As mudanças de formato, como telões ao ar livre transmitindo as mesas da programação principal e o show de abertura com a cantora Gal Costa, pela primeira vez gratuito, são exemplos da busca de maior integração com os espaços públicos, disse o diretor do evento, Mauro Muñoz. “Cada vez mais fomos distribuindo esse acesso, pensando em como a cidade funciona, pois é uma cidade onde é muito bom fruir os espaços urbanos.”
Integrante do conselho diretor e diretora executiva da Flip, Izabel Costa Cermelli, que é paratiense, percebeu nas ruas que a nova arquitetura retomou o espírito da primeira Flip e mudou a relação da cidade com o evento. "O público se sentiu mais à vontade para se aproximar e participar das instalações – essa nova arquitetura retomou o espírito da primeira Flip, ao revelar que esse resultado é fruto também das manifestações de rua do ano passado, que levaram a organização a refletir sobre o grau democracia do evento, de abertura e acesso aos conteúdos.
"Terminei esta Flip com um gosto diferente das Flips anteriores. Lembrou-nos o que era aquele sonho no começo, o que queríamos para Paraty e para esse evento e ela trouxe esse gosto de volta", acrescentou Izabel.
O curador da Flip, Paulo Werneck, chegou a brincar dizendo que esta foi a "Flip das Flips", parafraseando expressão usada pela presidenta Dilma Rousseff ao se referir à Copa do Mundo no Brasil. "com a diferença de que nós saímos ganhando", disse ele. "A Inovação foi a marca desta edição. "A tenda inovou, os telões inovaram, o design gráfico”, afirmou Werneck, ao ressaltar novos formatos também da programação e núcleos de discussão, como as questões indigena e da Amazônia. “Conseguimos oferecer muitos ângulos e portas de entrada para o público, que participou da festa como protagonista." Para o curador, com o êxito deste ano, o formato das tendas anteriores tornou-se obsoleto.
A página oficial da Flip na internet teve cerca de 1 milhão de acessos. Cerca de 60 mil pessoas se inscreveram na página do evento nas mídias sociais. E, pela primeira vez, o áudio de todas as mesas estará em breve disponível na íntegra no YouTube.
Outra novidade, a "fila do último minuto", que vendia ingressos para assentos não ocupados, também contribuiu para o sucesso de público de todas as 23 mesas da programação oficial. "Muita gente compra vários ingressos com antecedência, mas nem sempre dá conta de assistir a todas as mesas", explicou Muñoz. “Ao longo desses 12 anos, aprendemos a lidar com isso. Então, ficou tudo muito bem distribuído e foi uma boa conquista.”
O empresário Pedro Herz, que esteve em todas as edições do evento, elogiou a iniciativa deste ano de disponibilizar telões e espaços gratuitos, mas criticou os altos preços da hospedagem na cidade nesse período. "É preço de hotel cinco estrelas em Nova York. Aqui é tudo muito caro para o que é oferecido."
Pela primeira vez na Flip, a médica e professora universitária Alexandra Prufer Araújo ficou encantada com a festa. "Aqui temos oportunidade de mergulhar também nos autores, além dos livros. Adorei os telões nas praças, pois dão oportunidade às pessoas de ter acesso aos atores de forma gratuita e democrática, de entender como eles escrevem, como pensam, como obtêm suas experiências. Achei fantástico”, disse Alexandra, que pretende voltar e trazer "pessoas queridas".
Durante os cinco dias de evento, foram oferecidas mais de 200 atrações entre shows, lançamentos de livros, peças de teatro, mesas de debates e filmes. Os organizadores estimam que mais de 26 mil pessoas tenham passado pela festa em Paraty.
Fonte: Agência Brasil
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