Objetivo da campanha é esclarecer a população sobre como se prevenir da doença
Higiene pode ser a receita simples, mas
eficaz, para evitar que os homens sofram com uma doença que, além de
incapacitá-los fisicamente, pode terminar aniquilando a sua vida em
termos psicológicos. Para prevenir a doença, a Sociedade Brasileira de
Urologia (SBU) promove de 27 a 29 de setembro a Campanha de Câncer de
Pênis Zero, em parceria com o Instituto Lado a Lado pela Vida (clique aqui e assista ao vídeo da campanha).
O padrinho da campanha é o ex-jogador de
futebol Zico, atual técnico do Al Gharafa, do Catar, que se ofereceu
como voluntário. As ações ocorrerão nas cidades de João Pessoa, na
Paraíba, do Recife e de Garanhuns, em Pernambuco; Fortaleza e Reriutaba,
no Ceará, além de Teresina, no Piauí. Na próxima semana, cidades da
Bahia serão incorporadas à campanha.
Segundo disse à Agência Brasil o
presidente da SBU, Aguinaldo Nardi, a maior incidência do tumor ocorre
nas regiões Norte e Nordeste e está associada não só à baixa condição
socioeconômica das populações locais, mas também à falta de higiene e de
conhecimento.
Ele informou que as populações menos
favorecidas são as que mais têm câncer de pênis. “São as mais excluídas
da informação e aquelas que são mais difíceis de chegar ao médico
também”. Em geral, os homens moram longe dos centros médicos adequados.
“É preciso melhorar o acesso da população ao urologista”.
O tumor de pênis é raro, ao contrário do
câncer de próstata, que apresenta 60 mil novos casos por ano.
Entretanto, a média de 1,6 mil amputações anuais, por câncer de pênis, é
considerada elevada pela SBU. “Porque é uma doença que incapacita
muito. É uma doença que aniquila o homem na sua concepção exata, não só
na sua anatomia, mas na sua vida”.
Nardi esclareceu que o câncer de pênis é
evitável. Para isso, basta que o homem tenha uma higiene adequada da
área genital. “Ou seja, água e sabão. Lavando o pênis todo dia, não há
problema de ter câncer de pênis”.
Outra providência é evitar doenças
sexualmente transmissíveis com o uso de preservativo, a conhecida
camisinha. “É sabido que o HPV, que é o vírus do papiloma humano, está
ligado ao câncer de pênis”. Lembrou, ainda, que a presença de fimose,
quando a pessoa não consegue expor a glande, isto é, a cabeça do pênis, é
um fator de risco para câncer de pênis.
A prevenção deve começar na infância,
recomendou o presidente da SBU. Cabe à família e aos pais, inicialmente
e, depois, à escola, orientar os meninos quanto aos procedimentos que
devem ser adotados para uma adequada higiene. Nardi destacou que a
doença é um problema social e de educação. “A gente precisa concentrar
esforços de toda a sociedade organizada ou não, Estado e entidades, para
que se possa levar a informação às pessoas mais carentes. Aos excluídos
da informação”.
Índia, Egito e alguns lugares da África
apresentam maior incidência da doença. Na Índia, por exemplo, a taxa é
3,32 casos a cada 100 mil habitantes. A menor incidência, próxima a
zero, é encontrada nos judeus nascidos em Israel. Aguinaldo Nardi
destacou que no Brasil, algumas cidades do Norte e Nordeste têm
incidência semelhante à da Índia, do Egito e da África.
“Não são poucos os casos da doença. A
gente tem muito o que fazer. É que [o problema] é mais concentrado no
Norte e no Nordeste do que na Região Sudeste ou na Sul. É importante que
a gente atue nesses locais, onde a incidência é tão grande como nos
países de maior incidência do mundo”.
Participam da campanha 100 urologistas
voluntários, que moram nas capitais ou cidades do interior, além de
outros especialistas que estão aderindo graças a convênio que a SBU e as
Forças Armadas. “Estão indo para colaborar no atendimento aos
pacientes, na informação à população e na realização de cirurgias de
fimose”.
A campanha deve se estender até o final
do ano nos locais de incidência elevada de câncer de pênis. A SBU se
prepara para promover nova campanha com o mesmo objetivo, em 2014. “A
gente vai insistir nisso, porque sabemos da importância de uma amputação
para o brasileiro”.
No portal da SBU, os interessados poderão
tirar dúvidas sobre a doença. O principal sintoma de alerta é o
aparecimento de uma ferida que não cicatriza, disse Nardi. “Toda ferida
no pênis que não cicatriza revela importância de procurar um médico para
saber o que é. Pode ser um câncer de pênis”.
O presidente da SBU informou que na fase
inicial a doença exige uma cirurgia pequena. Significa que existe uma
possibilidade elevada de cura. “Quanto mais cedo fizer o diagnóstico de
câncer de pênis, menor é o tratamento, menor é a invasão do tratamento
cirúrgico”.
Quem estiver interessado em fazer o exame
urológico, tirar dúvidas e obter encaminhamento para seu caso, sendo
cirúrgico ou não, deverá procurar os hospitais participantes da
campanha. No dia 27, estão programados para atendimento o Instituto
Médico Integrado Professor Antônio Figueira, no Recife, e o Hospital São
Marcos, em Teresina. No dia 28, os urologistas que fazem parte da
campanha atenderão no Hospital Municipal Santa Isabel e no Centro Médico
em Praça Caldas Brandão, em João Pessoa; no Hospital Dom Moura, em
Garanhuns (PE); na Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza; e no
Hospital Rita do Vale Rego, em Reriutaba (CE).
* com informações da Agência Brasil
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