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terça-feira, 12 de novembro de 2013
Rio de Janeiro: Polícia circula fora da lei com carros sem vistoria
Todas as 32 viaturas pesquisadas pelo DIA estavam
irregulares. Sindicato critica o perigo para policiais e especialista
diz que aplicar a lei sem cumprir fragiliza o governo
Rio - Ao melhor estilo do ditado popular ‘faça o
que digo, mas não faça o que faço’, não são apenas os carros da Polícia
Militar que circulam irregulares pelas ruas do Rio. Os da Polícia Civil
também não poderiam seguir caminho caso fossem parados em blitzes ou se
a lei valesse para todos. Dos 32 veículos analisados ontem pela equipe
do DIA
em cinco delegacias, nenhum possuía licenciamento anual, o que quer dizer que não passaram por vistorias.
No último dia 8, o ‘Informe do DIA’ analisou 12
patrulhas da PM. Todas também foram reprovadas. Lei estadual de 1997
dispensa veículos oficiais do pagamento do IPVA, mas não os isenta de
vistorias.
Adquirido em 2008, o carro LKV-5177 foi vistoriado somente até o ano de 2011
Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
“Se analisarmos a frota normal,
levando em consideração que elas são trocadas com frequência, isso não
representa um grande risco ao meio ambiente. A grande questão está no
aspecto moral. O governo se torna frágil, já que a polícia aplica a lei,
mas não cumpre”, analisa o professor de Engenharia de Transporte da
Uerj Alexandre Rojas.
Na lista das viaturas paradas em delegacias
como a 5ª DP (Mem de Sá), 6ª DP (Cidade Nova), 17ª DP (São Cristóvão),
18ª DP (Praça da Bandeira) e no antigo prédio da Delegacia de Combate às
Drogas (Dcod), no Andaraí, mais da metade possui apenas o documento
emitido no emplacamento. O restante foi vistoriado em alguns anos
posteriores à fabricação, mas depois passaram a rodar com licenças
vencidas. Os dados constam no site do Detran. Clique na imagem abaixo para ampliar a tabela:
Para quem trabalha diariamente com os
veículos, o problema vai além da legislação. Em péssimo estado de
conservação, principalmente no interior, segundo policiais, alguns
carros sequer poderiam ser utilizados. “O policial que está dentro do
veículo corre um grande risco permanente. Mas ele não pode reclamar,
caso contrário corre o risco de ser transferido e perder uma
gratificação”, denuncia o presidente do Sindicato dos Policiais Civis
(Sinpol), Fernando Bandeira.
Manutenção precária e desperdício
Denúncias de policiais e do Sinpol dão conta
que os os problemas não se resumem aos documentos atrasados das
viaturas. Isto porque a manutenção dos veículos também é precária, o que
contribui para problemas diários e desperdício de verba pública.
“Cansei de chegar em algumas delegacias e, de
cinco carros, quatro estarem parados. Normalmente, pelos meios legais, o
conserto burocrático leva muito tempo, atrapalhando os trabalhos. Aí,
cada delegado faz o que pode”, contou um policial.
Segundo Fernando Bandeira, o jeito, muitas
vezes, é recorrer, de forma gratuita ou privada, aos serviços de um
mecânico. “Os delegados acabam ficando numa situação complicada.
Atrapalhar as investigações e não ter resultados positivos ou pedir
favores a terceiros que não são da polícia? Há casos em que tiram até do
bolso para consertar os carros”. Até janeiro, 420 carros novos
A Polícia Civil não respondeu às indagações do DIA
sobre a situação irregular dos veículos. Mas, em nota, informou que a
manutenção deles é realizada em oficinas mecânicas escolhidas após
pesquisa de preços. Por meio de processo interno, cada delegado
apresenta orçamento (de pelo menos três oficinas diferentes). Os
serviços são quitados por meio de ordem de pagamento.
Manutenções mais simples, como trocas de pneus,
óleo e baterias (compradas por licitação), são realizadas em garagem da
instituição. Segundo a Polícia Civil, até janeiro 420 novas viaturas,
já com manutenção total, farão parte da frota de 1.800 veículos. Alguns
veículos serão realocados.
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