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terça-feira, 4 de março de 2014
Empresa diz que etanol é vantajoso se custar até 80% do preço da gasolina
Quando vai abastecer seu carro flex,
a maioria dos motoristas faz as contas para ver qual o combustível mais
vantajoso. Para isso, uma antiga fórmula é aplicada: divide-se o preço
do álcool pelo da gasolina e se o resultado for menor que 0,70,
significa que o preço do etanol é inferior a 70% do preço do combustível
concorrente e vale a pena optar pelo álcool. Mas esse cálculo está
sendo questionado por um estudo que aponta que vale a pena abastecer com
etanol quando ele custar até 80% do preço da gasolina. O
estudo que propõe novo índice de economicidade para uso de etanol foi
feito com base nos dados do dia a dia de 410 mil veículosArquivo/Agência Brasil A novidade é polêmica e diverge do padrão
divulgado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia
(Inmetro). O estudo foi feito com base nos dados do dia a dia de 410 mil
veículos que são gerenciados pela Ecofrotas, que presta serviço de
gerenciamento, abastecimento e manutenção de frotas em todo o país.
A novidade apareceu quando a empresa se deparou com informações que
apontavam para um melhor desempenho do etanol, ao analisar seu banco de
dados. “Começarmos a perceber que a relação entre etanol e gasolina
tinha uma variação muito grande em relação àquela perspectiva do 70%/30%
e começamos a perceber que se equiparava muito mais a 80%/20%”, explica
a gerente de Sustentabilidade da Ecofrotas, Amanda Kardosh.
Para verificar a tese, a Ecofrotas contratou uma consultoria para
analisar os dados e, por meio de análise estatística, a gerente disse
que ficou comprovada a hipótese de que o etanol apresentava um
rendimento médio equivalente a 79,52% do desempenho da gasolina. Ela
explica que a relação que se conhece hoje, de 70%, leva em conta o poder
calorífico do etanol em relação à gasolina. Mas, segundo o estudo da
Ecofrotas, outras características do etanol devem ser levados em conta,
como a proporção ar e combustível no motor e a octanagem, que é a
capacidade de um combustível resistir a altas taxas de compressão sem
entrar em combustão.
Além disso, ela argumenta que fatores do dia a dia influenciam no
desempenho dos dois combustíveis, o que aponta para um resultado mais
realista. “Normalmente, os estudos são feitos em laboratório, com um
mesmo motorista, em um mesmo cenário, com o mesmo modelo. No nosso caso,
analisamos um período de 31 meses e, além da diversidade de modelos,
temos uma diversidade imensa de motoristas, de comportamentos ao
dirigir, de geografia”, diz.
Na avaliação do engenheiro Fábio Real, do Inmetro, no entanto, em um veículo flex,
a autonomia do etanol em relação à autonomia da gasolina vai de 69% a
72%, dependendo do motor. “Essa é uma média, tem veículos que são mais
eficientes com etanol, outros com gasolina, mas não foge muito disso
não”, aponta.
O engenheiro alerta que os testes feitos sob condição padrão são mais
confiáveis, pois quando os dados são colhidos com o veículo rodando na
cidade, vários fatores influenciam nos resultados, como temperatura,
pressão atmosférica, se está parando muito no trânsito, as condições da
cidade, se tem mais morros ou se é mais plana, e até a forma como o
motorista conduz. “Se você pisa um pouco mais no acelerador, o veículo
gasta mais, porque entende que está precisando de mais potência. Já
quando a pessoa anda de forma mais macia, tende a ser mais econômica”,
diz. Outra questão que impacta nos resultados é a qualidade do
combustível.
Segundo o engenheiro, o ideal é o consumidor verificar a eficiência
de cada carro e o seu perfil, se anda mais na cidade ou na estrada.
Desde 2005, o Inmetro acompanha testes das montadoras de veículos para
classificar os carros de acordo com a sua eficiência energética.
Atualmente, 36 marcas e 496 modelos e versões de veículos recebem um
selo de classificação do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular.
Além do selo, os consumidores podem consultar dados de todos os tipos de carros,
como consumo de álcool ou gasolina na estrada e na cidade e emissões de
poluentes. “Os dados da tabela representam uma média de consumo para o
brasileiro, em condições padrão e com combustível padronizado”, explica.
Até 2017, todos os modelos de veículos comercializados no Brasil devem
estar incluídos no programa do Inmetro.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulga todas as semanas um levantamento de preços de combustíveis
feito em mais de 8,6 mil postos de todo o país. Na semana passada
(entre 16 e 22 de fevereiro), o preço médio da gasolina alcançou R$ 2,95
e o do etanol R$ 2,11, o que corresponde a 71,5% do preço da gasolina.
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