A recuperação de Dilma foi parcial e
está empacada há dois meses – depois que a avaliação positiva do governo
desabou, entre junho e julho, houve uma leve melhora, em agosto, mas
desde então nada mudou. Além disso, houve um acirramento de posições:
diferentes segmentos da sociedade – jovens e velhos, ricos e pobres –
nunca divergiram tanto sobre a gestão da presidente.
Pesquisa Ibope feita na primeira
quinzena de junho, antes que os protestos contra aumentos nas tarifas de
ônibus ganhassem caráter nacional, mostrou que 55% dos brasileiros
consideravam o governo bom ou ótimo. Um mês depois, a taxa caiu para
31%. Em termos absolutos, o número de eleitores satisfeitos com a gestão
passou de 77 milhões para 43,5 milhões – uma queda de 33,5 milhões em
30 dias.
Em agosto, depois de Dilma responder à
pressão das ruas com o lançamento de “cinco pactos a favor do Brasil”, a
avaliação positiva do governo subiu sete pontos porcentuais – é como se
10 milhões de brasileiros recuassem de sua postura de animosidade. Mas
23,5 milhões não voltaram para o ninho governista – nem em agosto, nem
em setembro, nem em outubro.
Nesse contingente que não se deixou
convencer pelas políticas de Dilma e pelo marketing de João Santana, há
eleitores de todos os tipos, mas alguns segmentos se destacam: os mais
jovens, os mais escolarizados, os de renda mais alta e os moradores de
municípios médios e grandes (veja quadro).
Questão de idade
Em junho, a taxa de aprovação ao governo
era quase igual entre os eleitores de até 24 anos (57%) e os de mais de
55 anos (58%). Os protestos de rua acabaram com essa sintonia. A
pesquisa Ibope de outubro mostrou aprovação de 45% entre os mais idosos e
de apenas 32% entre os mais jovens. Ou seja, Dilma perdeu quase metade
de seus simpatizantes entre os mais novos, e um quinto do apoio entre os
mais velhos.
Bolso
A divisão do eleitorado por renda mostra
que Dilma se recuperou apenas nas faixas mais pobres. Em junho, a
presidente era avaliada positivamente por 13,7 milhões de brasileiros
que ganham até um salário mínimo. Em julho, esse número havia caído para
menos da metade, mas, até outubro, passou para 12 milhões (88% do
patamar inicial).
No segmento que recebe de um a dois
salários mínimos, Dilma colhe outro bom resultado: já é aprovada por 75%
do contingente que, em junho, via o governo como “bom ou ótimo”. Mas o
quadro é outro nas faixas de renda acima de dois salários mínimos –
nelas, a aprovação a Dilma continua a cair, em vez de se recuperar.
Outro público que se afastou de Dilma e
não mostra disposição para “reatar” com a petista é o que tem curso
superior. A presidente perdeu metade do apoio que tinha nesse segmento:
em junho, era de 48%, e em outubro chegou a 25%.
A recuperação da presidente tem ritmos
distintos segundo a região pesquisada. No Nordeste, o porcentual que
considerava o governo ótimo e bom era de 53% em outubro, 13 pontos
porcentuais abaixo do resultado de junho. No Nordeste/Centro-Oeste,
Dilma ainda está 23 pontos abaixo do que tinha antes da onda de
protestos.
A previsão de que o governo levaria
quatro meses para se recuperar foi feita pelo marqueteiro João Santana,
em e-mail enviado no fim de junho a integrantes do governo e do PT.
Santana foi procurado pelo Estado para analisar as últimas pesquisas,
mas não respondeu às tentativas de contato.
Fonte: MSN/Estadão
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