em 2012 e 2013. E chegou a
este patamar de 3,5% [do PIB], agora passando para 3,7% [do PIB]. Mas já
há algum tempo. Acho que o fundamental aqui é olharmos as condições de
financiamento. Continuam confortáveis. O investimento estrangeiro direto
continua afluindo no país em direção a níveis expressivos. Assim, 80%
do financiamento [do déficit em conta corrente] segue feito por
investimento estrangeiro”, declarou Tulio Maciel, chefe do Departamento
Econômico do BC.
Investimentos estrangeiros diretos
O BC informou ainda que os investimentos
estrangeiros diretos somaram US$ 4,2 bilhões em setembro deste ano e
US$ 46,21 bilhões nos nove primeiros meses deste ano. Isso representa um
aumento de 5,6% frente ao mesmo período do ano passado, quando somaram
US$ 43,74 bilhões. O BC manteve em US$ 63 bilhões sua previsão para o
ingresso de investimentos no Brasil em todo este ano.
Os números da autoridade monetária
mostram, portanto, que o resultado negativo da conta de transações
correntes, de US$ 62,73 bilhões na parcial de 2014, não foi, novamente,
“financiado” em sua totalidade pela entrada de investimentos produtivos
na economia brasileira – algo que já aconteceu em 2013 e que, antes disso, não ocorria desde 2001.
Quando o déficit não é “coberto” pelos
investimentos estrangeiros, o país tem de se apoiar em outros fluxos,
como ingresso de recursos para aplicações financeiras, ou empréstimos
buscados no exterior, para fechar as contas.
Economistas alertam, entretanto, que em
um cenário de crescimento menor do PIB e menor disponibilidade de
recursos nos mercados (com a sinalização do fim das medidas de estímulo
nos Estados Unidos), a atratividade da economia brasileira também é
menor, o que pode significar um pouco mais de dificuldade no
financiamento do déficit das contas externas.
O governo tem lembrado, entretanto, que
as reservas internacionais brasilerias, acima de US$ 370 bilhões,
conferem tranquilidade na administração das contas externas brasileiras.
Componentes das contas externas
Dentro da conta de transações correntes, as rendas, que incluem, por exemplo, as remessas de lucros e dividendos ao exterior, registraram um déficit de US$ 27,49 bilhões de janeiro a setembro deste ano – contra um valor negativo de US$ 26,21 bilhões no mesmo período de 2013.
Dentro da conta de transações correntes, as rendas, que incluem, por exemplo, as remessas de lucros e dividendos ao exterior, registraram um déficit de US$ 27,49 bilhões de janeiro a setembro deste ano – contra um valor negativo de US$ 26,21 bilhões no mesmo período de 2013.
Para todo este ano, a expectativa do BC
para o déficit na conta de rendas é de US$ 39 bilhões. As remessas de
lucros e dividendos (parcelas de lucros), por sua vez, somaram US$ 18
bilhões nos nove primeiros meses de 2014, contra US$ 17 bilhões no mesmo
período do ano passado.
De janeiro a setembro de 2014, ainda
segundo informações do Banco Central, a balança comercial brasileira
registrou déficit de US$ 696 milhões, contra um resultado negativo de
US$ 1,76 bilhão em igual período do ano passado. Para este ano, a
previsão do BC para o superávit da balança comercial (exportações menos
importações) está em US$ 3 bilhões.
A conta de serviços, por sua vez, que
engloba os gastos de brasileiros no exterior, registrou um déficit de
US$ 35,63 bilhões nos nove primeiros meses de 2014, contra um resultado
negativo de US$ 34,52 bilhões no mesmo período do ano passado. Para todo
este ano, o BC prevê um déficit de US$ 46,5 bilhões para a conta de
serviços.
Fonte: G1
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