Contratação de uma empresa para avaliar estudantes revolta professores do município
Rio - Em meio a uma greve de professores que já
dura 27 dias e tem como principal impasse o reajuste salarial, a
Secretaria Municipal de Educação (SME) contratou uma empresa particular
por R$ 9,4 milhões para avaliar o desempenho em Português e Matemática
de 342 mil estudantes das escolas da Prefeitura do Rio. O nome da
vencedora do pregão eletrônico — Consulplan Consultoria e Planejamento
em Administração — foi anunciado nesta segunda-feira no Diário Oficial
do Município.
Professores da rede municipal estão em greve desde 8 de agosto
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
A empresa ganhou duas licitações. A primeira,
no valor de R$ 3 milhões, para aplicar e corrigir a prova Alfabetiza Rio
para 52 mil alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental. Pela segunda,
a Consulplan receberá R$ 6,4 milhões para avaliar 290 mil estudantes do
terceiro, do quarto, do sétimo e do oitavo ano através da Prova Rio.
A secretaria informou que o valor pago
refere-se à elaboração das provas, impressão, distribuição, aplicação e
correção das avaliações por dois anos. Previsão é que as avaliações
sejam em novembro de cada ano.
Acompanhamento
Segundo a secretaria, as provas permitem
acompanhar os avanços na aprendizagem dos alunos e contribuem para
cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação no Rio (IDE-Rio), base
de cálculo para as metas estabelecidas para o pagamento do Prêmio Anual
de Desempenho.
Nas redes sociais, professores criticaram o gasto. “A secretaria é uma fonte inesgotável de dinheiro para empresas”, postou um professor.
Nas redes sociais, professores criticaram o gasto. “A secretaria é uma fonte inesgotável de dinheiro para empresas”, postou um professor.
Segundo a coordenadora do Sepe, Gesa Linhares, o
contrato milionário deixa a categoria mais revoltada. “Para antecipar
8% de reajuste previsto no plano de cargos, a prefeitura não tem
dinheiro, mas para empresas sempre há verbas milionárias”, diz.
A Consulplan alegou que venceu a licitação por
“apresentar o menor preço e excelente capacidade técnica para realização
do serviço, que envolve grande estrutura humana, física e de
materiais”.
TJ determina suspensão da paralisação
O desembargador Antônio Eduardo Duarte, do
Órgão Especial do Tribunal de Justiça, determinou ontem a suspensão
imediata da greve de professores. De acordo com a decisão, todos os
filiados ao Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino do Rio (Sepe)
devem retomar suas atividades ‘no prazo máximo de 48 horas’.
Caso isso não ocorra, o Sepe pode receber multa
de R$ 200 mil por dia de descumprimento, em favor do Fundo Municipal de
Educação. Na noite desta segunda, a direção Sepe informou que só iria
se manifestar após receber a notificação da Justiça, o que não havia
ocorrido.
Categoria se reúne nesta terça-feira
Professores da rede municipal voltam a se reunir nesta terça-feira, às 14h, em assembleia geral, para decidir os rumos da greve, iniciada no dia 8 de agosto. Após o encontro, nos Arcos da Lapa, a categoria promete sair em passeata até a Câmara de Vereadores, na Cinelândia, para exigir a instalação da CPI do Fundeb.
Além do reajuste, professores reivindicam autonomia pedagógica nas escolas, redução do número de alunos por turma, já a partir do ano que vem, e apresentação de um cronograma que garanta a implementação de parte da carga horária para planejamento das aulas. A rede estadual, que também está em greve, fará assembleia nesta quarta-feira.
Fonte: O DIA.
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