Valor acima do teto constitucional chega a R$ 300 milhões, diz TCU
O Senado não começou a descontar este
mês os valores pagos acima do teto de R$ 28 mil a 540 servidores,
conforme prometera o presidente da Casa, Renan Calheiros, após decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).
Segundo cálculo do tribunal, o montante pago de forma indevida chega a
R$ 300 milhões. De acordo com a assessoria do Senado, os valores só
devem começar a ser descontados no pagamento do início de dezembro,
referente à folha de novembro. Como ainda não há um ato normativo da
Mesa do Senado, a Casa não sabe informar como será o procedimento
adotado.
Renan deve acabar se baseando na lei que
determina só ser possível cobrar o limite de 10% do salário de um
servidor por mês em função de equívocos. Em outubro, também por ordem do
TCU, a Casa cortou os supersalários dos 540 servidores, medida esta que
resultou em uma redução de R$ 1,3 milhão por mês na folha de pagamento
do Senado. A expectativa de servidores da Casa é de que o ato da Mesa
que normatiza a devolução do excedente referente ao teto constitucional
seja assinado apenas na próxima segunda-feira ou terça-feira.
A promessa, entretanto, foi feita há quase um mês por Renan.
Mesmo sem uma decisão contrária, a
devolução do excedente pago durante cinco anos pela Casa não foi
realizada. A justificativa usada para o adiamento foi a existência de
recursos contra a decisão do TCU, tanto no Supremo Tribunal Federal
(STF) quanto no próprio tribunal de contas.
Na quarta-feira, o ministro Dias Toffoli arquivou um mandado de segurança do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo (Sindilegis)
contra a devolução de excedentes recebidos por servidores que tinham
supersalários. Toffoli argumentou que não havia sobre o que decidir, já
que o Senado ainda não havia cobrado os valores pagos acima do teto.
Além disso, ele afirmou que a decisão do TCU era contestada no próprio
tribunal.
O Ministério Público Federal e a
Associação dos Consultores Legislativos e dos Advogados do Senado
Federal (Alesfe) acionaram o órgão e tentam suspender a decisão que
determina a devolução do excedente de retroativos. Eles alegam que o
montante recebido, quando de “boa fé”, não pode ser devolvido pelos
servidores públicos. Segundo o TCU, não há previsão de quando serão
analisadas as interposições contra a devolução do excedente dos
supersalários.
Segundo publicação do site Congresso em
Foco, 27 funcionários do Senado continuam recebendo valores acima do
teto constitucional. A Casa diz, entretanto, que está analisando “caso a
caso e ainda não foi encontrada nenhuma incorreção nos pagamentos”.
Fonte: O Globo
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