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segunda-feira, 6 de outubro de 2014
O segundo turno mais disputado para presidente
Além da pequena diferença entre Dilma e Aécio, luta pelos
votos de Marina vai esquentar campanha
Caio Barbosa
Rio - O resultado da votação para presidente levará o país a ter a eleição de
segundo turno mais equilibrada de sua história. De um lado, Dilma Rousseff, com
41% dos votos. De outro, Aécio Neves, com 33%. Pela sexta vez consecutiva, o PT
enfrentará o PSDB.
'Hoje, três de cada quatro brasileiros integram
pelo menos a classe C. Esse país mudou.'
Foto:
Divulgação
Dilma e Aécio, desta vez, têm entre si uma diferença de 8 pontos
percentuais, com uma peculiaridade fundamental em relação às outras eleições:
Marina Silva, que com 21% dos votos será o fiel da balança nesta disputa,
considerada imprevisível por analistas políticos.
“A eleição vai ser decidida pelos eleitores de Marina. Parte
considerável deles, em São Paulo está com Aécio. E é o maior colégio eleitoral
do país. Por outro lado, é só São Paulo. Há uma boa parte do eleitorado de
Marina de esquerda no restante do país e que não vota no Aécio de jeito nenhum.
Vai ser uma disputa duríssima”, avalia a cientista política Maria do Socorro
Braga (USP).
Nas duas primeiras vezes em que se enfrentaram, em 1994 e 1998, o PSDB venceu
ainda no primeiro turno com Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, o PT deu o troco
e Lula venceu José Serra no segundo turno de forma confortável (61% a 38%), após
um primeiro turno também relativamente tranquilo (46% a 23%).
Em 2006, a diferença entre Lula e Geraldo Alckmin foi apertada no primeiro
turno (48% a 41%), mas num pleito com candidatos majoritariamente à esquerda,
como Heloísa Helena (Psol) e Cristovam Buarque (PDT) a vitória na segunda etapa
foi mais uma vez por larga vantagem (60% a 39%).
No último embate entre petistas e tucanos, em 2010, Dilma venceu no primeiro
turno por 14 pontos de diferença (46% a 32%) e teve praticamente o mesmo
desempenho no segundo, vencendo por 56% a 43%, uma diferença de 13 pontos. De
acordo com a pesquisadora da USP, o surpreendente desempenho de Aécio no
primeiro turno, com votação muito maior do que indicavam as pesquisas, se deveu
a uma associação de sua campanha às virtudes do governo FHC na área econômica.
'Tenho por Marina enorme respeito e demonstrei durante toda a
campanha'
Foto: Agência O Dia
Especialmente quanto à estabilidade da moeda e na queda da
inflação, muito embora os números do governo petista sejam ainda mais
positivos. “Foi uma estratégia muito bem sucedida e não respondida a contento
por Dilma, apesar dos números favoráveis. Ela terá, agora, o segundo turno para
isso. E o Aécio para dizer de que forma fará estas mudanças que propõe, já que
elas são muito mais próximas do programa do PT do que do PSDB”, diz Maria do
Socorro Braga.
O segundo turno no Brasil foi instituído pela Constituição de 1988
e disputado pela primeira vez no ano seguinte, com a vitória de Fernando Collor
sobre Lula por cinco pontos de diferença.
A onda Marina acabou como marola
A onda em torno de Marina Silva não era uma tsunami, como muitos imaginavam.
Virou marola. Os motivos principais desta perda de força da candidata do PSB
podem estar relacionados menos aos temas políticos e mais aos assuntos
relacionados ao comportamento dos brasileiros, como aborto e união hmossexual
Marina Silva não adiantou qual dos dois candidatos à
presidência vai apoiar neste segundo turno
Foto:
Reuters
“Marina teve um desempenho ruim em temas comportamentais, muito
próximos da sociedade, e isso causou uma insegurança muito grande no eleitor”,
disse a cientista política Maria do Socorro Braga. Tida como representante da
modernidade e do que fez questão de chamar de “nova política”, Marina não
conseguiu se sobrepor nem mesmo a nomes como o do ultraconservador Silas
Malafaia em propostas para a comunidade LGBT, por exemplo. No fim, terminou
apelando a propostas até de 13º salário para os beneficiários do Bolsa-Família.
“Ela não conseguir ocupar um campo à esquerda e caiu para o centro. Sem
posições claras, acabou parecendo muito ambígua, tal qual a velha política que
dizia combater”, analisou Maria do Socorro. A candidata do PSB, que após a
eleição deve tentar mais uma vez criar seu partido, a Rede Sustentabilidade,
teve quase 3 milhões de votos a mais do que em 2010. Há quatro anos, Marina teve
19,6 milhões de votos. Desta vez, pouco mais de 22 milhões.
Marina ainda não decidiu
Em suas primeiras declarações após o resultado das eleições, Dilma Rousseff e
Aécio Neves se consideraram vencedores do primeiro turno. “É a nossa sétima
vitória. Ganhamos duas vezes com Lula em 2002, outras duas vezes em 2006, mais
duas comigo em 2010 e agora esta. Quero agradecer ao povo brasileiro por mais
esta vitória”, disse Dilma Rousseff.
Aécio Neves, por sua vez, se colocou como representante dos votos de
oposição, que somados foram em maior número do que os dados à presidenta. “O
sentimento de mudança foi vitorioso neste primeiro turno e fico honrado de ser o
representante deste sentimento”, disse Aécio Neves.
O candidato do PSDB aproveitou para fazer um afago nos correligionários de
Marina Silva ao homenagear Eduardo Campos, candidato morto em agosto num
acidente aéreo. “Era uma amigo e um homem público honrado. Saberemos juntos
transformar seus sonhos em realidade e agora é hora de unir forças”, disse .
Marina Silva deu pistas de que se manterá neutra no segundo turno. “É uma
tendência”, respondeu, ao ser perguntada sobre se poderia não apoiar qualquer
dos candidatos. A decisão final, porém, ainda não foi tomada. “Teremos um tempo,
que deve levar em conta o sentido de urgência de uma eleição em segundo turno.
Faremos nossas reuniões. Estaremos dialogando entre nós”.
‘Crianças na escola e sem fome’
A votação dos candidatos transcorreu em clima de tranquilidade. Dilma votou
em Porto Alegre e exaltou os 12 anos de governo do PT. “Esse país mudou. E o
nosso projeto é o único que pode continuar fazendo as mudanças”, disse Dilma. A
presidenta destacou a primeira geração de crianças que foi à escola e que não
passou fome. Aécio Neves votou em Belo Horizonte, e estava otimista em relação a
sua presença no segundo turno. Preferiu, no entanto, a cautela no discurso, até
por saber que precisarará do apoio de Marina.
“Tenho por ela enorme respeito e demonstrei durante toda a campanha. Disputa,
assim como eu, a oportunidade de representar a mudança no país”, elogiou
Aécio. No Acre, Marina votou sorridente e repetiu críticas ao governo petista,
como fez durante a campanha. “Dilma está entregando o país pior do que
encontrou. Nós vamos ganhar, coerentes com princípios e propostas. Estamos
confiantes”, disse Marina.
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