Motorista do coletivo se recusou a parar para o embarque de Elisa Quadros, que foi hostilizada por passageiros e pedestres
A ativista Elisa Quadros, conhecida como
Sininho, sentiu na própria pele a reação contrária da população às
manifestações violentas que voltaram a tomar conta do Rio de Janeiro nos
últimos dias. Ao deixar a 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão)
nesta terça-feira (11), ela fez sinal para um ônibus no ponto mais
próximo, mas o motorista do coletivo se recusou a parar. O condutor não
quis contrariar um grupo que, de dentro do coletivo, gritou: “Aqui você
não entra”.
“Chega de hipocrisia”, gritaram alguns
dos passageiros da linha 474 (Jacaré-Jardim de Alah), depois de vê-la
vestida com uma camiseta com os dizeres “Favela não se cala”. A agora
famosa black bloc também foi chamada de assassina por um homem
que passava pela rua, e precisou ser contido por um policial militar.
Assustada, ela chegou a pedir até o auxílio de um profissional da
imprensa que seu grupo tanto critica.
Sininho foi à delegacia prestar
depoimento a respeito de uma oferta supostamente feita por ela em nome
do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) ao advogado de Fábio Raposo,
preso sob a acusação de ter repassado o rojão que atingiu a cabeça de
Andrade. O estagiário do defensor Jonas Tadeu Nunes afirma ter recebido
uma ligação dela dizendo que os advogados do parlamentar poderiam auxiliar na defesa de Raposo.
Depoimento
Elisa chegou para depor às14h e saiu da
delegacia por volta das 16h30. Ela se recusou a falar com a imprensa,
apenas negou conhecer Caio Silva de Souza, suspeito de acender o rojão
que matou o cinegrafista.
Sininho ficou famosa entre os black
blocs por duas razões: ser destemida e bonita – quando não está com o
rosto coberto. Recusou-se, justamente por isso, a dar entrevistas à
‘mídia tradicional’, basicamente incluídos nesse grupo todos os
jornalistas de empresas de comunicação. Por não reconhecer
imparcialidade, legitimidade e outras qualidades nesse grupo, no qual
atuava o cinegrafista Santiago Andrade no momento em que foi atingido
por um rojão na última quinta-feira, prefere falar com a imprensa “que
não manipula”. Na véspera de prestar depoimento, e um dia depois de ter
envolvido o nome do deputado Marcelo Freixo na confusão, ela gravou um
depoimento sem cortes a um desses veículos. Falou por doze minutos ao
jornal A Nova Democracia.
O depoimento está no YouTube. Sininho
diz que toda a imprensa “manipula” e que “foca” nos black blocs, sem
mostrar o resto das manifestações. Diz também não entender por que “a
Globo não publica sua entrevista na íntegra”. “Não entendo o motivo
dessa edição”, afirma, lançando a questão como um enigma. As duas
perguntas ela mesma responde, mas não percebe. Sininho não deu
entrevista à TV Globo – no vídeo exibido no Fantástico no domingo, ela
olha para outra direção, ignorando a câmera da emissora. E o motivo da
edição é evitar que o telespectador seja torturado por doze minutos de
Sininho.
Fonte: Veja
Nenhum comentário:
Postar um comentário