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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Anvisa quer maço ‘genérico’ de cigarro, sem cores e marca
Medida reduziria a atratividade do tabaco e o número de fumantes, diz instituição
Rio - Em mais uma etapa da batalha contra o
tabaco, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu que
irá propor a adoção no Brasil de embalagens ‘genéricas’ para cigarros. A
ideia é que os maços tenham apenas o nome do fabricante e as imagens
com alertas aos malefícios que o fumo causa à saúde. O objetivo é
reduzir a atratividade dos produtos.
Anvisa quer maço ‘genérico’ de cigarro, sem cores e marca
Foto: Reprodução Internet
Em março de 2012, a Anvisa emitira
norma proibindo a fabricação de cigarros com aromas, como os mentolados,
que segundo pesquisas atraem jovens para o vício. A suspensão, porém,
não entrou em vigor: vem se arrastando desde então na Justiça, e ainda
precisa ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal.
O maço genérico não tem cores, símbolos ou
qualquer referência comercial. A ideia segue iniciativa da Austrália,
instituída em 2012. A medida causou revolta na indústria do tabaco
local, que tentou barrar a proposta na Justiça, mas foi bem recebida
pela Organização Mundial da Saúde. Após as primeiras pesquisas, que
indicaram a redução da atratividade do cigarro, outros governos passaram
a estudar a adoção do padrão.
O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano,
afirma que o órgão pretende realizar novos estudos antes de mobilizar
forças no Congresso Nacional, que precisa aprovar lei sobre o assunto.
“Esse é o próximo passo que o Brasil precisa dar. A Anvisa vai mover
esforços técnicos para demonstrar o benefício da medida”, afirmou à
‘Folha de S. Paulo’. Para Paula Johns, diretora-executiva da Aliança de
Controle do Tabagismo, a ideia é boa, mas antes é preciso que o veto aos
sabores seja implementado de fato. “O governo tem que partir para o
caminho das embalagens genéricas, mas tem muita coisa que está pronta e
ainda não foi feita”, afirma. Na Austrália, 69% pensam em largar vício
Na Austrália, onde a padronização foi
implementada há pouco mais de um ano, o resultado foi considerado
satisfatório.
De acordo com pesquisa publicada em julho no
‘British Medical Journal Open’, 27% dos que fumam cigarros de embalagens
sem logomarca naquele país sentem-se menos satisfeitos do que antes da
obrigatoriedade deste modelo.
Mas a conscientização sobre os males à saúde e o
interesse por uma vida saudável refletem em outro índice: 69% das
pessoas que fumam cigarros de embalagens genéricas afirmaram que pensam
em parar de fumar nos próximos seis meses.
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