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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Dilma convoca ministro para resolver disputa pela água
Ação que questiona medidas adotadas pelo governo de São
Paulo chega ao STF
Rio - A “guerra” da água entre Rio e São Paulo deixou de ser uma disputa
regional e virou um problema nacional. A presidenta Dilma Rousseff convocou o
ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para uma conversa e pediu que ele
busque uma solução negociada entre as partes, segundo informação exclusiva
obtida pelo DIA. Uma reunião oficial será marcada para a próxima semana.
Uma intervenção mais direta do governo federal já tinha sido cogitada
anteontem pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes
Chipp. Segundo ele, tanto a Presidência, quanto os ministérios de Minas e
Energia (MME) e de Meio Ambiente poderiam chegar a tomar parte no conflito. O
impasse, que se estende há 11 dias, não só avançou ao topo do Executivo, como
chegou também à instância máxima do Judiciário.
Uma ação civil pública será julgada pelo Supremo Tribunal Federal para que a
União, a Agência Nacional das Águas (ANA), o Ibama, e o governo de São Paulo
impeçam qualquer tentativa concreta de desviar, reter ou transpor (integral ou
parcialmente) as águas do Rio Paraíba do Sul para o sistema Cantareira, que
abastece a capital paulista, até que se apresentem estudos e se reúnam todas as
partes envolvidas.
Retenção das águas dos afluentes do Paraíba do Sul pode
provocar colapso no abastecimento no Rio
Foto: Helen Souza /
Folha da Manhã / Agência O Dia
A ação seria julgada pela Justiça Federal em Campos, mas o juiz da
2ª Vara Federal disse ontem que considera a disputa um conflito entre estados, e
que cabe ao STF decidir.
O autor da ação, procurador Eduardo Santos, do Ministério Público Federal de
Campos, aponta que o governo paulista insiste, desde 2010, no projeto de
transpor as águas do Paraíba do Sul, mudando apenas a forma de apresentar o
projeto: “Com a redução da vazão, São Paulo descumpriu recomendação que o MPF
fez quatro anos atrás para não diminuir o volume para o rio, na época em que
eles pleiteavam a transposição. O governo está fazendo um jogo de palavras. A
atitude é inconstitucional”.
A Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que mantém vazão mínima do Rio
Jaguari para o Paraíba do Sul, e descumpre determinação da ANA, tem até
segunda-feira para apresentar laudos que comprovem a urgência da medida, podendo
ser multada em até 2% de sua receita anual.
Inquérito vai apurar crime ambiental
O Ministério Público Federal do Rio pediu nesta quinta ao Operador Nacional
do Sistema Elétrico (ONS) mais informações sobre a baixa vazão mantida na
represa do Rio Jaguari, que diminui o volume de água que chega ao Rio Paraíba do
Sul, principal fonte de abastecimento do Rio.
Os documentos servirão como provas para o Inquérito Civil Público que vai
investigar crimes ambientais relacionados à manutenção da vazão mínima, com
reflexos no fornecimento de água em 41 municípios, 15 em São Paulo e 26 no Rio.
O procurador Sérgio Suiama, responsável pelo inquérito, receberá hoje os
documentos.
Fonte: O Dia
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