Brasília – Depois de crescerem 36% no ano passado, as apreensões de
contrabando deverão encerrar o ano em diminuição, disse hoje (3) o
secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto. O órgão estima
que os bens confiscados totalizem R$ 1,7 bilhão em 2013, contra R$ 2
bilhões no ano passado.
O secretário negou que o recuo tenha sido motivado pelo
contingenciamento (bloqueio) do Orçamento federal, que reduziu as verbas
disponíveis para as operações. Segundo Barreto, a queda no valor
apreendido deve-se a itens de luxo confiscados no ano passado que
influenciaram as estatísticas.
“Em 2012, apreendemos alguns bens de elevado valor, como iates,
aeronaves e algumas embarcações. Isso elevou o valor. Este ano, por
conta da fronteira blindada, a quantidade foi bastante significativa,
embora o valor não tenha ultrapassado 2012”, declarou Barreto, ao
comentar as ações do órgão no Dia Mundial de Combate à Pirataria,
comemorado hoje (3).
De acordo com o secretário, a Receita teve de se adaptar aos cortes
no Orçamento, reduzindo gastos de custeio (despesas com a manutenção da
máquina pública) e contando investimentos em fase inicial. Ele, no
entanto, assegurou que as operações essenciais foram mantidas, assim
como investimentos considerados imprescindíveis para a manutenção dos
sistemas internos do órgão.
Até novembro, as apreensões de mercadorias contrabandeadas ou frutos
de fraude somam R$ 1,5 bilhão. O número leva em conta os itens retidos
nas áreas de fiscalização do comércio exterior em portos, aeroportos e
unidades de fronteira terrestre. Segundo Barreto, o valor das
mercadorias apreendidas nos armazéns costuma ficar R$ 2,3 bilhões e R$
2,5 bilhões.
As mercadorias confiscadas ficam nos armazéns até serem leiloadas,
destruídas (quando são falsificadas ou impróprias para consumo),
destinadas a órgãos públicos ou doadas a pessoas físicas ou jurídicas.
De acordo com a Receita, os leilões rendem R$ 250 milhões por ano aos
cofres públicos, dos quais 40% vão para a Previdência Social e 60% para a
conta única do Tesouro Nacional.
Por causa do Dia Mundial de Combate à Pirataria, a Receita promove,
esta semana, um mutirão de destruição de bens apreendidos. Em todo o
país, serão destruídos 5,5 mil toneladas de CDs, DVDs, cigarros, bebidas
alcoólicas, cosméticos, medicamentos, produtos falsificados, pilhas,
agrotóxicos, produtos químicos, brinquedos fora das especificações e
relógios, entre outros produtos.
Segundo Barreto, o valor das mercadorias destruídas totaliza R$ 280
milhões. O custo da destruição, informou o secretário, é compensado
pelos leilões de bens apreendidos. Os resíduos, destacou, são
reciclados. Os restos de cigarros viram adubo orgânico. As bebidas
alcoólicas são transformadas em combustíveis ou álcool gel, e os
detritos de pneus abastecem fornos de cimento.
Fonte: Agência Brasil
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