Alvo
da CPI, Fernando Cavendish, dono da construtora Delta (no centro), é
amigo e cliente de muitos políticos. Na festa ao lado, em Paris, ele
acompanhava o governador Sérgio Cabral, do Rio, onde fatura bilhões em
obras
O Conselho Superior do Ministério
Público do Estado do Rio de Janeiro decidiu, nesta segunda-feira (11),
arquivar as investigações sobre as viagens do governador Sérgio Cabral a
Paris, na França, em 2009 – acompanhado de secretários e de Fernando
Cavendish, dono da Delta. A votação foi apertada: seis a favor e quatro
contra, e houve desentendimento entre os conselheiros, dando início a um
bate-boca entre eles.
A amizade entre o governador e Cavendish
não era segredo. Mas a viagem levantou a suspeita de favorecimento à
construtora em contratos com o governo do estado. Em abril de 2012, o
deputado federal Anthony Garotinho, do PR, divulgou fotos em seu blog de
uma comemoração em Paris, há três anos, em que apareciam Cabral,
Cavendish e figuras do alto escalão do governo do Rio.
O deputado estadual Marcelo Freixo
(PSOL), autor do pedido de investigação das viagens, estava presente e
afirmou que encaminhará nova representação ao Ministério Público,
exigindo esclarecimentos sobre o assunto mais uma vez. Freixo argumenta
que, mais uma vez, não foi informado do arquivamento feito pelo então
procurador-geral de Justiça Cláudio Lopes, em janeiro deste ano, o que o
impediu de tomar providências.
Segredos de Cavendish
Na mesma viagem foram tiradas as fotos
de Cavendish e dos secretários de Saúde, Sérgio Côrtes, de Governo,
Wilson Carlos e outras figuras públicas com guardanapos na cabeça. O
então secretário estadual de fazenda, Joaquim Levy, também posou para a
câmera, assim como o secretário de urbanismo do prefeito Eduardo Paes.
No grupo de amigos, ainda estava Aloysio Neves Guedes, conselheiro do
Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio.
O caso tinha sido arquivado pelo
ex-presidente do MPRJ Cláudio Lopes, por entender que a viagem a Paris
não foi custeada com dinheiro público. A denúncia foi encaminhada pelo
sucessor de Lopes, Marfan Vieira Martins, ao conselho do Ministério
Público.
Fonte: Veja
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