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quarta-feira, 13 de agosto de 2014
SP pode provocar colapso no abastecimento de água do Rio
Rio - Mais de doze milhões de moradores de 26 municípios fluminenses poderão
ficar sem água no final de outubro. O risco de colapso no abastecimento de água
em cidades do Rio e São Paulo é um alerta do Operador Nacional do Sistema
Elétrico (ONS), caso o governo paulista continue represando volumes do Rio
Jaguari,um dos afluentes do Rio Paraíba do Sul, acima do permitido pelo governo
federal.
Segundo informação obtida pelo DIA , no dia 28 de outubro,
as cidades do Norte e Sul Fluminense, incluindo Região Metropolitana e Baixada,
sofreriam o problema caso a estiagem no Sudeste continue. Para evitar a crise no
abastecimento, São Paulo deve triplicar o volume de vazão do Jaguari para o
Paraíba do Sul dos atuais 10 metros cúbicos (m³/s) por segundo para 30 m³/s. O
nível antes da crise era de 40 m³/s.
“A questão central não é o risco de faltar energia elétrica no Rio, mas a
possibilidade bastante grande de desabastecimento de água nas cidades do Rio e
São Paulo”, ressalta o diretor-presidente da Agência Nacional das Águas (ANA),
Andreu Guillo.
O Rio Paraíba do Sul está com o nível mais baixo, por
causa de uma manobra da Cesp, a empresa de energia de SP, que está represando
água
Foto: Helen Souza / Folha da Manhã / Agência O
Dia
Um ofício do Instituto Nacional do Ambiente (Inea) à ANA e Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirma a apreensão das autoridades. No
documento, declara uma “profunda preocupação” com a segurança hídrica dos 17
municípios fluminenses que dependem exclusivamente do Paraíba do Sul. A
justificativa do governador Geraldo Alckmin é que a vazão precisa ser mantida
para abastecer o município de Santa Isabel, que correria o risco de ficar sem
água. Técnicos da ANA, porém, não constataram nenhum problema nos reservatórios
da cidade, de 50 mil habitantes.
A agência deu cinco dias para que a Companhia Energética de São Paulo (Cesp)
apresente laudos técnicos que comprovem a necessidade de baixar a vazão. Por não
ter cumprido ordem da ONS, a empresa e o Departamento de Água, Esgoto e Energia
de São Paulo terão 15 dias para se justificar. Após o prazo, a Cesp pode ser
multada em até 2% da sua receita anual. Para Hélio Vanderlei, ex-diretor do
Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, a medida foi uma estratégia do
governo paulista. “São Paulo diminuiu a vazão para fazer volume no reservatório
e socorrer o sistema Cantareira”, analisa.
De cada 10l captados, 4l se perdem
O drama da falta d’água enfrentado hoje pelos paulistanos será o de amanhã
para os fluminenses se, até março, nada for feito para recuperar o volume dos
reservatórios do Sistema Cantareira que abastece São Paulo. “Se nos próximos
sete meses, o abastecimento não for normalizado pelas chuvas, a crise será no
Rio”, alerta Hélio Vanderlei, gerente de Políticas Públicas da Ong Onda Verde.
Segundo ele, tanto Rio quanto São Paulo não montaram plano B para não
depender exclusivamente do Guandu e do Cantareira. “São Paulo deveria ter
racionado o consumo de água há um ano. O Rio também terá que fazer”, advertiu o
ambientalista, lembrando que, de cada 10 litros captados no Rio, quatro ficam
pelo caminho. As populações mais afetadas serão as do Sul e do Norte Fluminense.
“É como uma mangueira com 100 litros d’água. Quando diminui o volume, alguém na
ponta vai ficar sem”.
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