‘O que é certo é certo. Eu poderia ser a pessoa que perdeu’, afirma o guardador
Em mais um dia de trabalho como
guardador de motos em frente a uma agência bancária, na região central
de Campo Grande (MS), Osmar Duarte Lopes, 54 anos, teve uma iniciativa
considerada rara por muitos. Na quinta-feira (31), ele encontrou no
local um cheque de R$ 1,3 mil e, com a ajuda de um funcionário do banco,
conseguiu localizar o dono.
“O que é certo é certo. Eu poderia ser a
pessoa que perdeu”, disse. Lopes conta que encontrou a lâmina enquanto
ajudava um motociclista a estacionar no local, onde, segundo ele,
trabalha há dez anos. “O cara do banco (sic) ajudou e ele (proprietário)
veio rapidinho”, relata.
O dono do cheque, segundo o guardador, é
um pecuarista que mora perto da agência e foi até ele no mesmo dia em
que o papel foi achado. Pela atitude, o homem deu R$ 100 de gratificação
a Lopes no momento em que recuperou o cheque. “Dividi o dinheiro com as duas pessoas que me ajudaram (a encontrar). (A gratificação) Deu um alívio de três, quatro dias”, lembra.
Ao encontrar o pecuarista na semana
passada e receber a recompensa, Lopes diz ter ficado surpreso com o
valor. “Achei que ganharia R$ 10. Dei um abraço nele e falei muito
obrigado”.
Um dos que auxiliaram a descobrir a quem
pertencia o cheque, e recebeu parte da gratificação, foi o prestador de
serviços do banco, Naelcio Tribianne, 27 anos. “Achei a ação legal.
Hoje isso é bem raro. Honestidade ainda tem no mundo e ele é um
exemplo”, conta.
Dura realidade
Lopes trabalha como guardador de motos
das 9h às 14h30 de segunda a sexta-feira. Depois do horário e no final
de semana, recolhe latas e busca nas ruas materiais de cobre para vender
em um ferro-velho. Tudo é recolhido e carregado na caixa de sua
bicicleta.
As gorjetas doadas pelos motociclistas
no ponto em frente ao banco, às vezes, chegam até a render R$ 20 por
dia. Somando tudo, ao fim do mês, a renda não passa de R$ 400, segundo
ele. É o necessário para pagar o aluguel de um quarto em que mora
sozinho, e arcar com as outras despesas.
Conseguir de forma “fácil” pouco mais de
R$ 1,3 mil ajudaria muito, de acordo com o guardador. “Ia fazer muita
diferença (valor do cheque), mas meu interesse era só achar o dono. Nem
olhei muito para o cheque. Pensei no desespero da pessoa”, afirma.
“A coisa está feia. Hoje R$ 20 não dá
nada no mercado. É sufocante porque a cada 30 dias o cara quer receber o
aluguel. Mas estou firme. O importante é estar trabalhando. Ganho meu
dinheiro aqui”, completa.
O guardador disse que já encontrou, em
pelo menos outras três oportunidades, objetos e valores de outras
pessoas e sempre devolveu. “Se eu achasse outro cheque devolveria de
novo. Seria a mesma coisa”.
Fonte: G1
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