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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Homem apontado por tráfico como miliciano teve o coração arrancado no Itanhangá
Barbárie fez guerra explodir no Morro do Banco
Rio - Há tempos, a disputa entre traficantes e milicianos pelo controle do
Morro do Banco, no Itanhangá, é marcada por rastro de pavor e sangue. Segundo
moradores, a guerra explodiu quando um homem de 31 anos, há pouco mais de três
meses, foi assassinado pelo tráfico, que acusava a vítima de envolvimento com a
milícia. Pessoas suspeitas de ligação com os paramilitares também foram expulsas
da região. Na segunda-feira, a polícia prendeu suspeito de atuar na favela,
Wilson Michael Costa Soares, o Gordão.
Segundo testemunhas, a vítima teria sido roubada perto da comunidade, tendo a
moto e pertences levados. Quando o homem ligou para o próprio celular,
traficantes do Comando Vermelho, que tomaram o Morro do Banco dos milicianos,
exigiram R$ 5 mil para devolver os bens. Logo depois, ao chegar à favela, a
vítima do assalto, que estaria armada, teria sido reconhecida pelo traficante
conhecido como Gavião e apontada como integrante de milícia.
Ele então foi morto a mando dos traficantes conhecidos como Flamengo e
Carequinha, este último preso em maio. Antes de o corpo ser mutilado, o coração
do homem foi arrancado e exibido na comunidade como exemplo aos que decidissem
apoiar os milicianos. Já a moto roubada, vista durante alguns dias com Flamengo,
foi queimada.
Desde maio, polícia faz operações constantes no Morro do
Banco
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
“Depois da morte, as operações se tornaram frequentes e o clima com
os milicianos ficou ainda pior. O pessoal da PM e da (Polícia) Civil passou a
subir quase que diariamente. Além disso, a milícia, para tentar retomar o
espaço, também planejou vários ataques. Só que o Flamengo e o LC (outro
traficante), que ainda comandam as bocas de fumo na região, usam a mata para
fugir para o Borel, na Tijuca. Com isso, quem fica de frente na comunidade são
garotos vindos de outros bairros do Rio”, contou um morador, sem se identificar.
Policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca) investigam o caso, registrado
inicialmente como desaparecimento. Em junho, restos mortais, que podem ser da
vítima, foram encontrados na comunidade. O resultado do exame de DNA ainda não
ficou pronto. A delegacia também investiga suposto auto de resistência que
envolve policiais civis na favela, que culminou com a morte de Allyson Fernando
Silva de Lima. Três agentes são suspeitos de efetuarem disparos após renderem a
vítima. Em vídeo divulgado pelo ‘Extra’, o jovem, de 23 anos, aparece com as mão
levantadas antes de ser atingido.
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