E a dieta consistia em comer apenas alface, cebola e hambúrguer – três por dia.
“Agora o senhor está bem magro”,
comentou a repórter. “Seis meses fazendo isso, imagina!”, respondeu
padre Marcelo decididamente muito mais magro. “Infelizmente eu
exagerei”, acrescentou o padre, “Eu não quis me pesar, mas acho que
perdi uns 35, 40 kg”.
Tudo começou quando, há três anos, padre
Marcelo teve um acidente na esteira ergométrica que o deixou numa
cadeira de rodas por seis meses. Foi quando ele começou a se sentir
deprimido.
“Completamente curado da depressão?”,
questionou Renata. “Graças a Deus, quase completamente”, respondeu o
padre. “O senhor não pensou em buscar ajuda nesse sentido?”, indagou a
jornalista. “Eu não busquei nenhum psicólogo, ninguém”, retrucou padre
Marcelo. “Mas padre faz terapia?”, insistiu Renata. “Tem vários padres
que eu conheço que fazem”, respondeu o religioso.
Em seu texto de abertura, Tadeu Schmidt
anunciara que a falta de privacidade, a tristeza, o assédio dos fãs e
essa dieta radical faziam parte do pacote de momentos difíceis pelos
quais o padre Marcelo estaria passando.
“Eu perdi todas as liberdades
necessárias”, declarou o padre. “Sinto falta de sair na rua, de fazer
compra eu mesmo, ir num restaurante que eu quiser, mas tudo tem o seu
preço, e eu pago esse preço [pela superexposição]“. Além disso, padre
Marcelo confidenciou o seu maior temor: “O que mais me assusta é o
fanatismo. Esse é o maior perigo em qualquer lugar, em qualquer
religião”, afirma ele.
E continua: “Muitas vezes nos colocam
num pedestal – é até uma idolatria – e eu sou um ser humano, é o que eu
explico para as pessoas. Eu nunca escondi isso de ninguém”, argumenta o
padre.
“O senhor se julga uma pessoa vaidosa?”
perguntou Renata. “Com gordura eu sou vaidoso”, respondeu sem titubear o
religioso. “O resto não: roupas, coisas… Tudo o que eu fiz, os CDs, eu
doei para diocese, e podia ficar comigo. Não sou preso à dinheiro”,
concluiu.
“Mas ainda toma remédio para calvície?”
acrescentou Vasconcellos. “Tomo, esse eu tomo”, respondeu padre Marcelo
Rossi, que completou 19 anos de ordenação recentemente.
“O que o senhor aprendeu nesses momentos
difíceis?”, perguntou a jornalista. “Estou aprendendo, vamos colocar
assim: a vida da gente é um eterno aprendizado. Deus permitiu que eu
passasse por um pouquinho do que é uma depressão para que eu pudesse
entender. Porque eu achava que era, desculpe a palavra, frescura”,
confessou o padre.
“Quando falavam em depressão eu achava
que a pessoa tava inventando, e não é. É uma sensação não boa – e o que
me salvou foi escrever, foi cantar, foi a oração”, arrematou o padre.
“O senhor agora está bem de saúde?”,
encerrou Renata Vasconcellos. “Agora estou perfeito. São 15 dias que eu
estou me alimentando como sempre me alimentei, como eu devia me
alimentar”. Foi quando padre Marcelo Rossi se voltou para a câmera e deu
o recado de quem sentiu o problema na própria pele: “Você que está
assistindo, cuidado com essas dietas malucas!”.
Fonte: Folha
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