Em
reunião secreta, senadores recebem enviados de José Dirceu e Delúbio
Soares, que temem perder regalias caso sejam enviados a presídios
federais
Na última terça-feira (18), o Palácio do
Planalto passou o dia às voltas com sua base no Congresso Nacional em
busca de uma saída para levar à votação seu projeto número um no início
deste ano: o Marco Civil da Internet, que trava a pauta do Legislativo
há meses. A regulamentação da internet no país, no entanto, não foi o
único assunto que movimentou o Legislativo no dia. Na sala da liderança
do PT, no subsolo do Senado, cinco senadores do partido receberam em uma
reunião secreta o advogado Luiz Egami e o assessor da presidência da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Edson Campos. Militantes
petistas, eles levavam um recado de dois próceres presidiários do
Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal: os mensaleiros
José Dirceu e Delúbio Soares. A conversa não foi longa porque os
emissários foram direto ao pedido de ajuda: parlamentares do PT deveriam
alardear uma “operação casada” do Ministério Público e de juízes do DF
para transferir os condenados do mensalão para pr esídios federais.
Em duas edições, a revista ‘Veja’
revelou que os mensaleiros petistas recebem tratamento diferenciado na
prisão. As mordomias de Delúbio, como feijoada no final de semana, já
derrubaram dois diretores do Centro de Progressão Penitenciária (CPP).
Dirceu tem direito a podólogo e passa o dia numa biblioteca do presídio,
distante da realidade dos internos da Papuda. Tanto o ex-tesoureiro do
PT quanto Dirceu recebem visitas fora do horário regulamentar para os
demais detentos. A lista de visitantes inclui o governador do DF, Agnelo
Queiroz (PT), cuja administração monitora o que acontece no complexo
prisional.
Não é difícil imaginar o porque do temor
dos mensaleiros em uma transferência de carceragem. E foi justamente
isso que o advogado Luiz Egami relatou, sem rodeios, aos cinco senadores
petistas: os condenados pelo mensalão temem ser realocados nas unidades
federais de Mossoró (RN), Catanduvas (PR), Campo Grande (MS) e Porto
Velho (RO), locais que abrigam criminosos perigosos – e onde os petistas
não seriam mais tratados com distinção.
Os dois mensageiros sugeriram o plano de
Dirceu e Delúbio: a Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa da Casa, comandada pela senadora Ana Rita (PT-ES), deve
visitar a Papuda para negar publicamente a existência de privilégios ou
benefícios aos mensaleiros. Procurada pelo site de VEJA, Ana Rita
admitiu que participou da reunião na liderança do PT. “Se a Comissão de
Direitos Humanos for acionada, sim [pode ir à Papuda], mas isso ainda
não ocorreu”.
O líder do PT no Senado, Humberto Costa
(PE), reconheceu o temor pela transferência para presídios federais.
“Eles [os mensaleiros] estão preocupados com a possibilidade de ficar
permanentemente em sistema fechado e ir para uma prisão federal. A
definição do Supremo foi de cumprimento da prisão em regime semiaberto”,
disse. “Se em algum momento houver qualquer coisa que a gente imagine
ser um desrespeito ao direito do preso, na hora que eles quiserem, a
gente pode sentar e tomar uma decisão”.
O advogado petista Luiz Egami também
levou mais versões. Dirceu e Delúbio – que já foi advertido pela Justiça
pelas regalias – tentaram até emplacar com os parlamentares uma
desculpa para a feijoada: a cantina do presídio vende latas de costela
de porco, que foram misturadas à refeição do dia. Mais: foi tudo um
presente de vizinhos de cela.
Fonte: Veja
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