Na tarde deste domingo (9), o advogado
Jonas Tadeu e o estagiário Marcelo Mattoso prestaram assistência
jurídica a Fábio Raposo, preso por admitir ter entregado a outro homem
o rojão que atingiu e feriu o cinegrafista da TV Bandeirantes, na última quinta-feira (6), durante manifestação no Centro do Rio de Janeiro.
Mattoso recebeu uma ligação e a conversa
foi ouvida pelo delegado que investiga o caso, que pediu ao estagiário
que registrasse em depoimento o que foi falado nessa ligação. A Polícia
Civil elaborou um registro chamado “Termo de Declaração”, em que Mattoso
afirma que uma ativista informou que o homem
que acendeu o rojão era ligado ao deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL. O deputado negou a acusação.
Veja o que diz o documento que está
registrado na delegacia: “O estagiário Marcelo Mattoso, inquirido, disse
que na data de hoje trabalhava como estagiário do Dr. Jonas Tadeu,
durante a formalização do cumprimento do mandado de prisão de Fábio
Raposo. Que logo após Fábio Raposo ter chegado à delegacia, recebeu em
seu celular pessoal duas ligações de uma ativista e manifestante que se
identificou como Sininho. E que ela perguntou se o advogado estava
precisando de ajuda, pois teria advogados criminalistas à disposição. E
que estaria indo com um grupo de manifestantes para a porta da delegacia
para se manifestar como ativistas”.
Em seguida o estagiário passou o
telefone para o advogado Jonas Tadeu. Segundo a declaração, “a ativista
informou ao advogado que o rapaz que acendeu o artefato que atingiu o
jornalista era ligado ao deputado estadual Marcelo Freixo”.
Em seguida, aparece uma frase truncada
no documento. O texto diz que “o deputado teria à disposição de Fábio
Raposo, caso ele precisasse”. A reportagem ligou para o advogado Jonas
Tadeu, que esclareceu: segundo ele, Marcelo Freixo teria advogados à
disposição de Fábio Raposo. No fim do documento, está escrito que “Fábio
Raposo já estava sendo assistido pelo doutor Jonas Tadeu e que o
auxílio não se fazia necessário”.
Ativista foi até a porta da delegacia
Elisa Quadros confirmou que ligou para o estagiário, mas negou que tenha oferecido ajuda
O nome da ativista Sininho é Elisa
Quadros. De fato, ela apareceu hoje na delegacia e houve um tumulto na
chegada dela. Sininho chamou os jornalistas de carniceiros.
Um dos ativistas foi agredido por um cinegrafista ao ouvir dele a frase “tomara que os próximos sejam vocês”.
Elisa Quadros, conhecida como Sininho,
deu entrevista na porta da delegacia. Ela confirmou que ligou para o
estagiário Marcelo Mattoso, mas negou que tenha oferecido ajuda. “Liguei
para o Marcelo”, disse. A ativista explicou por que fez a ligação.
Disse que tinha falado com os pais de Fábio Raposo. “Liguei porque a
gente falou com os pais dele, com a mãe dele e a gente queria saber o
que estava acontecendo”, disse.
Questionada pela reportagem se havia
feito alguma oferta, Sininho negou. “Não fiz oferta nenhuma”. Perguntada
se ela propôs ajudar, ela disse que sim, mas negou que a ajuda fosse
jurídica. “Mas não de forma jurídica, porque não sou advogada. Tem os
advogados das manifestações, do movimento da DHHC e a gente queria saber
quem estava assistindo ele e que a gente poderia acionar os advogados
que inclusive já sabem do caso. E o Marcelo, assistente, falou que não
precisava e pronto. A gente veio aqui para saber o que estava
acontecendo”, afirmou.
Deputado se disse surpreso
Marcelo Freixo é deputado estadual pelo
PSOL. Por telefone, se disse surpreso e contou que desconhecia o
ocorrido. Depois de ler o termo de declaração prestado na delegacia pelo
estagiário, concordou em gravar entrevista.
Marcelo Freixo afirmou que não conhece Fábio Raposo nem o homem
que lançou o rojão que feriu o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade.
“Se qualquer manifestante ligou para
alguém e disse que a pessoa que jogou a bomba tem algum laço comigo, vai
ter que provar isso. Se não provar, seja quem for, será processado por
isso. Agora tem que realmente confirmar se disse isso. Até agora há uma
versão de um advogado, que não sei quem é, afirmando que num determinado
telefonema alguém disse isso. Isso tudo é muito suspeito, num momento
que isso precisa ser apurado porque não sei quais interesses poderiam
estar por trás dessa informação”, disse o deputado.
O deputado confirmou que recebeu uma
ligação da ativista Sininho na manhã deste domingo. Segundo o deputado
ela teria dito “que havia risco, medo de que ele [Raposo] fosse
torturado nas prisões. Pedindo ajuda caso fosse torturado. Evidentemente
que nem ele nem ninguém pode ser torturado e isso a gente acompanha.
Agora daí uma denúncia de que haveria ligação com quem jogou a bomba vai
uma distância enorme. Tanto o advogado quanto ela vão ter que prestar
depoimento e vão ter que comprovar o que estão dizendo, se é que
realmente disseram isso”, complementa.
‘É preciso fazer acareação’, diz advogado
Em entrevista à Globo no começo desta
noite, o advogado Jonas Tadeu e o estagiário Marcelo Mattoso confirmaram
as informações que constam no termo de declaração. “Essa moça que eu
não conheço perguntou meu nome. Eu dei o nome e ela alegou que estava
ligando a mando do deputado e oferecendo uma equipe de criminalistas pra
defender o rapaz, o Fábio. E que o outro menino também era companheiro
dela. Foi isso que aconteceu”, disse Jonas Tadeu.
Questionado pela reportagem se Sininho
afirmou que o rapaz que detonou o rojão era ligado ao deputado, o
advogado afirmou: “ela disse que o rapaz que estava junto com Fábio era
ligado ao deputado. Não estou afirmando que o deputado declarou isso.
Acho que foi à revelia dele, acho que ele não tem conhecimento disso,
acho que usaram o nome dele”.
Os advogados disseram que se for
preciso, fazem uma acareação com a ativista Sininho. “É a minha palavra
contra a dela. É uma questão de acareação. Eu estou afirmando pra você a
verdade”, disse.
Delegado quer ouvir depoimento da ativista
Em entrevista por telefone, o delegado
Maurício Luciano, que investiga o caso, confirmou as circustâncias em
que o termo de declaração foi prestado pelo estagiário Marcelo Mattoso.
“O que aconteceu é que durante o
depoimento do Fábio, o estagiário do escritório do advogado que o
representava recebeu um telefonema em que ele diz que a interlocutora
era a Sininho, uma suposta manifestante já conhecida. E ele me disse que
o diálogo era que ela estava noticiando alguma coisa envolvendo o
Fábio. Que estava ali porque iria prestar solidariedade ao Fábio e oferecer
assistência jurídica, dizendo que estaria ali representando uma pessoa,
um deputado, Marcelo Freixo, e reportou isso pra mim”, disse o
delegado.
O delegado disse que vai convocar a
ativista Sininho para depor. “Nós aproveitamos que ela estava nas
imediações da delegacia e intimamos para prestar depoimento na
terça-feira (11). Vamos fazer a oitiva da Sininho pra ver se ela
confirma ou não aquilo que o estagiário afirma que ela teria dito”.
O delegado afirmou também que não descarta ouvir o deputado Marcelo Freixo.
“Nós temos só a declaração de um
estagiário, portanto, é tudo muito inicial pra gente fazer qualquer
juízo de valor. Essa declaração dele foi de uma maneira genérica, sem
explicar que tipo de ligação seria essa. Se profissional, pessoal ou
apenas teriam se encontrado em manifestações. Portanto, é muito
prematuro fazer qualquer tipo de afirmação, se há ligação ou se não há.
Por isso que os depoimentos são importantes e o da Sininho, na
terça-feira, será fundamental para esses esclarecimentos”, concluiu.
Na noite de domingo (10), o deputado
Marcelo Freixo disse, em rede social, que o advogado Jonas Tadeu Nunes
defendeu o ex-deputado estadual Natalino José Guimarães, que foi
denunciado na CPI das Milícias, presidida por Freio. O advogado afirmou
ao jornal “O Globo” que defendeu Natalino apenas no processo de cassação
do mandato na Assembleia Legislativa do Rio.
Fonte: G1
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