Dezenas de professores da rede municipal
estão acompanhando de perto a sessão da Câmara de Campos. Cientes da
colocação em pauta de um projeto que prevê uma gratificação de 10%, os
professores reivindicam um reajuste maior e apresentam uma extensa pauta
de reivindicações.
Com cartazes, roupas pretas e nariz de palhaço, as professoras querem mostrar que o gigante continua acordado.
Um dos cartazes faz uma pergunta a vereadora Auxiliadora Freitas (PHS): “Auxiliadora: você defende o povo ou o governo?”
Olhando na direção das manifestantes,
Auxiliadora respondeu: “Estou ao lado dos dois”. Sem perder tempo, a
professora rebateu: “Neste debate a senhora precisa escolher um lado”.
Outros cartazes dizem: “Troco 10% de regência por 10% do teto dos vereadores”.
“10% nós deixamos para os garçons”.
“Cansei de migalhas, quero 100% de aumento no meu piso”.
“Rosinha, me chama de Cepop e investe em mim”.
Visivelmente irritadas, muitas professoras avisam: “não vamos aceitar migalhas”.
Atualização às 18h16 – Neste momento a
sessão foi interrompida para que as comissões analisem os projetos.
Vendo que os professores protestavam contra a interrupção, o presidente
da Câmara, Edson Batista, disparou: “Se não conhecem o regimento,
paciência”.
Atualização às 18h50 – Neste momento
vereadores debatem sobre a gratificação dos professores. Para o vereador
Rafael Diniz (PPS), a Câmara deveria ter ouvido os professores. “Como
podemos mudar a dura realidade da Educação sem ouvir os professores?”,
indagou Diniz.
O vereador Marcão (PT), filho de
professora da rede municipal, fez um desafio. “A maior parte dos
salários dos professores é paga com recursos federais. O aumento de 100%
é possível e desafio os gestores a debater comigo cada centavo do
Fundeb”, disparou Marcão.
A vereadora Auxiliadora Freitas tentou
usar a tribuna para defender o governo e os professores. Ela afirmou que
sempre lutou pela classe. Porém, os educadores vaiaram a vereadora e
deixaram o plenário gritando. “É ou não é piada de salão, tem dinheiro pro Cepop e não tem para a Educação”.
Dando prosseguimento aos debates, a
vereadora Auxiliadora criticou Marcão. “Ele fala em 100% de aumento.
Isso não tem cabimento. Ele poderia ter dado sugestões nos debates da
comissão de educação. Mas ele não aparecia nas reuniões”, disse
Auxiliadora.
Segundo Marcão, Auxiliadora jogou para a
galera e estava desesperada. “Ela sabe que sou funcionário público
federal e as reuniões foram marcadas no momento do meu trabalho”,
justificou Marcão.
Aprovado — Com os votos contrários da bancada de oposição, foi aprovada a criação da gratificação por regência de classe para os professores da rede pública municipal. De acordo com os oposicionistas, faltou diálogo do governo municipal com os professores.
Fonte: Folha da Manhã
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