Manifestantes
em confronto com policiais no centro de Kiev, na manhã desta
quarta-feira (19). O número de mortos na ocasião era de 25, no até então
dia mais violento desde o início dos protestos
Cerca de 100 pessoas morreram nesta
quinta-feira (20) em Kiev no dia mais sangrento dos protestos contra o
governo, relata o jornal francês ‘Le Monde’. O chefe do serviço médico
que atua na Praça da Independência confirma o número de mortes e relata
que cerca de 500 pessoas estão feridas. Enquanto o clima em Kiev está
próximo de uma guerra civil, no Parlamento, o deputado Siatoslav
Khanenko, do partido opositor Svoboda (Liberdade), denunciava que “as
forças de segurança estão utilizando balas de combate comuns e
antiblindados, disparando para matar”.
Mais de uma dezena de corpos de manifestantes foram levados para a recepção do hotel
Ukrania, na Praça da Independência. Segundo as agências de notícias, os
corpos estão cobertos com lençóis e são guardados por profissionais de
saúde que atendem os manifestantes feridos. Os ativistas opositores
asseguram que no alto do hotel está um franco-atirador e que ele é um
dos que disparam contra os manifestantes. Os feridos são encaminhados ao
hotel, que se transformou em uma espécie de hospital de campanha para
os opositores. Não há ainda um número oficial de vítimas fatais e
feridos do Ministério da Saúde ucraniano.
Um manifestante corre em chamas durante confronto com a polícia
Centenas de opositores radicais
obrigaram a tropa de choque, que cercava a Praça da Independência, a
recuar. Manifestantes com capacetes e escudos e armados de paus e
coquetéis molotov tomaram o controle da Praça Europa, junto ao começo da
rua Grushevski, onde se encontra a sede do governo. O Ministério do
Interior informou que ao menos 67 policiais são mantidos reféns pelos
manifestantes em Kiev.
Diante da tragédia, o prefeito de Kiev
anunciou que abandonou o partido do presidente Viktor Yanukovich como
forma de protesto. “Estou disposto a tudo para deter a luta fratricida e
o banho de sangue no coração da Ucrânia, na Praça da Independência”,
disse Volodimir Makeienko. “A vida humana deve ser o valor supremo de
nosso país, e nada deve contradizer este princípio”, acrescentou o
prefeito.
Pelo lado do governo, o ministro do
Interior, Vitali Zakharchenko, ordenou que os manifestantes entreguem
suas armas de combate aos soldados da polícia. “No marco das ações do
Centro Antiterrorista estamos assinando os correspondentes decretos: que
sejam entregues armas de combate às forças de segurança”, afirmou
Zakharchenko em mensagem dirigida à nação.
Negociações diplomáticas
Autoridades da União Europeia (UE) estão
em Kiev e pressionarão o presidente Yanukovich a realizar eleições
antecipadas. É uma tentativa de melhorar a situação no país e diminuir a
violência. Na manhã desta quinta-feira, o ministro de Relações
Exteriores francês, Laurent Fabius, disse que não via outra opção a não
ser a realização de novas eleições. “Quando temos uma situação travada
como esta, precisamos nos voltar ao povo”, disse.
Pressão russa
Diante da presença dos emissários
europeus em Kiev, a Rússia alertou Yanukovich para não se tornar “um
capacho” sob os pés dos seus oponentes, num claro sinal de que Moscou
deseja a volta da ordem no país vizinho antes de entregar mais dinheiro
.
Em meio a um cabo-de-guerra com o Ocidente na disputa por influência
sobre a Ucrânia, Moscou elevou o cacife da aposta ao vincular
explicitamente a liberação de um crédito de 2 bilhões de dólares ao fim
dos protestos.
O primeiro-ministro russo, Dmitry
Medvedev, disse que só pode lidar com “autoridades legítimas e efetivas,
com uma liderança na qual as pessoas não fiquem esfregando os pés feito
um capacho”. É uma imagem poderosa no sentido de revelar como o Kremlin
recrimina o presidente ucraniano por ter cedido terreno aos
manifestantes no centro de Kiev.
Fonte: Veja
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